"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses." (Sócrates)

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Ostara

Ostara 1Equinócio de primavera Ostara era a deusa teutônica da aurora e da fertilidade, equivalente a Eostre, a deusa anglo-saxã regente da primavera. O festival comemora o fim do inverno e o renascimento da Natureza, com a volta da fertilidade, da vitalidade e da alegria. Ovos pintados com símbolos de prosperidade ou tingidos de vermelho eram usados como amuletos da sorte, oferecidos de presente a familiares e amigos ou enterrados nos campos, para transferir sua fertilidade para a terra. As mulheres assavam pãezinhos em forma de lebres ou os confeitavam com rodas solares, compartilhando-os com outras pessoas e oferecendo-os aos seres da Natureza, com pedido de fertilidade e vitalidade. O animal sagrado de ambas as deusas era a lebre, associada à Lua e renomada pela sua proliferação. Os nomes Ostara e Eostre deram origem à denominação da Páscoa em alemão (Ostern) e inglês (Easter), ao hormônio feminino da fertilidade (estrógeno) e ao cio (estrum). Seus atributos mágicos foram adotados como objetos festivos e de decoração na Páscoa cristã, sem que a igreja explicasse a enigmática relação entre o coelho, ovos e Jesus. Reverenciam-se nessa data também as deusas Idunna (doadora das maças do rejuvenescimento), Nerthus, Erda (fertilidade da terra), Freyja (regente da sexualidade), Sjofn (para trazer amor) e Frigga, Berchta e Holda (senhoras do tempo e protetoras dos recém nascidos); no entanto, o Blot deve ser dedicado a Ostara. O tema principal desse festival é a bênção das sementes, os novos projetos ou começos, encantamentos para fertilidade (física, material, mental) e renovação, bem como práticas de equilíbrio e complementação dos opostos (polaridades internas ou externas). Preparam-se canteiros, vãos e situações para receber e nutrir as sementes de novas plantas, ou projetos. Os ovos pintados (devem ser usados galados ou caipiras, em vez de ovos de granja, desprovidos de energia vital) são ofertados para a terra, os deres da Natureza e as divindades; colocados nos altares ou dados de presente. As runas correspondentes são Berkano e Erda (a fertilidade da terra), Ehwaz (mudança, vida nova) e Laguz (crescimento dos brotos). O sinete mágico reproduz o ovo cósmico ou as sementes brotando.

Fonte: Mistérios Nórdicos (Deuses. Runas. Magias. Rituais.) de Mirella Faur. Editora Pensamento.

Ostara 2

Skírnismál (Edda Poética)

Skírnismál (Os Dizeres de Skírnir) é um dos poemas da Edda Poética. O poema foi preservado no século 13, nos manuscritos Codex Regius e AM 748 I 4to mas pode ter sido originalmente composto em tempos pagãos. Acredita-se que o poema era encenado, talvez em um tipo de hiéros gamos (casamento sagrado).

Skírnismál

Freyr, o filho de Njörðr, tinha se sentado no Hliðskjálf, e visto todos os mundos. Ele olhou em Jötunheimr, e lá ele viu uma linda donzela saindo do salão de seu pai e indo para jardim dela. Desde então ele caiu em uma profunda depressão. O servente de Freyr era chamado
Skírnir. Njörðr mandou ele para falar com Freyr.

Skaði disse:

01-“Levante-se agora Skírnir e vá pedir a meu filho* que fale. Pergunte ao sábio com quem ele está bravo.”

Skírnir disse:

02-“Palavras ruins eu terei de seu filho se eu ir falar com o rapaz e perguntar ao sábio com quem ele está bravo.”
03-“Me diga Freyr, líder de guerra dos deuses, o que eu desejo saber.
Por que você se senta sozinho, triste no salão, o dia todo meu senhor?”

Freyr disse:

04-“Como eu direi a você, oh jovem herói, a minha preocupação? É porque a Álfröðull* brilha todo dia e não sobre meu coração.”

Skírnir disse:

05-“Eu não acho que seu amor é tão grande que você não possa me dizer, herói, quando nós éramos jovens em dias de outrora nós podíamos confiar um no outro tão bem.”

Frey disse:

06-“No salão de Gymir eu vi a amada donzela andar perante mim e de lá os braços dela brilhavam o céu e o mar.
07-“A donzela é mais amada por mim do que tem sido por qualquer outro homem em dias de outrora. Nem os Æsir ou Álfar* ou qualquer homem deseja que nós fiquemos juntos.”

Skírnir disse:

08-“Me de o cavalo então, que eu possa usar através da escuridão e o famoso fogo chamejante* e me de a espada que balança sozinha
contra a tribo dos Jötnar*.”

Freyr disse:

09-“Eu darei a você o cavalo para usar acima da escuridão e do famoso fogo chamejante, e a espada que balança sozinha se for sábio para empunha-la.”

Skírnir falou para seu cavalo:
10-“É escuro lá fora. Agora eu digo, deixe nos viajar adiante acima das demoradas montanhas* sobre a tribo dos Þursar*. Ambos de nós voltaremos ou o grande jötunn levará nós dois.”

Skírnir cavalgou para Jötunheimr até que ele chegou na corte de Gymir onde lá estava os selvagens cães amarrados em postes de madeira do portão que ficava antes do salão de Gerð. Ele cavalgou adiante até o pastor sentado sobre um monte e falou para ele:

11-“Me diga pastor, você que senta sobre o monte da colina, que guarda todos os caminhos, como nós podemos chegar a falar com a jovem donzela longe dos cães cinzentos de Gymir.”

Hirðir* disse:

12-“Você está atado a morte ou é morto? Você nunca conversará com a boa filha de Gymir.”

Skírnir disse:

13-É melhor ser corajoso que lamentar por aquele que deseja viajar. Um dia minha vida foi gerada e uma vida longa foi oferecida a mim.”

Gerð disse:

14-“Que barulho é esse que ouço agora em nosso salão? A terra treme e tudo na terra de Gymir treme.”

Ambátt* disse:

15-“Há um homem lá fora que desceu das costas de seu cavalo. E deixou seu cavalo no pasto.”

Gerð disse:

16-“O convide para entrar em nosso salão e beber o hidromel da donzela! Embora eu temo que do lado de fora possa ser o matador de meu irmão*.”

17-“Você é um dos Álfar ou um filho dos Æsir ou um sábio Vanir? Por que você veio sozinho sobre o fogo selvagem para ver nosso salões?”

Skírnir disse:

18-“Eu não sou um dos Álfar ou um filho dos Æsir nem um sábio Vanir, embora eu venho sozinho sobre o fogo selvagem para ver seus salões.”
19-“Eu tenho aqui onze maçãs de ouro* que eu darei a você, Gerð, para iniciar um acordo de modo que você dirá que Freyr é para você o homem mais amado que existe.”

Gerð disse:
20-“Eu nunca aceitarei suas onze maçãs de ouro por amor de qualquer homem, e não de Freyr. Enquanto nossas vidas durarem, nós não viveremos junto.”

Skírnir disse:

21-“Eu darei a você o anel que foi queimado com o jovem filho de Óðinn*. Oito anéis de peso igual caem dele a cada nove noites.”

Gerð disse:

22-“Eu não desejo o anel, embora ele foi queimado com o jovem filho de Óðinn. Eu não sinto falta de ouro no salão de Gymir pois a abundância de meu pai eu compartilho.”

Skírnir disse:

23-“Você vê essa espada afiada brilhante que eu tenho aqui em minha mão, donzela? Eu cortarei sua cabeça de seu pescoço a menos que você concorde comigo.”

Gerð disse:

24-“Ameaças nunca me forçaram a fazer o desejo de qualquer homem, embora eu acho que se Gymir encontrar você, ele lutará se te  encontrar aqui.”

Skírnir disse:

25-“Você vê essa espada afiada brilhante que eu tenho aqui em minha mão, donzela? Perante essa lâmina o velho jötunn cairá, seu pai será um homem morto.”
26-“Eu golpearei você com o cajado mágico* e eu dobrarei você, donzela, para fazer minha vontade. Você irá para onde os filhos dos homens
nunca mais verá você de novo.”
27-“Você se sentará para sempre no monte da águia*. Você se afastará de seu lar e irá para Hel. A comida será mais repugnante para você que a brilhante serpente* é para os homens.”
28-“Você se tornará um espetáculo quando sair. Hrimnir* olhará em você e cada espírito olhará em você. Você será mais conhecida
que o guardião dos deuses, você bocejará através do portão*.”
29-“Loucura e lamentação, grilhões e impaciência aumentarão em você. Você se sentará e eu te ordenarei grande sofrimento e dupla aflição.”
30-“Inimigos subjugaram você através de dias escuros e na corte dos Jötnar você rastejará sem escolha ou sem esperança de escolha,
no salão do Hrímþursa* todo dia. Você terá choro por diversão, e você conhecerá a aflição e lágrimas.”
31-“Você sempre habitará com o Þurs* de três cabeças ou ficará sem marido.
Sua mente será estúpida e sua aflição irá consumir você.
Possa você ser como o cardo* tirado do topo das colheitas.”
32-“Eu andei nos bosques, em florestas úmidas para conseguir um Gambantein* e eu consegui um Gambantein.”
33-“Óðinn está furioso com você, Ásabragr* está furioso com você, Freyr odiará você donzela maldosa, você contraiu a mágica fúria dos deuses.”
34-“Me ouça agora Jötnar! Me ouça agora Hrímþursar*! Filhos de Suttung*, e os amigos dos Æsir! Ouça agora eu proíbo, como eu proíbo a alegria da humanidade para a donzela e a companhia dos homens para a donzela.”
35-“O Þurs* chamado Hrímgrímnir terá você em baixo de Nágrindr*. Onde o escravo dará para você, abaixo das raízes das árvores, mijo de cabra para beber. Você nunca mais tomará outra bebida. Isto é por seu próprio desejo, donzela, é por meu próprio desejo, donzela.”
36-“Eu esculpirei uma runa Þurs* para você e três bastões, ergi*, loucura e impaciência. Eu posso tirar fora os riscos* da mesma maneira que eu posso coloca-los se a necessidades surgir.”

Gerð disse:

37-“Bem vindo agora heróico rapaz e tome esse copo fresco cheio de venerável hidromel, embora eu nunca pensei que eu deveria sempre
amar o filho do Van.”

Skírnir disse:

38-“Eu quero saber se fiz toda minha incumbência antes que Eu cavalgue de volta daqui. Quando você conhecerá num encontro
o forte filho de Njörðr?”

Gerð disse:

39-“Nós dois sabemos que há um quieto bosque chamado Barri. Depois de nove noites, então Gerð dará seu amor
para o filho de Njörðr.”
Então Skírnir cavalgou de volta ao lar. Freyr estava do lado de fora e falou com ele perguntando por novidades.
40-“Me diga Skírnir, antes de você desarreie o cavalo, e antes que você de um passo, o que você ganhou em Jötunheimr que foi de meu prazer ou teu?”

Skírnir disse:

41-“Nós dois sabemos que há um quieto bosque chamado Barri. Depois de nove noites Gerð dará seu amor para o filho de Njörðr.”

Freyr disse:

42-“Uma noite é longa. Duas mais ainda. Como Eu deverei suportar três? Freqüentemente um mês parecia menos para mim que esperar a metade desse tempo, a noite de núpcias.”

As Notas:
01/2* Skaði chama Freyr de seu filho, embora outras fontes dizem que a mãe de Freyr é a irmã de Njörðr (que nunca foi nomeada, embora, talvez, seja Jörð).
04/3* Álfröðull é a Sól.
07/3* Æsir e Álfar são respectivamente os deuses e os elfos.
08/2* Parece ser um círculo mágico de fogo ao redor do lar de Gymir.
08/4* Jötnar são os gigantes.
10/2* Montanhas são abundantes em Jötunheimr.
10/3* Þursar são os gigantes.
*Hirðir significa Pastor.
*Ambátt significa donzela servente.
16/4* Seria Beli esse irmão? Beli foi morto por Freyr.
19/1* As maçãs são símbolos da fertilidade e imortalidade.
21/2* O anel é Draupnir e o filho de Óðinn em questão é Baldr.
26/1* Cajado mágico talvez seja aqueles bastões rúnicos ou outro talismã mágico.
27/1* Parece ser a montanha onde Hræsvelgr se senta na forma de águia.
27/4* Jörmungandr?
28/2* Hrímnir é um gigante.
28/4* Estrofe de difícil interpretação.
30/5* Hrímþursa significa gigante de gelo.
31/1* Þurs significa gigante.
31/5* Cardo é uma planta de folhas espinhosas.
32/2* Gambantein significa talismã mágico.
33/1* Ásabragr é outro nome de Þórr, segundo Snorri.
34/1* Jötnar e Hrímþursar são os gigantes.
34/2* Suttung é um gigante de quem Óðinn roubou o hidromel dos poetas.
35/1* Þurs significa gigante.
35/2* Nágrindr significa portões da morte.
36/1* Þurs é a terceira runa do futhark (alfabeto) viking. Essa runa é dita no poema rúnico norueguês ser a “a tortura das mulheres”.
36/2* Ergi significa homem afeminado, talvez Skírnir a usasse para fazer com que Gerð não arrumasse marido se ela não aceitasse Freyr.
36/3* Os ‘riscos’ possivelmente são runas.

Essa tradução foi feita por Marcio A. Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na
tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.

Quais são as vertentes do Paganismo Nórdico?

Ao elaborar este texto com base em anos de pesquisas procurei elucidar algumas das mais corriqueiras dúvidas a respeito das diferentes formas de culto e práticas com os Deuses do panteão escandinavo; segundo meu ponto de vista.

Heathen:

Literalmente é uma palavra que significa não cristão, em português pagão e sua origem vem antigo inglês e old norse.

Por ser um termo de originário da língua inglesa, escandinava e germânica, é o preferido pelos pagãos que seguem vertentes dessas culturas ou tem sua língua nativa com base nelas.
Por esse termo abranger as religiões de cunho pagão nórdico é o favorito entre seus seguidores para se descreverem.

Existem grupos de reconstrucionistas que usam o termo e baseiam a sua religião nos escritos medievais sobre os deuses e mitos dos nórdicos, germânicos e povos anglo-saxões.

Praticam a tolerância à diversidade e afirmam que no Paganismo Nórdico, todos os deuses são dignos de adoração.

O termo foi popularizado na última década por Nigel Pennick , que o usa para descrever as religiões européias.

Referem-se a ele como um conjunto de religiões populares naturais e pagãs dos povos do norte da Europa, principalmente as tribos de língua germânica e seus descendentes , como os anglo-saxões , os noruegueses , dinamarqueses , suecos , finlandeses, islandeses, escandinavos , alemãs e frísios.

Acredito que os grupos Heathen usam esse termo justamente para mostrar que abarcam toda cultura e mitologia existente sobre os Deuses do Norte da Europa.

Logo o termo Heathen (pagão) engloba as religiões que serão listadas abaixo (Odinismo e Asatrú).

Odinismo:

É uma a mais antiga das formas de neo paganismo europeu.

Odinismo é uma das vertentes reconstrucionistas do paganismo escandinavo pré cristão, que visa o culto aos as divindades escandinavas (tendo o culto a Odin em principal foco) e a ancestralidade pessoal.

A origem dessa vertente remonta a religião dosVikings de origem escandinava (Noruega, Suécia, Dinamarca, Islândia).

Sua influência chegou a outras partes da Europa, incluindo a Escócia, Irlanda e Inglaterra.

Levando em consideração que os povos escandinavos como outras sociedades tribais tinham uma tradição oral, a principal fonte de informações validade teologicamente por esse reconstrucionismo vem das Eddas (compilação criada em prosa por Snorri Sturluson). Onde são relatas as sagas, histórias e mitos desde a cosmogenesis nórdica a criação humana, feitos de heróis e deuses. As eddas não são a única fonte para esse amplo universo.

Os seguidores desta religião cultuam através de rituais sazonais (relacionados a dualidade de inverno/ verão) as divindades do panteão nórdico (Aesir e Vanir), os ancestrais de suas linhagens, os espíritos da terra onde vivem e os grandes heróis das sagas nórdicas.

A pioneira no Odinismo foi Else Christensen (1913 / 2005) também chamada de Folk Mother e fundou a verdadeira Irmandade Odinistaem 69 que evoluiu até a organização hoje chamada de AFA.

Asatrú:

É também uma das vertentes reconstrucionistas do paganismo escandinavo pré-cristão, que visa o culto as divindades escandinavas e a ancestralidade pessoal.

É fundamentado nas Nove Virtudes, como o Odinismo, se foca no culto aos Deuses Aesir e aos aliados da família. Porém também respeitam e o cultam aos Deuses Vanir como Freyr, Freya e Njord e, alguns cultuam gigantes como Loki, Skadi,Jord, Aegir como no Odinismo.

Este nome foi criado em meados do século XIX por acadêmicos escandinavos como uma forma erudita de se referir à religião pagã. A palavra em nórdico antigo pode ser traduzida como fé nos Aesir.

Sveinbjörn Beinteinsson(1924/ 1993) fundou o primeiro grupo Asatrú em 1960, o Íslenska Ásatrúarfélagið.

No início de 1970 o governo islandês reconheceu o Asatrú legalmente como uma fé garantindo seus direitos sociais. Na Dinamarca e Noruega em 2003.

Odinismo e Asatrú quase não diferem em crenças e práticas. No meu ponto de vista esse desdobramento ocorreu por conta de idéias raciais.As divisões que acabaram sendo necessárias, pela própria natureza das pessoas envolvidas com o Paganismo Germânico, inclusive para distinguir extremistas de não extremistas.

Existe o termo Asatru-Vanatru que surgiu da necessidade de englobar na nomenclatura da religião tanto os Aesir quanto os Vanir, mas na pratica ambos já eram cultuados.

Vanatru:

Encontrei em minhas pesquisas alguns grupos e solitários que se denominam Vanatru e tem seu culto voltado somente aos Vanir. Pessoalmente acho difícil cultuar só uma das famílias, visto que existem Deuses que são filhos de Aesir com Vanir, Jötunn com Aesir e vice versa.

Obs.:Aesir e Vanir são famílias que de acordo com Snorri Sturluson conviviam pacificamente até que entraram em guerra e após esta guerra voltaram a conviver pacificamente.

Rokkatru:

Abby Helasdottir da Nova Zelândia criou o termo Rökkatru, para aqueles cujo foco principal são os gigantes da mitologia nórdica que em sua maioria são inimigos aos Aesir e Vanir e representam as forças caóticas da natureza e do ser humano.

Aqueles que se identificam como Rökkatru não se dizem obscuros ou maus, não se dizem racistas e nem acreditam que o culto aos Jötunn (gigantes) seja errado.

Existem teorias de que os Jötunn eram os Deuses do Norte antes dos Aesir e Vanir, e que assim os três panteões de Deuses devem ser igualmente respeitados. O que não foi provado historicamente.
Os seguidores do Asatrú e Odinismo abominam o culto aos gigantes inimigos de seus deuses. Dão sua devida importância a alguns deles que não são inimigos, mas, não reconhecem este culto somente aos gigantes como válido.

Alguns dos gigantes que são reconhecidos pelos Odinistas e Asatruares são: Jord a terra, Aegir o mar, Hell Deusa dos mortos e outras divindades que apesar de serem consideradas Aesir são filhos de gigantes com Aesir, como Thor e Odin.

Observações:

Alguns Deuses do Panteão Rokkatru: Hela, Loki, Angrboda, Sigyn, Fenris, Jormundgand, Narviand Vali, Surt

Alguns Deuses do Panteão Odinista, Asatru e Vanatru ou Heathen : Odin, Freyja, Frey, Frigga, Thor, Balder, Hel, Nerthus, Njord

Não existe embasamento histórico, até o momento sobre Rokkatru e Vanatru.

Tive muita, mas muita ajuda mesmo de um amigo que não quer ser citado…..pena….mas respeito sua vontade.

Termino o texto com uma observação sobre os grupos brasileiros de Odinismo e Asatrú.

Em sua maioria são tribalistas que aceitam membros independente de etnia, gênero, cor ou nível social desde que se ganhe, conquiste a confiança dos demais membros do clã (Kindred) ao qual está pleiteando adentrar.

Após entrar, firmará sua ligação fraternal com os mesmos e os Deuses por meio de juramentos de mútua confiança, sob a presença do Gohdi (sacerdote) do Clã.

Bençãos de Donnar, Tyr e Sunna

Autor: Helena Pereira

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Skáldskaparmál 42-43 (Edda em Prosa)

Skáldskaparmál (Linguagem da Poesia) é a terceira parte da Edda em Prosa de Snorri Sturlusson e consiste de um diálogo entre o jötunn (gigante) Ægir e Bragi, o Deus poeta. Bragi ensina os significados dos kenningar (teorias) sobre várias coisas usadas na mitologia e na arte poética dos escaldos para Ægir.

Skáldskaparmál 42-43

40-Conhecimento Para Ouro.

Como o ouro seria referido? Assim, por chamar isso de fogo de Ægir e agulhas de Glasir, cabelos de Sif, fita de Fulla, lágrimas de Freyja, fala e voz e palavra dos Jötnar, gotas de Draupnir e chuva ou chuvisco de Draupnir e olhos de Freyja, pagamento de Otr, pagamento forçado dos Æsir, semente de Fýrisvellir, monumento funerário de Hölgi, fogo de todas as águas e mãos, pedra e rocha ou brilho das mãos.

41-Os Æsir Recebem Uma Festa De Ægir.

Por quê o ouro é chamado de fogo de Ægir? A saga relata isso, que antes tinha sido narrada, que Ægir foi para uma festa em Ásgarðr, mas quando ele estava para retornar ao lar, então ele convidou Óðinn e todos os Æsir para visitar-lo no tempo de três meses. Para essa jornada foram primeiro Óðinn e Njörðr, Freyr, Týr, Bragi, Viðarr, Loki, e também as Ásynjur Frigg, Freyja, Gefjun, Skaði, Iðunn, Sif. Þórr não estava ali. Ele estava percorrendo o caminho leste matando Trolls. Quando os deuses se sentaram em seus assentos, então Ægir deixou trazerem ouro brilhante para o pavimento do salão, isso era exibido e iluminava o salão igual fogo, e isso ali era a luz perante eles no banquete, que no Valhöll eram espadas em vez de fogo. Então Loki discutiu ali com todos os deuses e matou o servente de Ægir, aquele que é chamado Fimafengr. O outro servente dele era chamado Eldir. Rán era o nome da esposa dele, e suas filhas eram nove, assim como antes foi escrito. Nessa festa tudo se fazia sozinho, ambos alimento e cerveja e todos serviços, que eram necessários para a festa. Então os Æsir se tornaram cientes disso, que Rán possuía uma rede, que ela apanhava todos os homens, quando viessem ao mar. Agora há essa saga, de onde isso vem, que o ouro é chamado de fogo ou luz ou brilho de Ægir, Rán ou das filhas de Ægir. E dessas descrições que agora estão estabelecidas, o ouro é chamado de fogo do mar e todos os nomes, assim como Ægir e Rán tinham nomes associados com o mar e por isso o ouro é agora chamado de fogo das águas ou dos rios e de todos os nomes de rios. Mas esses nomes possuem passagens com outras referências, que os jovens escaldos tinham composto depois exemplos de velhos escaldos, ainda que estão em seus poemas, eles aumentaram, mas isso porém se parece com isso, que antes foi escrito, assim como os lagos são os mares, os rios são os lagos, os riachos são os rios. Por isso tudo que são chamados de figura de linguagem, quando os nomes se encontram maiores que antes, e tudo se parecem tão bem com isso, e com forma natural. Assim disse o escaldo Bragi:

102. Fogo eu recebi do rei, do mar com bebida; isso me deu o Fjölnir da montanha, para mim a abundancia do rei.

42-Do Bosque Glasir.

Por que o ouro é chamado de agulhas ou folhas de Glasir? Em Ásgarðr perante as portas do Valhöll fica um bosque, que é chamado de Glasir, e suas folhas são todas de ouro vermelho, assim que é cantado aqui:

103. Glasir fica, com folhas de ouro, perante o salão de Sigtýr. Esse é o mais belo bosque entre os Deuses e homens.

43-Dos ferreiros filhos de Ívaldi e o Dvergr Sindr.

Por que o ouro é chamado de Cabelo de Sif? Loki Laufeyjarson, fez isso por astúcia, cortou todo o cabelo de Sif. Mas quando Þórr soube disso, ele agarrou Loki, e teria quebrado todos os ossos dele, logo ele jurou isso, que ele conseguiria dos Svartálfar, que eles fariam cabelos de ouro para Sif, e que deveria crescer como outro cabelo. Depois disso, Loki viajou até os Dvergar, chamados de filhos de Ívaldi, e eles fizeram o cabelo e Skíðblaðnir e a lança, que Óðinn possuí, que é chamada Gungnir. Então Loki apostou sua cabeça com o dvergr, chamado Brokkr, que o irmão dele, Sindri, não seria capaz de fazer três outros tesouros igualmente tão bons como aqueles eram. Mas quando eles vieram para a forja, então Sindri colocou uma pele de suíno na forja e pediu para Brokkr soprar-la e não parasse antes que ele a tira-se da forja, o que ele tinha colocado ali. Em seguida ele saiu da forja, enquanto o outro soprava, então pousou uma mosca sobre sua mão e picou, mas ele soprava como antes, até que o ferreiro tirou da fornalha, e era um javali, e tinha as cerdas de ouro. Depois disso ele colocou ouro na forja e pediu para ele não parar de soprar até que ele voltasse. Ele saiu. Mas então veio a mosca e pousou sobre o pescoço dele e picou depois mais forte que antes, mas ele soprava, até que o ferreiro tirou da forja um anel de ouro, chamado Draupnir. Então ele colocou ferro na forja e ordenou a ele que soprasse e disse, que a forma seria inútil, se o sopro falha-se. Então pousou a mosca entre os olhos dele e picou sua pálpebra, mas o sangue correu para o olho, assim ele não pode ver, então ele passou a mão rapidamente, enquanto o sopro do fole diminuía, e espantou a mosca e então chegou ali o ferreiro e disse, que chegou perto de toda forma ser inútil, que estava na forja. Então ele pegou um martelo da forja. Então ele colocou todos os tesouros na mão de seu irmão Brokkr e pediu para ele viajar para Ásgarðr e reclamar a aposta. Mas quando ele e Loki trouxeram adiante as riquezas, então os Æsir se sentaram em seus assentos de julgamento e a sentença disso seria determinada por Óðinn, Þórr e Freyr. Então Loki deu a lança Gungnir para Óðinn, o cabelo a Þórr, o qual Sif usaria, a Freyr Skíðblaðnir e disse todo o conhecimento dos tesouros, a lança nunca seria parada quando arremessada, os cabelos ficariam crescendo na carne, logo que eles viessem a cabeça de Sif, o Skíðblaðnir teria ventos favoráveis, logo que a vela fosse levantada, para onde fosse a direção, mas poderia ser dobrado como um guardanapo e ser carregado numa pequena bolsa, se desejar. Então Brokkr trouxe adiante seus tesouros. Ele deu a Óðinn o anel e disse, que a cada nove noites cairiam dele oito anéis de peso igual a ele. A Freyr ele deu o javali e disse, que ele podia correr através do ar e água,de noite e de dia, mais rápido que qualquer outro cavalo, e nunca haveria noite tão escura ou em Myrkheimr (Mundo da Escuridão), que não houvesse luz suficiente, onde ele fosse; tal era o brilho de suas cerdas. Então ele deu o martelo á Þórr e disse, que ele poderia golpear com quanta força que ele deseja-se, tudo que estivesse na frente dele, e o martelo não quebraria, e se ele o atira-se, então ele nunca se perderia e nunca voaria tão longe, que não pudesse retornar a mão dele, e se ele deseja-se, então ele ficaria tão pequeno, que poderia ser usado na camisa dele. Mas isso tinha uma falha, o cabo era bastante curto. Essa foi a decisão deles, que o martelo era o melhor de todos os tesouros e a melhor defesa contra os hrímþursar, e na decisão deles, o dvergr tinha ganho a aposta. Então Loki ofereceu um resgate por sua cabeça,mas o dvergr disse, que não havia esperança para isso. “Me pegue então”, disse Loki, mas quando ele desejou pega-lo, então ele estava muito longe. Dessa vez Loki tinha os sapatos, que podia correr sobre o ar e água. Então o dvergr pediu a Þórr, para pega-lo para ele, e ele assim o fez. Então o dvergr desejou cortar a cabeça dele, mas Loki disse, que ele tinha sua cabeça, mas não seu pescoço. Então o dvergr tomou uma correia e faca e desejou fazer um buraco no lábio de Loki e desejou amarrar junto a sua boca, mas a faca não furava. Então ele disse, que era melhor que seu irmão furador estivesse ali, e imediatamente ele foi chamado, então ali o furador estava, e furou os lábios dele. Ele amarrou os lábios juntos, e costurou as extremidades de Loki. Essa correia, que na boca de Loki estava amarrada, se chamava Vartari.

Essa tradução foi feita por Marcio Alessandro Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.® 2009 E-mail:asatruar42@hotmail.com

Skáldskaparmál 27-30 (Edda em Prosa)

Skáldskaparmál (Linguagem da Poesia) é a terceira parte da Edda em Prosa de Snorri Sturlusson e consiste de um diálogo entre o jötunn (gigante) Ægir e Bragi, o Deus poeta. Bragi ensina os significados dos kenningar (teorias) sobre várias coisas usadas na mitologia e na arte poética dos escaldos para Ægir.

Skáldskaparmál 27-30

27-Referências para Frigg.

Quais são as referências para Frigg? Assim, por chamar-la de filha de Fjörgynn, esposa de Óðinn, mãe de Baldr, rival de Jörð e Rindr e Gunnlöð e Gerðr*, sogra de Nanna, rainha dos Æsir e Ásynjur, de Fulla e das penas de falcão e de Fensalir.

28-Referências para Freyja.

Quais são as referências para Freyja? Assim, por chamar-la de filha de Njörðr, irmã de Freyr, esposa de Óðr, mãe de Hnoss, dona dos mortos e de Sessrúmnir e dos gatos, de Brisíngamen, Deusa dos Vanir, Vanadís, a bela Deusa que  chora, Deusa do amor. Todas as Ásynjur podem ser referidas assim: por chamar-las por outro nome e se referir a elas pelas suas posses ou façanhas ou família.

29-Referências para Sif.

Quais são as referências para Sif? Assim, por chamar-la esposa de Þórr, mãe de Ullr, Deusa dos lindos cabelos, rival de  Járnsaxa, mãe de Þrúðr.

30-Referências para Iðunn.

Quais são as referências para Iðunn? Assim, por chamar-la esposa de Bragi e guardiã das maçãs, e as maçãs de elixir da vida dos Æsir. Ela foi espólio do Jötunn Þjazi, assim como foi dito antes, quando ele a levou dos Æsir. Depois dessa  saga, Þjóðólfr de Hvín escreveu versos no Haustlöng*. Essa é a maneira correta de se referir aos Æsir: por chamar-los pelo nome de outro e se referir a ele por suas façanhas ou posses ou família.

* Observação: O manuscrito original tem o nome Gerðr, porém é possível que seja um erro de Snorri e o nome real seria Gríðr, porque ela foi amante de Óðinn e mãe de Víðarr. Não existe relato algum onde Gerðr seja amante de Óðinn.

* O poema Haustlöng embora ele seja citado não aparece no manuscrito Codex Upsaliensis/Uppsalabók (a Edda de Uppsala, datado de cerca de 1300 d.c.), do qual essa tradução foi feita.

Essa tradução foi feita por Marcio Alessandro Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.® 2010 E-mail:asatruar42@hotmail.com

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