Programa Karavana Karan 07/01/2016 – Carlos Karan e Ligia Raido

Segue o podcast da minha participação no programa Karavana Karan da MKK Web Rádio. #Enjoy.

Previsões para 2016

A cada estação do ano, ou festividade dentro do calendário pagão eu gosto de fazer uma leitura das runas.  Sempre faço de modo particular ou ainda para amigos e quem estiver celebrando essas datas comigo, como estou trabalhando com consultoria online neste fim de ano resolvi abrir essas leituras para o público, espero que aproveitem.

Abraços e boas festas!

Leitura referente ao solstício de verão. As previsões ou orientações e uma poesia (sim, eu escrevo!).

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Previsões para 2016 – Ano regido pelo Sol e pela runa Sowelo (Cartomantes de Sara é o site onde trabalho).

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02 de Novembro – Festival de Odin

Odin ou Ódin (em nórdico antigo: Óðinn) é considerado o deus principal da mitologia nórdica atual e também conhecido como “Pai de Todos” e “O enviado do Senhor da Guerra”.

Seu papel, como o de muitos deuses nórdicos, é complexo; é o deus da sabedoria, da guerra e da morte, embora também, em menor escala, da magia, da poesia, da profecia, da vitória e da caça.

Odin morava em Asgard, no palácio de Valaskjálf, que ele construiu para si, e onde se encontra seu trono, o Hliðskjálf, onde podia observar o que acontecia em cada um dos nove mundos. Durante o combate brandia sua lança, chamada Gungnir, e montava seu corcel de oito patas, chamado Sleipnir.

Era filho de Borr e da jotun (“gigante”) Bestla, irmão de Vili e Vé,[2] esposo de Frigg e pai de muitos dos deuses. tais como Thor, Baldr, Vidar e Váli. Na poesia escáldica faz-se referência a ele com diversos kenningar, e um dos que são utilizados para mencioná-lo é Allföðr (“pai de todos”).

Como deus da guerra, era encarregado de enviar suas filhas, as valquírias, para recolher os corpos dos heróis mortos em combate, os einherjar, que se sentam a seu lado no Valhalla de onde preside os banquetes. No fim dos tempos Odin conduzirá os deuses e os homens contra as forças do caos na batalha do fim do mundo, o Ragnarök. Nesta batalha o deus será morto e devorado pelo feroz lobo Fenrir, que será imediatamente morto por Vidar, que, com um pé sobre sua garganta, lhe arrancará a mandíbula.

Etimologia

Os nomes dos deus são encontrados em nórdico arcaico (ou Old Norse) Óðinn (Saxo Grammaticus, latinizando escreve Othinus), no germano Wotan e no primitivo germânico sob a forma de Wodanaz, no gótico, Vôdans, no dialeto das ilhas Feroé (nas costas da Noruega), Ouvin, no antigo saxão, Wuodan, no alto alemão, Wuotan, enquanto que entre os lombardos e na região da Vestefália aparece Guodan ou Gudan, e na Frísia, Wêda. Nos dialetos dos alamanos e borgundos temos a expressão Vut, usada até hoje no sentido de ídolo. Essas denominações estão ligadas pela raiz, no nórdico arcaico, às palavras vada e od, e, no antigo alto alemão, a Watan, Navutan, Wuot, que significavam a princípio razão, memória ou sabedoria. Mais tarde tornaram-se equivalentes a tempestuoso ou violento, sentido que os cristãos faziam empenho de acentuar, procurando depreciar a figura do deus nórdico.

Dia da semana de dedicação

A quarta-feira, dia que é dedicado ao deus, tomou as denominações, no inglês, wednesday (antigo saxão, wôdanes dag, anglo-saxão, vôdnes dag), no holandês, woensdag (médio-neerlandês, woensdach), no sueco e dinamarquês, onsdag (Old Norse, odinsdagr), e no dialeto da Vestefália, godenstag ou gunstag..

Citações na Edda Poética

Na Edda Poética, o maior ciclo é naturalmente o do deus supremo, compreendendo as seguintes baladas: Baldrs Draumar (Os Sonhos de Baldr), Hárbarzljóð (A Balada de Harbard), Vafþrúðnismál (A Balada de Vafthrudnir), Grímnismál (A Balada de Grimnir) e Hávamál (As Máximas de Hár).

Odin se apresenta sob diversos nomes nas baladas édicas, de acordo com as exigências da situação. Sabemos, pela Völuspá (A Profecia da Vidente) e Hyndluljóð (A Balada de Hyndla), que ele é filho de Borr. As elevadas designações de velho criador e pai dos homens, que o poeta anônimo lhe deu em Baldrs Draumar e no Vafþrúðnismál, bem como a informação de que Odin dera o fôlego (Völuspá) a um casal inanimado, não deixa dúvidas sobre uma interferência na criação da humanidade. No Grímnismál há o cognome de príncipe dos homens, na Lokassena (A Altercação de Loki) de pai das batalhas, na Völuspá, de pai dos exércitos, e no Grípisspá (A Profecia de Gripir), de pai da escolha ou pai dos mortos em batalha.
Genealogia

Personalidade

Em linguagem corrente nos países escandinavos e no norte da Alemanha, conforme observa-se entre pessoas cultas, são usadas as expressões zu Odin fahren ou hei Odin zu Gast sein, e far þu til Odin ou Odins eigo þik, citadas também por Jacob Grimm, para imprecações equivalentes a vá para o diabo, ou o diabo que o carregue. É uma tendência malévola que se explica, não só pela ação do cristianismo, mas ainda pelas atitudes violentas e sombrias que o deus tomava, infligindo castigos inflexíveis, como o sono imposto à (valquíria) Brynhild por esta tê-lo desobedecido, e atravessando os ares com seu exército de maus espíritos, nas noites de tempestades, nas chamadas Caçadas Selvagens.

Sobre o Eddas, sabe-se que foram escritos no início da idade das trevas, porém é de conhecimento, que as tradições que a originaram e eram transmitidas oralmente, datam de mais de três mil anos a.C.

Virtudes

O aposto de “pai da magia”, constante do Baldrs Draumar, confirmado no seu próprio depoimento do Hávamál (parte IV), descreve o seu próprio sacrifício: feriu-se com a lança e suspendeu-se numa árvore, onde permaneceu nove dias agitado pelos ventos; esta árvore é Yggdrasill, o freixo do mundo. Tudo isso visando à iniciação na sabedoria das runas, tendo até criado algumas delas, tornando-se senhor do hidromel da poesia, licor mágico que profere vaticínios.

Quanto ao elevado saber de Odin, relata-se que nem sempre foi assim, sábio e mágico poderoso; ávido por conhecer todas as coisas, quis beber da fonte da Sabedoria, onde o freixo Yggdrasill mergulha uma das raízes; mas Mímir, seu tio, o guardião da fonte, sábio e prudente, só lhe concedeu o favor com a condição de que Óðinn lhe desse um de seus olhos. Ele então encontrou na água da fonte milagrosa tanta sabedoria e poderes secretos que pôde, logo que Mímir foi morto na guerra entre os Æsir e os Vanir, lhe conferir a faculdade de renascer pela sabedoria: sua cabeça, embalsamada graças aos cuidados dos deuses, é capaz de responder a todas as perguntas que lhe dirigem. Após adquirir tantos conhecimentos, procurava depois revelá-los em duelos de palavras, em que aposta a vida e sai sempre ganhado. Além do mais, por várias vezes se dirige a profetisas e visionárias, pedindo informações estranhas, dando-lhes em paga ricos presentes.

Cultuação

Desse modo, vemos que Óðinn, na concepção do poeta édico, é criador da humanidade, detentor supremo do conhecimento, das fórmulas mágicas e das runas, invocado por ocasião das batalhas, durante os naufrágios e as doenças, na defesa contra o inimigo, e afinal em qualquer situação desesperadora. Altares se elevavam em sua honra.

Símbolos

Nas baladas da Edda, o deus supremo está em ligação com símbolos, emblemas e certos elementos adequados às diversas circunstâncias em que aparece. Assim, no Valhöll (Valhalla), tem o seu grande palácio onde recebe e aloja os guerreiros mais valorosos, e em outro dos seus três salões em Ásgarðr (Asgard), o alto Valaskjalf, senta-se no trono Hlidskialf, de onde é possível enxergar o mundo inteiro e acompanhar todos os acontecimentos da vida. A seus pés, deitam-se os dois lobos Geri e Freki, símbolos da gulodice, que o acompanham em suas caçadas e lutas, alimentando-se dos cadáveres dos guerreiros. Nos seus ombros estão os dois corvos Munin e Hugin, a sussurrar-lhe o que viram e ouviram por todos os cantos. Quando se encaminha a uma batalha, o que é frequente, usa armadura e elmo de ouro, trazendo nas mãos o escudo e a lança Gungnir, que tem runas gravadas no cabo, montando seu famoso corcel de oito patas, Sleipnir, que tem a faculdade de cavalgar no espaço, por cima das terras e águas.

Disfarces

Em muitas passagens, descrevem-se as andanças de Odin, em que se apresenta sob o disfarce de um viajante baixo e de cabelos escuros, envolvido numa enorme capa azul ou cinza, com um chapéu de abas largas, quebradas acima do olho perdido e o outro olho negro faiscante, como nas baladas édicas Vafþrúðnismál e no Grímnismál, e com os nomes significativos de Gagnrad (o que determina a vitória), Grimnir (o disfarçado), além do Hávalmál (parte III) e nos Baldrs Draumar, respectivamente com os nomes Hár (o elevado, o eminente, o sublime) e Vegtam (o acostumado aos caminhos).

Fonte: https://www.facebook.com/CulturaPagan/posts/916840701743889:0

Obs: Na minha opinião dizer que Odin fez o sacrifício visando a iniciação às runas é tendencioso.

Baldur – Surgimento

Balder (2)SURGIMENTO

Baldur era considerado um deus misterioso, enigmático e pouco se sabe a cerca de seu mito. Ele era filho de Odin e Frigga. Marido de Nanna e pai Forseti. Era amado por praticamente todos.

Baldur constantemente tinha sonhos com sua morte, isto fez com que sua mãe fosse a cada ser existente, e fez com que cada um deles prometesse não fazer mal a seu filho. Porém, Frigga havia se esquecido de um ser, o visco. Loki descobriu e criou uma flecha com a planta. Esta flecha foi utilizada por Hodur, irmão de Baldur, que era cego. Ele foi influenciado por Loki em um dos festivais onde os Deuses se reuniam para atirar flechas em Baldur. Afinal de contas, ele não morria. Mas ao ser atingido pela flecha de visco, Baldur acabou morrendo. Isto causou uma grande tristeza em todos os Deuses.

A pedido de Frigga, o deus Hermond foi até o Hel, tentar trazer Baldur de volta. Hel concordou, mas com a condição que todos em Asgard deveriam chorar a morte do deus branco. Porém uma velha chamada Thokk, recusou-se a chorar e então Baldur não pode regressa a Asgard. Mais tarde os Aesir vieram a descobrir que tudo não passou de um plano arquitetado por Loki, e isto os enfureceu muito, e após várias tentativas eles finalmente conseguiram prender o Deus travesso, e assim ele permaneceu até o Ragnarok, onde se libertará e liderará o exército de gigantes contra os Deuses.

Balder (3)FIGURA MITOLÓGICA E O CULTO

Não há informações sobre um culto organizado ao Baldur, só o que se sabe é que sua importância seria a morte e ressurreição após o Ragnarock para liderar os novos Deuses em uma nova era.

Existem muitas variações dos atributos de Baldur. Alguns o colocam como o Deus da vegetação, outros como o Deus solar, e até como mensageiro da “idade de ouro” que surgirá após a purificação do ragnarok.

REPRESENTAÇÃO
Baldur era representado como sendo um jovem esguio, loiro de olhos azuis, carregando consigo um escudo dourado e irradiava bondade e harmonia a sua volta e era amado por todos os deuses como já dito.

A Baldur estão associados às runas: Wunjo, Raidho, Sowilo, Dagaz.

Seus símbolos são: Luz, brilho, beleza, cavalo, escudo, roda solar, barco, pira funerária, anel.

BIBLIOGRAFIA:
Snorri Sturlson, Prosa Edda escrito por volta de 1200 DC.
Mirella Faur, Mistérios Nórdicos, Editora Pensamento ISBN: 9788531514937
Dicionário da Mitologia Germânica.

Fonte: http://www.espiraistempo.com.br/2012/05/mitologia-nordica-o-deus-baldur-o.html

O que é Kindred?

Algumas pessoas me perguntaram o que é “Kindred” e como funciona, então resolvi escrever a respeito e tentar esclarecer. Acaso alguém encontre algum erro ou discorde, por favor escreva. Não sei tudo e gosto sempre de aprender.
Os kindreds ou famílias, são formados por pessoas que comungam da fé Asatru/Vanatru/Odinista e celebram juntos os ritos para os Deuses. O interesse comum, a confiança, o respeito e a fidelidade são fundamentais. Um kindred precisa ter 98% de afinidade e concordância, os 2% ficam para as desavenças que sempre acontecerão, é fato.
O Asatru/Vanatru/Odinismo não é uma religião iniciática, não há graus a serem galgados, não é proselitista, homofóbica, sexista, racista ou intolerante.
Existe um sacerdote Ghodi ou sacerdotisa Ghydia que inicia as cerimônias e orienta o grupo, prezando pelo bem de todos e tem poder de decisão se alguma situação acontecer e não houver consenso entre os membros.
É uma posição de destaque e respeito, por isso a escolha dessa pessoa deve ser feita levando em consideração o que o grupo quer para si e geralmente ela é escolhida por votação. Outra forma de resolver um impasse é o Ghodi ou Ghydia, abdicar do poder de decisão e pedir a leitura das runas, que indicará o que deve ser feito. Nos tempos dos vikings era o chefe da família ou o que hospedava que desempenhava esse papel, hoje em dia o líder será a pessoa que possui mais conhecimento e deve oficiar o rito.
Os kindreds se reúnem nas datas importantes do calendário nórdico, onde se realizam os Blóts, em que honram e celebram os Deuses. Esses rituais podem acontecer tanto em ambientes fechados quanto ao ar livre.
Seguimos uma cultura tribal, o Asatru/Vanatru/Odinismo dá importância máxima à família e à comunidade, visto que no tempo dos vikings um único erro poderia sujar o nome da família para sempre. Honrar a palavra também é de valor intrínseco à cultura nórdica. É recomendável que os membros do kindred não se reúnam somente nas datas comemorativas, mas que tenham uma vida social em comum. O sentido de família para a fé Asatru/Vanatru/Odinista é literal. Os membros passam a ser um, não podem pensar só no individual, mas no e para o grupo.
O Blót, oficiado pelo Ghodi ou Ghydia, começa geralmente com o Rito do Martelo depois faz-se a oferta ou oferenda que é um meio de honrar os Deuses e são realizadas sempre (comida, bebida, objetos) que receberão a benção e aceitação simbólica Deles. Os brindes as Divindades e leitura , declamação ou canções dedicadas a Elas acontecem e depois se faz o Sumbel ou Feast ou simplesmente a degustação dos alimentos.
OBS.: De acordo com alguns Odinistas, não realiza o Rito do Martelo em suas celebrações, já outros o fazem. Não chega a ser uma questão polêmica, pois temos liberdade de culto, ou seja, os membros do kindred resolvem como iniciar suas celebrações.
Para que um grupo passe a ser um kindred existe o que chamamos Juramento, que é assumir o compromisso com os Deuses a Fé e a Família.
É uma cerimônia simples, realizada na presença de um Godhi ou Gydhia e os membros. Geralmente se passa a usar um anel, pulseira ou colar como símbolo sagrado.
Como membro de um kindred, é preponderante que se aceite totalmente a espiritualidade, cultura e costumes dos antepassados, se aprenda a história e a mitologia dos povos nórdicos e zele pelo crescimento espiritual dos outros membros e por último, mas não menos importante que se viva sob as Nove Nobre Virtudes: Coragem, Verdade, Honra, Fidelidade, Disciplina, Hospitalidade, Auto-Suficiência, Perseverança e Laboriosidade.
Outra coisa a ser levada em consideração é a aceitação dos dogmas. Não encaremos o conceito de dogma algo que é imposto, mas aquilo que é essencial para uma fé e que é aceito livremente. Um dogma não pode ser imposto, deve ser aceito com honra, como uma herança e fazer parte do ser.
Creio que existe uma coisa importantíssima que precisa ser sempre exposta. Nossa religião foi maculada pelo nazismo e é nossa obrigação como Heathens, esclarecer, divulgar, demonstrar que não pensamos dessa forma.

Texto escrito por Helena Pereira

Fonte: https://www.facebook.com/groups/203042573100110/permalink/899218316815862/

O metamorfo nos contos de fadas – Lóki (Palestra Convenção de Paranapiacaba)

LOKI (LOKE, LODER, LOKKJU, LOTHUR, LOPTER, LOPTI) – O metamorfo nos contos de fadas

Loki (“Aquele Que Atrai”, “Aquele Que Fecha” ou “Fogo”) que também é chamado de Loptr (“Aéreo” ou “Celeste”), Hveðrungr (“Rugidor”) e Lóðurr (“Aquele Que Frutifica”, “Povo”, “Aquele Que Germina” ou possivelmente “Fogo”) é o nome do companheiro de Óðinn e Hoenir. É conhecido como filho de Fárbauti e Laufey ou Nál, irmão de Býleist e Helblindi, marido de Sigyn e pai de Nari ou Narfi e Váli ou Áli, pai de Fenrir, Jörmungandr e Hel (com Angrboða), e mãe de Sleipnir.

Quando os três Deuses criaram o primeiro casal humano, Lóðurr foi quem deu a eles o sangue e a forma humana. Ele é identificado com Vé por Snorri, por causa de seu papel na criação. Muitas teorias surgiram ao redor do nome de Lóðurr. A mais aceita é que ele seja apenas outro nome de Loki e isso é confirmado nos poemas Lokrur e Þrymlur. Outra coisa que fala em favor disso é que Óðinn, Hoenir e Loki viajam juntos pelo mundo em várias ocasiões. O que dificulta essa identificação é o fato de Lóðurr aparecer como uma Divindade amável que ajuda na criação do homem, e Loki parece como o ser que quer destruir a criação. Porém, é sabido que Loki é uma Divindade ambígua e pode muito bem ter ajudado no início para poder destruir no fim.

É uma das figuras mais confusas da poesia nórdica, Loki rege o fogo e a água, a criação e a destruição, o bem e o mal, o equilíbrio entre a ordem e o caos, mesmo apesar de sempre parecer se inclinar para atitudes e pensamentos malévolos (?). Loki é uma personalidade indispensável no destino de Asgard.

É um metamorfo e freqüentemente toma a forma de um animal; assim, transformado em cachorro marinho (foca), roubou o precioso colar de Freyja (Brisingamen) e o escondeu atrás de uma rocha; mas Heimdall, transformado em foca, o arrebatou, depois de muito lutar; mudado em égua, atraiu o garanhão do arquiteto Asgard e tornou-se mãe do cavalo Sleipnir; tendo apostado com os anões Brakk e Sindri que eles não executariam, rapidamente, obras perfeitas, transformou-se em mosca e procurou embaraçar-lhes o trabalho; mas, apesar disto, os anões conseguiram acabar o anel de ouro Draupnir, o javali de Frey e o martelo de Thor; mudado em pulga, picou Freyja para roubar-lhe o adereço, etc. Certa vez teve a audácia de cortar a áurea cabeleira de Sif, esposa de Thor; e, tendo este lhe exigido uma nova, ele a obteve dos filhos de Ivaldis (Brakki e Sindri). Como silfo do fogo, os poetas chamam-no Lopter (raio), e lhe dão um irmão Byleiptr (relâmpago) e uma esposa Sigyn (nuvem de chuva). Não raras vezes vemo-lo, em figura de mulher, sob cujo aspecto acompanhou Thor à casa do gigante Thrym para recuperar o Mjolnir roubado. Com o nome de Thokk foi à única das criaturas que não chorou a morte de Balder.

Quando jovens Loki e Odin fizeram um pacto de sangue e se tornaram irmãos. Assim Loki, por lei, passou a comungar de todos os direitos reservados à Odin em Asgard, habitando junto dele. Também recebeu a mesma sabedoria que o Pai Excelso possuía. O sangue é o veículo da vida e do poder e através dele Loki despertou como Odin havia despertado. Existe uma pequena passagem na Edda poética, no poema Lokasenna, onde Loki lembra a Odin que eles eram irmãos juramentados pelo sangue, ou seja, no passado eles haviam feito um juramento de sangue, embora que não se saiba que juramento foi este, pois no restante da Edda poética, assim como na Edda em prosa e em outros poemas, não encontramos menção a esse juramento de sangue. A estrofe diz o seguinte:

9. Não te recordas, Odin,

que outrora nos dois

misturamos nosso sangue?

Jamais experimentarias, disseste, cerveja

que não se oferecesse a ambos.

Conversando com uma amiga quem tem um parente de origem alemã descobri que, ao contrário do que dizem, Loki é honrado como merece. Senhor do fogo, Ele é chamado sempre que o mesmo é aceso. Em local de frio estremo não é difícil de imaginar isso. E Odin, o senhor da sabedoria, é honrado também, sobretudo em épocas que se está na escola.

Assim como Odin, Loki teve muitas amantes, além de sua esposa. Diz-se que já foi amante de todas as deusas, casadas e solteiras, e que sua beleza se compara a de Baldr, seu rival. Loki é descrito como belo, formoso, e de olhos brilhantes, mas com o caráter mutável.

Em essência, ele era o mestre trapaceiro, do gênero dos celebres mestres zen, que provocavam ardis explosivos em que expunham os deuses e os humanos a uma situação de súbita vulnerabilidade, revelando a sua condição inata de seres imperfeitos. Pela técnica de choque, ele provocava o despertar da consciência e a sua metamorfose em um estado superior de sabedoria representado pela generosa dádiva dos seus tesouros talismânicos. Loki é assim o portador do fogo, trazendo o ardor da vida aos campos e a luz primordial à consciência, e que jaz esquecida nos recônditos do nosso espírito, Ele acompanha-nos oculto na nossa alma ao longo da caminhada noturna do nosso ser interior, expondo-nos e confrontando-nos com as fraquezas triviais do nosso existir e com promessas quiméricas de tesouros, que nada mais são do que poderes secretos do nosso espírito divino. Por isso, um encontro com Loki encerra sempre uma duplicidade e encruzilhada de significados, em estreita relação com o nosso equilíbrio interior e a força de vontade que caracteriza todos os heróis, já que essa divindade esguia, sutil e volúvel, retificava os males criados pela impiedade dos deuses restantes.

Dentro dos contos de fadas podemos vê-lo claramente em O gato de Botas…

O gato de botas Irmãos Grimm

O protagonista da obra é um gato muito ousado e esperto. João, o seu dono, é o filho mais novo de um velho moleiro que antes de morrer distribuiu entre seus três filhos os seus poucos haveres. Para João o velho deixou apenas um gato que aparentemente não iria lhe servir para nada. Porém, ao descobrir que o gato fala João fica surpreso e perplexo.

O gato pede para João comprar-lhe um par de botas. Sem muito a perder João faz o que o gato pediu-lhe. O gato queria impressionar e mostrar para João que servia para alguma coisa e calçado nas botas corre de encontro ao castelo do rei onde o presenteia com um belo coelho. Como o rei gostava de coelho ensopado o retribuiu com um saco de moedas de ouro. O gato de botas realizou a proeza por várias vezes consecutivas e sempre em troca ganhava um saco de moedas que o levava entusiasmado para o seu dono.

Certa vez o gato disse a João que pulasse no rio e quando a carruagem do rei passasse começasse a gritar. Sem entender muita coisa João realiza o pedido. E quando o rei passa na carruagem com sua filha, o gato e João começam a gritar desesperadamente por socorro. Reconhecendo o amigo o rei para e pede que seus serviçais salvem o dono do gato. Além disso, dá-lhe roupas novas e ele fica parecendo um príncipe.

João apaixona-se pela filha do rei e troca olhares melosos com ela. O gato de botas corre na frente da carruagem e chega ao castelo do feiticeiro ogro, no qual engana o tirano malvado fazendo-o transformar-se em um pequeno camundongo que, por sua vez, é engolido pelo gato.

Os serviçais do castelo, agora pertencente ao gato e a João, recepcionam o rei, sua filha e seus serviçais com um maravilhoso banquete. Na ocasião o rei admira e parabeniza João pela riqueza e beleza de suas propriedades. O rei também concede a mão da filha em casamento a João que agora se tornara rico por esperteza do então gato de botas.

Aqui vemos a figura do estrategista e do metamorfo, claro, que está um pouco fora do padrão de moralidade ao qual fomos impostos pela sociedade, uma sociedade cristã vale lembrar, mas quero chamar a atenção aqui para a versatilidade ao qual o Deus recorre. Versatilidade essa tão necessária no nosso dia a dia, e que por pudor ou medo acabamos sufocando dentro de nós.

O medo da mudança, da metamorfose é algo nítido na sociedade atual. Vivemos em um mundo falso! Tintas para disfarçar o cabelo branco, cremes e mais cremes para retardar o envelhecimento, dietas da moda, e por ai vai. Mas porque queremos fugir de um ciclo que sabemos é inevitável? Nascemos, vivemos a criança, nos tornamos adolescentes, atingimos a vida adulta, envelhecemos, morremos…

Do que você tem medo? A não aceitação de cada fase da vida, a não aceitação as mudanças, a não aceitação da evolução, a não aceitação de cada ciclo.

Por que Loki assusta? Por que não devemos honrá-lo?  Loki vem para nos jogar na cara nossos medos mais profundos. Sincero, sem papas na língua, fala o que pensa. Erra, mas assumi seus erros (faz parte da evolução), e busca consertá-los. Por que não honrá-lo? Por que essa face do Deus nos assusta?

A transformação constante faz parte de nosso dia a dia, do ciclo da vida. Lutar contra esse ciclo, contra a nossa natureza é algo inútil e pode tornar-se muito doloroso. Olhar para dentro é despertar. Despertar é o primeiro passo para a evolução e para o alcance da sabedoria.

“Loki é o Fogo em nosso sangue, e a engenhosidade febril que trabalha incessantemente para desencadeá-lo de tudo que deve ser feito, assim como é o fogo que arde e move a vida a nossa volta, sendo ele mesmo chave de acesso as ramificações do fogo em cada um dos mundos, uma vez que tem livre acesso a todos estes mundos.” Loki é necessário para a manutenção do Universo.

Invocação/Oração à Loki

Por Ligia Raido

 Senhor do Fogo

Senhor da Magia

Senhor da Transformação

Irmão de Odin, meu pai

Loki, meu pai

Honrado seja

Com cerveja e hidromel

Que eu não tema ver tua face

Pois ela reflete minha alma

Hail Loki!

Associações:

Loki é associado à égua, raposa, serpente aquática, pulga, salmão, falcão e mosca.

Na Dinamarca era associado aos fenômenos do ar.

Ao fogo do lar na Suécia e em Telemark, na Noruega.

Era visto como uma criatura da noite em Telemark, na Noruega.

Runas (Futhark Antigo):

Thurisaz, Kenaz, Hagalaz, Nauthiz, Peorth, Dagaz.

 Loki (1) Loki (2) lóki (4)

Lóki

(Palestra realizada na XII Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba 30/05/2015)

Fontes:

Links interessantes: