"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses." (Sócrates)

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Skírnismál (Edda Poética)

Skírnismál (Os Dizeres de Skírnir) é um dos poemas da Edda Poética. O poema foi preservado no século 13, nos manuscritos Codex Regius e AM 748 I 4to mas pode ter sido originalmente composto em tempos pagãos. Acredita-se que o poema era encenado, talvez em um tipo de hiéros gamos (casamento sagrado).

Skírnismál

Freyr, o filho de Njörðr, tinha se sentado no Hliðskjálf, e visto todos os mundos. Ele olhou em Jötunheimr, e lá ele viu uma linda donzela saindo do salão de seu pai e indo para jardim dela. Desde então ele caiu em uma profunda depressão. O servente de Freyr era chamado
Skírnir. Njörðr mandou ele para falar com Freyr.

Skaði disse:

01-“Levante-se agora Skírnir e vá pedir a meu filho* que fale. Pergunte ao sábio com quem ele está bravo.”

Skírnir disse:

02-“Palavras ruins eu terei de seu filho se eu ir falar com o rapaz e perguntar ao sábio com quem ele está bravo.”
03-“Me diga Freyr, líder de guerra dos deuses, o que eu desejo saber.
Por que você se senta sozinho, triste no salão, o dia todo meu senhor?”

Freyr disse:

04-“Como eu direi a você, oh jovem herói, a minha preocupação? É porque a Álfröðull* brilha todo dia e não sobre meu coração.”

Skírnir disse:

05-“Eu não acho que seu amor é tão grande que você não possa me dizer, herói, quando nós éramos jovens em dias de outrora nós podíamos confiar um no outro tão bem.”

Frey disse:

06-“No salão de Gymir eu vi a amada donzela andar perante mim e de lá os braços dela brilhavam o céu e o mar.
07-“A donzela é mais amada por mim do que tem sido por qualquer outro homem em dias de outrora. Nem os Æsir ou Álfar* ou qualquer homem deseja que nós fiquemos juntos.”

Skírnir disse:

08-“Me de o cavalo então, que eu possa usar através da escuridão e o famoso fogo chamejante* e me de a espada que balança sozinha
contra a tribo dos Jötnar*.”

Freyr disse:

09-“Eu darei a você o cavalo para usar acima da escuridão e do famoso fogo chamejante, e a espada que balança sozinha se for sábio para empunha-la.”

Skírnir falou para seu cavalo:
10-“É escuro lá fora. Agora eu digo, deixe nos viajar adiante acima das demoradas montanhas* sobre a tribo dos Þursar*. Ambos de nós voltaremos ou o grande jötunn levará nós dois.”

Skírnir cavalgou para Jötunheimr até que ele chegou na corte de Gymir onde lá estava os selvagens cães amarrados em postes de madeira do portão que ficava antes do salão de Gerð. Ele cavalgou adiante até o pastor sentado sobre um monte e falou para ele:

11-“Me diga pastor, você que senta sobre o monte da colina, que guarda todos os caminhos, como nós podemos chegar a falar com a jovem donzela longe dos cães cinzentos de Gymir.”

Hirðir* disse:

12-“Você está atado a morte ou é morto? Você nunca conversará com a boa filha de Gymir.”

Skírnir disse:

13-É melhor ser corajoso que lamentar por aquele que deseja viajar. Um dia minha vida foi gerada e uma vida longa foi oferecida a mim.”

Gerð disse:

14-“Que barulho é esse que ouço agora em nosso salão? A terra treme e tudo na terra de Gymir treme.”

Ambátt* disse:

15-“Há um homem lá fora que desceu das costas de seu cavalo. E deixou seu cavalo no pasto.”

Gerð disse:

16-“O convide para entrar em nosso salão e beber o hidromel da donzela! Embora eu temo que do lado de fora possa ser o matador de meu irmão*.”

17-“Você é um dos Álfar ou um filho dos Æsir ou um sábio Vanir? Por que você veio sozinho sobre o fogo selvagem para ver nosso salões?”

Skírnir disse:

18-“Eu não sou um dos Álfar ou um filho dos Æsir nem um sábio Vanir, embora eu venho sozinho sobre o fogo selvagem para ver seus salões.”
19-“Eu tenho aqui onze maçãs de ouro* que eu darei a você, Gerð, para iniciar um acordo de modo que você dirá que Freyr é para você o homem mais amado que existe.”

Gerð disse:
20-“Eu nunca aceitarei suas onze maçãs de ouro por amor de qualquer homem, e não de Freyr. Enquanto nossas vidas durarem, nós não viveremos junto.”

Skírnir disse:

21-“Eu darei a você o anel que foi queimado com o jovem filho de Óðinn*. Oito anéis de peso igual caem dele a cada nove noites.”

Gerð disse:

22-“Eu não desejo o anel, embora ele foi queimado com o jovem filho de Óðinn. Eu não sinto falta de ouro no salão de Gymir pois a abundância de meu pai eu compartilho.”

Skírnir disse:

23-“Você vê essa espada afiada brilhante que eu tenho aqui em minha mão, donzela? Eu cortarei sua cabeça de seu pescoço a menos que você concorde comigo.”

Gerð disse:

24-“Ameaças nunca me forçaram a fazer o desejo de qualquer homem, embora eu acho que se Gymir encontrar você, ele lutará se te  encontrar aqui.”

Skírnir disse:

25-“Você vê essa espada afiada brilhante que eu tenho aqui em minha mão, donzela? Perante essa lâmina o velho jötunn cairá, seu pai será um homem morto.”
26-“Eu golpearei você com o cajado mágico* e eu dobrarei você, donzela, para fazer minha vontade. Você irá para onde os filhos dos homens
nunca mais verá você de novo.”
27-“Você se sentará para sempre no monte da águia*. Você se afastará de seu lar e irá para Hel. A comida será mais repugnante para você que a brilhante serpente* é para os homens.”
28-“Você se tornará um espetáculo quando sair. Hrimnir* olhará em você e cada espírito olhará em você. Você será mais conhecida
que o guardião dos deuses, você bocejará através do portão*.”
29-“Loucura e lamentação, grilhões e impaciência aumentarão em você. Você se sentará e eu te ordenarei grande sofrimento e dupla aflição.”
30-“Inimigos subjugaram você através de dias escuros e na corte dos Jötnar você rastejará sem escolha ou sem esperança de escolha,
no salão do Hrímþursa* todo dia. Você terá choro por diversão, e você conhecerá a aflição e lágrimas.”
31-“Você sempre habitará com o Þurs* de três cabeças ou ficará sem marido.
Sua mente será estúpida e sua aflição irá consumir você.
Possa você ser como o cardo* tirado do topo das colheitas.”
32-“Eu andei nos bosques, em florestas úmidas para conseguir um Gambantein* e eu consegui um Gambantein.”
33-“Óðinn está furioso com você, Ásabragr* está furioso com você, Freyr odiará você donzela maldosa, você contraiu a mágica fúria dos deuses.”
34-“Me ouça agora Jötnar! Me ouça agora Hrímþursar*! Filhos de Suttung*, e os amigos dos Æsir! Ouça agora eu proíbo, como eu proíbo a alegria da humanidade para a donzela e a companhia dos homens para a donzela.”
35-“O Þurs* chamado Hrímgrímnir terá você em baixo de Nágrindr*. Onde o escravo dará para você, abaixo das raízes das árvores, mijo de cabra para beber. Você nunca mais tomará outra bebida. Isto é por seu próprio desejo, donzela, é por meu próprio desejo, donzela.”
36-“Eu esculpirei uma runa Þurs* para você e três bastões, ergi*, loucura e impaciência. Eu posso tirar fora os riscos* da mesma maneira que eu posso coloca-los se a necessidades surgir.”

Gerð disse:

37-“Bem vindo agora heróico rapaz e tome esse copo fresco cheio de venerável hidromel, embora eu nunca pensei que eu deveria sempre
amar o filho do Van.”

Skírnir disse:

38-“Eu quero saber se fiz toda minha incumbência antes que Eu cavalgue de volta daqui. Quando você conhecerá num encontro
o forte filho de Njörðr?”

Gerð disse:

39-“Nós dois sabemos que há um quieto bosque chamado Barri. Depois de nove noites, então Gerð dará seu amor
para o filho de Njörðr.”
Então Skírnir cavalgou de volta ao lar. Freyr estava do lado de fora e falou com ele perguntando por novidades.
40-“Me diga Skírnir, antes de você desarreie o cavalo, e antes que você de um passo, o que você ganhou em Jötunheimr que foi de meu prazer ou teu?”

Skírnir disse:

41-“Nós dois sabemos que há um quieto bosque chamado Barri. Depois de nove noites Gerð dará seu amor para o filho de Njörðr.”

Freyr disse:

42-“Uma noite é longa. Duas mais ainda. Como Eu deverei suportar três? Freqüentemente um mês parecia menos para mim que esperar a metade desse tempo, a noite de núpcias.”

As Notas:
01/2* Skaði chama Freyr de seu filho, embora outras fontes dizem que a mãe de Freyr é a irmã de Njörðr (que nunca foi nomeada, embora, talvez, seja Jörð).
04/3* Álfröðull é a Sól.
07/3* Æsir e Álfar são respectivamente os deuses e os elfos.
08/2* Parece ser um círculo mágico de fogo ao redor do lar de Gymir.
08/4* Jötnar são os gigantes.
10/2* Montanhas são abundantes em Jötunheimr.
10/3* Þursar são os gigantes.
*Hirðir significa Pastor.
*Ambátt significa donzela servente.
16/4* Seria Beli esse irmão? Beli foi morto por Freyr.
19/1* As maçãs são símbolos da fertilidade e imortalidade.
21/2* O anel é Draupnir e o filho de Óðinn em questão é Baldr.
26/1* Cajado mágico talvez seja aqueles bastões rúnicos ou outro talismã mágico.
27/1* Parece ser a montanha onde Hræsvelgr se senta na forma de águia.
27/4* Jörmungandr?
28/2* Hrímnir é um gigante.
28/4* Estrofe de difícil interpretação.
30/5* Hrímþursa significa gigante de gelo.
31/1* Þurs significa gigante.
31/5* Cardo é uma planta de folhas espinhosas.
32/2* Gambantein significa talismã mágico.
33/1* Ásabragr é outro nome de Þórr, segundo Snorri.
34/1* Jötnar e Hrímþursar são os gigantes.
34/2* Suttung é um gigante de quem Óðinn roubou o hidromel dos poetas.
35/1* Þurs significa gigante.
35/2* Nágrindr significa portões da morte.
36/1* Þurs é a terceira runa do futhark (alfabeto) viking. Essa runa é dita no poema rúnico norueguês ser a “a tortura das mulheres”.
36/2* Ergi significa homem afeminado, talvez Skírnir a usasse para fazer com que Gerð não arrumasse marido se ela não aceitasse Freyr.
36/3* Os ‘riscos’ possivelmente são runas.

Essa tradução foi feita por Marcio A. Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na
tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.


Mitologia como você nunca viu!

Um vídeo bem humorado que conta as origens da mitologia nórdica. Vale a pena assistir.

Enjoy!


Skáldskaparmál 42-43 (Edda em Prosa)

Skáldskaparmál (Linguagem da Poesia) é a terceira parte da Edda em Prosa de Snorri Sturlusson e consiste de um diálogo entre o jötunn (gigante) Ægir e Bragi, o Deus poeta. Bragi ensina os significados dos kenningar (teorias) sobre várias coisas usadas na mitologia e na arte poética dos escaldos para Ægir.

Skáldskaparmál 42-43

40-Conhecimento Para Ouro.

Como o ouro seria referido? Assim, por chamar isso de fogo de Ægir e agulhas de Glasir, cabelos de Sif, fita de Fulla, lágrimas de Freyja, fala e voz e palavra dos Jötnar, gotas de Draupnir e chuva ou chuvisco de Draupnir e olhos de Freyja, pagamento de Otr, pagamento forçado dos Æsir, semente de Fýrisvellir, monumento funerário de Hölgi, fogo de todas as águas e mãos, pedra e rocha ou brilho das mãos.

41-Os Æsir Recebem Uma Festa De Ægir.

Por quê o ouro é chamado de fogo de Ægir? A saga relata isso, que antes tinha sido narrada, que Ægir foi para uma festa em Ásgarðr, mas quando ele estava para retornar ao lar, então ele convidou Óðinn e todos os Æsir para visitar-lo no tempo de três meses. Para essa jornada foram primeiro Óðinn e Njörðr, Freyr, Týr, Bragi, Viðarr, Loki, e também as Ásynjur Frigg, Freyja, Gefjun, Skaði, Iðunn, Sif. Þórr não estava ali. Ele estava percorrendo o caminho leste matando Trolls. Quando os deuses se sentaram em seus assentos, então Ægir deixou trazerem ouro brilhante para o pavimento do salão, isso era exibido e iluminava o salão igual fogo, e isso ali era a luz perante eles no banquete, que no Valhöll eram espadas em vez de fogo. Então Loki discutiu ali com todos os deuses e matou o servente de Ægir, aquele que é chamado Fimafengr. O outro servente dele era chamado Eldir. Rán era o nome da esposa dele, e suas filhas eram nove, assim como antes foi escrito. Nessa festa tudo se fazia sozinho, ambos alimento e cerveja e todos serviços, que eram necessários para a festa. Então os Æsir se tornaram cientes disso, que Rán possuía uma rede, que ela apanhava todos os homens, quando viessem ao mar. Agora há essa saga, de onde isso vem, que o ouro é chamado de fogo ou luz ou brilho de Ægir, Rán ou das filhas de Ægir. E dessas descrições que agora estão estabelecidas, o ouro é chamado de fogo do mar e todos os nomes, assim como Ægir e Rán tinham nomes associados com o mar e por isso o ouro é agora chamado de fogo das águas ou dos rios e de todos os nomes de rios. Mas esses nomes possuem passagens com outras referências, que os jovens escaldos tinham composto depois exemplos de velhos escaldos, ainda que estão em seus poemas, eles aumentaram, mas isso porém se parece com isso, que antes foi escrito, assim como os lagos são os mares, os rios são os lagos, os riachos são os rios. Por isso tudo que são chamados de figura de linguagem, quando os nomes se encontram maiores que antes, e tudo se parecem tão bem com isso, e com forma natural. Assim disse o escaldo Bragi:

102. Fogo eu recebi do rei, do mar com bebida; isso me deu o Fjölnir da montanha, para mim a abundancia do rei.

42-Do Bosque Glasir.

Por que o ouro é chamado de agulhas ou folhas de Glasir? Em Ásgarðr perante as portas do Valhöll fica um bosque, que é chamado de Glasir, e suas folhas são todas de ouro vermelho, assim que é cantado aqui:

103. Glasir fica, com folhas de ouro, perante o salão de Sigtýr. Esse é o mais belo bosque entre os Deuses e homens.

43-Dos ferreiros filhos de Ívaldi e o Dvergr Sindr.

Por que o ouro é chamado de Cabelo de Sif? Loki Laufeyjarson, fez isso por astúcia, cortou todo o cabelo de Sif. Mas quando Þórr soube disso, ele agarrou Loki, e teria quebrado todos os ossos dele, logo ele jurou isso, que ele conseguiria dos Svartálfar, que eles fariam cabelos de ouro para Sif, e que deveria crescer como outro cabelo. Depois disso, Loki viajou até os Dvergar, chamados de filhos de Ívaldi, e eles fizeram o cabelo e Skíðblaðnir e a lança, que Óðinn possuí, que é chamada Gungnir. Então Loki apostou sua cabeça com o dvergr, chamado Brokkr, que o irmão dele, Sindri, não seria capaz de fazer três outros tesouros igualmente tão bons como aqueles eram. Mas quando eles vieram para a forja, então Sindri colocou uma pele de suíno na forja e pediu para Brokkr soprar-la e não parasse antes que ele a tira-se da forja, o que ele tinha colocado ali. Em seguida ele saiu da forja, enquanto o outro soprava, então pousou uma mosca sobre sua mão e picou, mas ele soprava como antes, até que o ferreiro tirou da fornalha, e era um javali, e tinha as cerdas de ouro. Depois disso ele colocou ouro na forja e pediu para ele não parar de soprar até que ele voltasse. Ele saiu. Mas então veio a mosca e pousou sobre o pescoço dele e picou depois mais forte que antes, mas ele soprava, até que o ferreiro tirou da forja um anel de ouro, chamado Draupnir. Então ele colocou ferro na forja e ordenou a ele que soprasse e disse, que a forma seria inútil, se o sopro falha-se. Então pousou a mosca entre os olhos dele e picou sua pálpebra, mas o sangue correu para o olho, assim ele não pode ver, então ele passou a mão rapidamente, enquanto o sopro do fole diminuía, e espantou a mosca e então chegou ali o ferreiro e disse, que chegou perto de toda forma ser inútil, que estava na forja. Então ele pegou um martelo da forja. Então ele colocou todos os tesouros na mão de seu irmão Brokkr e pediu para ele viajar para Ásgarðr e reclamar a aposta. Mas quando ele e Loki trouxeram adiante as riquezas, então os Æsir se sentaram em seus assentos de julgamento e a sentença disso seria determinada por Óðinn, Þórr e Freyr. Então Loki deu a lança Gungnir para Óðinn, o cabelo a Þórr, o qual Sif usaria, a Freyr Skíðblaðnir e disse todo o conhecimento dos tesouros, a lança nunca seria parada quando arremessada, os cabelos ficariam crescendo na carne, logo que eles viessem a cabeça de Sif, o Skíðblaðnir teria ventos favoráveis, logo que a vela fosse levantada, para onde fosse a direção, mas poderia ser dobrado como um guardanapo e ser carregado numa pequena bolsa, se desejar. Então Brokkr trouxe adiante seus tesouros. Ele deu a Óðinn o anel e disse, que a cada nove noites cairiam dele oito anéis de peso igual a ele. A Freyr ele deu o javali e disse, que ele podia correr através do ar e água,de noite e de dia, mais rápido que qualquer outro cavalo, e nunca haveria noite tão escura ou em Myrkheimr (Mundo da Escuridão), que não houvesse luz suficiente, onde ele fosse; tal era o brilho de suas cerdas. Então ele deu o martelo á Þórr e disse, que ele poderia golpear com quanta força que ele deseja-se, tudo que estivesse na frente dele, e o martelo não quebraria, e se ele o atira-se, então ele nunca se perderia e nunca voaria tão longe, que não pudesse retornar a mão dele, e se ele deseja-se, então ele ficaria tão pequeno, que poderia ser usado na camisa dele. Mas isso tinha uma falha, o cabo era bastante curto. Essa foi a decisão deles, que o martelo era o melhor de todos os tesouros e a melhor defesa contra os hrímþursar, e na decisão deles, o dvergr tinha ganho a aposta. Então Loki ofereceu um resgate por sua cabeça,mas o dvergr disse, que não havia esperança para isso. “Me pegue então”, disse Loki, mas quando ele desejou pega-lo, então ele estava muito longe. Dessa vez Loki tinha os sapatos, que podia correr sobre o ar e água. Então o dvergr pediu a Þórr, para pega-lo para ele, e ele assim o fez. Então o dvergr desejou cortar a cabeça dele, mas Loki disse, que ele tinha sua cabeça, mas não seu pescoço. Então o dvergr tomou uma correia e faca e desejou fazer um buraco no lábio de Loki e desejou amarrar junto a sua boca, mas a faca não furava. Então ele disse, que era melhor que seu irmão furador estivesse ali, e imediatamente ele foi chamado, então ali o furador estava, e furou os lábios dele. Ele amarrou os lábios juntos, e costurou as extremidades de Loki. Essa correia, que na boca de Loki estava amarrada, se chamava Vartari.

Essa tradução foi feita por Marcio Alessandro Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.® 2009 E-mail:asatruar42@hotmail.com


Skáldskaparmál 27-30 (Edda em Prosa)

Skáldskaparmál (Linguagem da Poesia) é a terceira parte da Edda em Prosa de Snorri Sturlusson e consiste de um diálogo entre o jötunn (gigante) Ægir e Bragi, o Deus poeta. Bragi ensina os significados dos kenningar (teorias) sobre várias coisas usadas na mitologia e na arte poética dos escaldos para Ægir.

Skáldskaparmál 27-30

27-Referências para Frigg.

Quais são as referências para Frigg? Assim, por chamar-la de filha de Fjörgynn, esposa de Óðinn, mãe de Baldr, rival de Jörð e Rindr e Gunnlöð e Gerðr*, sogra de Nanna, rainha dos Æsir e Ásynjur, de Fulla e das penas de falcão e de Fensalir.

28-Referências para Freyja.

Quais são as referências para Freyja? Assim, por chamar-la de filha de Njörðr, irmã de Freyr, esposa de Óðr, mãe de Hnoss, dona dos mortos e de Sessrúmnir e dos gatos, de Brisíngamen, Deusa dos Vanir, Vanadís, a bela Deusa que  chora, Deusa do amor. Todas as Ásynjur podem ser referidas assim: por chamar-las por outro nome e se referir a elas pelas suas posses ou façanhas ou família.

29-Referências para Sif.

Quais são as referências para Sif? Assim, por chamar-la esposa de Þórr, mãe de Ullr, Deusa dos lindos cabelos, rival de  Járnsaxa, mãe de Þrúðr.

30-Referências para Iðunn.

Quais são as referências para Iðunn? Assim, por chamar-la esposa de Bragi e guardiã das maçãs, e as maçãs de elixir da vida dos Æsir. Ela foi espólio do Jötunn Þjazi, assim como foi dito antes, quando ele a levou dos Æsir. Depois dessa  saga, Þjóðólfr de Hvín escreveu versos no Haustlöng*. Essa é a maneira correta de se referir aos Æsir: por chamar-los pelo nome de outro e se referir a ele por suas façanhas ou posses ou família.

* Observação: O manuscrito original tem o nome Gerðr, porém é possível que seja um erro de Snorri e o nome real seria Gríðr, porque ela foi amante de Óðinn e mãe de Víðarr. Não existe relato algum onde Gerðr seja amante de Óðinn.

* O poema Haustlöng embora ele seja citado não aparece no manuscrito Codex Upsaliensis/Uppsalabók (a Edda de Uppsala, datado de cerca de 1300 d.c.), do qual essa tradução foi feita.

Essa tradução foi feita por Marcio Alessandro Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.® 2010 E-mail:asatruar42@hotmail.com


Do fogo, movimento e caos – Loki e Gigantes de Fogo

Postado originalmente em Cosmogonia Nórdica:

Bem-vindos são os que se sentam.

O Gigante de Fogo Loki

O Gigante de Fogo Loki

De todas as divindades da dimensão dos nove mundos, Loki é de longe o mais interessante para estudar e se trabalhar. Digo isso porque Ele foi o primeiro com quem tive contato (foi até cômico, típico dele) e com quem trabalhei minha mediunidade e meu conhecimento sobre a cosmogonia dos Nove Mundos.

Decidi escrever sobre ele primeiro para estabelecer um parâmetro: Eu não sou mais do Asatru. Sou pagão da linha do Norte e trabalho com todas as três famílias divinas: os Aesir, os Vanir e os Rökkr (como disse no último post, denominação criada por Abby Helasdottir para os Deuses Gigantes). Não vejo os Gigantes como inimigos, mas como outras peças de um truncado esquema político, assim como os Aesir os são. Um belo dia, eu escreverei sobre isso.

Dado esse breve antecedente, vamos focar nesse querido Gigante…

Ver original 1.715 mais palavras


Skáldskaparmál 26 (Edda em Prosa)

Skáldskaparmál (Linguagem da Poesia) é a terceira parte da Edda em Prosa de Snorri Sturlusson e consiste de um diálogo entre o jötunn (gigante) Ægir e Bragi, o Deus poeta. Bragi ensina os significados dos kenningar (teorias) sobre várias coisas usadas na mitologia e na arte poética dos escaldos para Ægir.

Skáldskaparmál 26

26-A viagem de Þórr para a corte de Geirröðr.
Então Bragi respondeu: “Isso é muito digno de ser narrado, quando Þórr viajou para à corte de Geirröðr. Dessa vez ele não tinha o martelo Mjöllnir e Megingjarðar e Járngreipr, e por causa de Loki. Ele viajou com ele, porque tinha acontecido que Loki, tinha ido voar, certa vez, por diversão, com as penas de falcão de Frigg, ele voou adiante por causa da sua curiosidade, para a corte de Geirröðr e ali viu um grande salão, se sentou e olhou através da janela. Geirröðr olhou na direção dele e ordenou que o pássaro fosse capturado e trazido até ele. O mensageiro subiu o muro do salão sofrendo, de tão alto que era. Isso parecia prazeroso para Loki, quando ele viu a
dificuldade dele em apanhar-lo, e pensou em ficar e não voar, antes que ele tivesse terminado todo o perigoso caminho. Mas quando o homem estava para capturar-lo, então ele estendeu as asas para voar e bateu com força, e ficou então com os pés presos. Loki foi pego ali e levado ao jötunn Geirröðr. Mas quando ele viu os olhos dele então suspeitou que poderia ser um homem, e ordenou que falasse, mas Loki ficou em silêncio. Então Geirröðr encerrou Loki num baú e ele ficou ali faminto por três meses. Mas dessa vez quando Geirröðr tirou ele dali e mandou ele falar, então Loki disse, quem ele era, e em troca da sua vida ele jurou isso a Geirröðr, que ele viria com Þórr até Geirröðargarðr de modo que ele não levasse nem o martelo nem o cinto Megingjarðar.
Þórr veio a passar a noite com a gýgr, que era chamada Gríðr. Ela era a mãe de Víðarr, o silencioso. Ela disse a Þórr a verdade sobre Geirröðr, que ele era um jötunn astuto e difícil de confrontar. Ela deu a ele um cinto de força e luvas de ferro, que ela possuía, e seu cajado, que era chamado Gríðarvöllr.
Então Þórr viajou em direção a esse rio que é chamado Vimur, o maior de todos os rios. Então ele afivelou o seu cinto de força e suportou a correnteza com o Gríðarvöllr, enquanto Loki estava atrás segurando o cinto de força. E quando Þórr chegou no meio da correnteza, então o rio aumentou tanto,que subiu até os ombros dele. Então Þórr disse isso:
65.Não aumente agora,Vimur, porque eu desejo atravessar-te para a corte dos Jötnar; saiba, que se você, aumentar, eu então aumentarei meu ásmegin tão alto como o céu.
Então Þórr viu no alto de uma ravina, que Gjálp, filha de Geirröðr, ali ficava com as pernas em ambos os lados sobre o curso do rio, e ela fazia o rio aumentar. Então Þórr levantou de fora do rio uma enorme pedra e atirou nela e disse assim:”Na sua fonte deve o rio ser parado.”
Ele não errou a direção onde ele havia atirado. E nesse momento ele foi para a costa e segurou um ramo de sorveira-brava* e assim saiu do rio. Por causa disso é dito, que a sorveira-brava é a libertação de Þórr.
Mas quando Þórr chegou até Geirröðr, então a esses companheiros foi primeiro exibido um quarto de hóspede como acomodação, e ali estava uma cadeira para sentar, e Þórr se sentou ali. Então ele ficou ciente disso, que a cadeira se movia debaixo dele subindo para o teto. Ele pressionou o Gríðarvöllr no teto e forçou a cadeira pra baixo. Foi um grande estouro, e em seguida um altíssimo berro. Ali debaixo da cadeira estavam as filhas de
Geirröðr, Gjálp e Greip, e ele tinha quebrado a coluna de ambas. Então Þórr disse:
66.Uma vez eu usei todo o meu poder na corte dos Jötnar quando Gjálp e Greip, filhas de Geirröðr, queriam me levantar até o céu.
Então Geirröðr chamou Þórr no salão para jogar jogos. Ali estava uma enorme fogueira de uma extremidade a outra do salão. Mas quando Þórr entrou no lado oposto de Geirröðr, então Geirröðr pegou com a tenaz uma barra de ferro ardente e atirou em Þórr, mas Þórr pegou do outro lado com as luvas de ferro e levantou no ar, enquanto
Geirröðr pulou atrás de uma coluna de ferro para se salvar. Þórr atirou a barra ardente que atravessou a coluna e atravessou Geirröðr e atravessou o muro e assim foi para dentro da terra.”

Depois dessa saga Eilífr Guðrúnarson tinha escrito o Þórsdrápa.

* Observação: Essa planta é conhecida como rowan (sorbus aucuparia), a sorveirabrava, e cresce em locais frios, no outono suas folhas se tornam avermelhadas.

Essa tradução foi feita por Marcio Alessandro Moreira (Vitki Þórsgoði). Tentei manter-me fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.® 2010
E-mail:asatruar42@hotmail.com


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