Skáldskaparmál 24-25 (Edda em Prosa)

Skáldskaparmál (Linguagem da Poesia) é a terceira parte da Edda em Prosa de Snorri Sturlusson e consiste de um diálogo entre o jötunn (gigante) Ægir e Bragi, o Deus poeta. Bragi ensina os significados dos kenningar (teorias) sobre várias coisas usadas na mitologia e na arte poética dos escaldos para Ægir.

Skáldskaparmál 24-25

24-Sobre o Jötunn Hrungnir.
Agora devo falar mais ,de como esses kenningar são, que agora são recordados, que nunca foram contados antes, assim como Bragi disse a Ægir, que Þórr estava viajando na direção leste matando Trolls, e Óðinn cavalgou sobre Sleipnir em direção a Jötunheimr e chegou até esse jötunn, que era chamado Hrungnir. Então Hrungnir perguntou, quem era o homem com elmo de ouro, que cavalgava sobre o ar e água, e disse, que ele tinha um
bom cavalo. Óðinn disse, que desejava primeiro apostar sua cabeça, e que não havia cavalo tão bom em Jötunheimr. Hrungnir disse, que esse era um bom cavalo, mas que ele possuía um melhor cavalo que dava grandes saltos. Que se chamava Gullfaxi. Hrungnir estava furioso e montou seu cavalo e cavalgou junto dele e pensou premiar-lo por suas palavras jactanciosas. Óðinn cavalgou tão grandiosamente, que ele estava perante outra colina, e Hrungnir estava possuído de jötunmóði (“fúria de gigante”), que ele não notificou que havia chegado para além do portão dos Deuses.
E ele havia chegado perante a porta do salão,os Æsir o convidaram para beber. Ele foi para dentro do salão e pediu para lhe trazerem bebida. Eles trouxeram então para o salão, os jarros que Þórr estava acostumado a beber, e Hrungnir sorveu rapidamente um por um. Quando ele ficou bêbado, então não faltou jactâncias. Ele declarou que arrancaria o Valhöll e levaria para Jötunheimr, e afundaria Ásgarðr, e mataria todos os Deuses, menos Freyja e Sif que ele desejava ter no lar com ele, e Freyja foi a única que ousou a servir bebida a ele, e ele declarou que iria beber toda a bebida dos Deuses.
Mas quando os Æsir se cansaram das jactâncias dele, então eles chamaram Þórr. Imediatamente Þórr chegou no salão e levantou no ar o martelo e estava furioso e perguntou, quem tinha falado e aconselhado que os cães dos Jötnar podia estar ali bebendo, e quem concedeu proteção a Hrungnir para estar no Valhöll e por que Freyja servia a ele na festa dos Æsir.
Então respondeu Hrungnir e não olhou com olhos amigáveis para Þórr, dizendo que Óðinn lhe ofereceu bebida e ele estava sob sua proteção. Então falou Þórr, que dessa festa Hrungnir se arrependeria, antes que ele fosse embora.
Hrungnir disse, que ÁsaÞórr teria pouca fama por matar-lo desarmado. Que teria mais coragem, se ele se atrevesse a lutar com ele nas bordas de Grjóttúnagarðr, -“e isso seria grande loucura, “disse ele,” quando eu deixei pra trás no lar meu escudo e pedra de amolar. Mas se eu tivesse aqui minhas armas, então saiba agora que nós provaríamos um Hólmganga (“Duelo na Ilha”), mas eu declaro que você será culpado de vilania se você
me matar desarmado.”
Þórr estava ansioso para que ninguém o impedisse de ir ao duelo, quando ele foi desafiado, porque ninguém tinha feito isso antes com ele. Então Hrungnir foi embora em seu caminho e galopou impetuosamente, quando ele chegou em Jötunheimr, e contou a famosa jornada dele para os Jötnar e nisso, o compromisso que estava chegando entre ele e Þórr. Embora os Jötnar tinham muito em perigo, quem de ambos vencesse. Eles estariam mal nas mãos de Þórr, se Hrungnir perdesse, primeiro porque ele seria o mais forte de todos eles.
Então os Jötnar fizeram um homem de barro em Grjóttunagarðr, e ele tinha nove milhas de altura, e três de largura abaixo dos braços, mas eles não encontraram um coração tão grande, para se tornar dele, logo eles pegaram um de uma certa égua, e ele não estava ali bem firme,quando Þórr chegou.
Hrungnir possuía um coração famoso, de pedra dura e com três pontas afiadas, tal como o símbolo esculpido que tem sido feito desde então, que é chamado de Coração de Hrungnir*. Sua cabeça era de pedra. Seu escudo era de pedra, amplo e pesado, e ele tinha o escudo na frente dele, quando ele estava em Grjóttatúnagarðr e esperava por Þórr, ele tinha na frente dele a pedra de amolar como arma e brandia sobre seus ombros e não estava gentil. Do outro lado dele estava o jötunn de barro, que era chamado Mökkurkálfi, e ele estava com muito medo. Assim é dito, que ele suava, quando ele viu Þórr.
Þórr foi até o local de encontro do duelo e Þjálfi foi com ele.
Então Þjálfi correu até o local onde Hrungnir estava, e falou para ele: “Você está sem segurança, jötunn, tendo o escudo na frente de você, mas Þórr verá você, e ele virá para cá por baixo na terra, e ele virá por debaixo de você.”
Então Hrungnir colocou o escudo abaixo dos pés e ficou sobre ele, e segurava com as duas mãos a pedra de amolar. Logo depois ele viu relâmpagos e ouviu estrondos de trovões. Então ele viu Þórr em ásmoði (“fúria divina”). Ele chegou furioso e brandiu o martelo e o atirou de longe em direção a Hrungnir. Hrungnir levantou com ambas mãos a pedra de amolar e atirou na mesma direção.A pedra de amolar encontrou-se com o martelo no ar, e a pedra de amolar quebrou em pedaços. Uma parte caiu na terra, e dali vieram todos as pedras afiadas. A outra parte estourou na cabeça de Þórr, assim ele caiu na terra. Mas o martelo Mjöllnir bateu no meio da cabeça de Hrungnir e esmagou seu crânio em pequenos pedaços, e ele caiu em cima de Þórr, de modo que sua perna ficou sobre o pescoço de Þórr. E Þjálfi lutou com Mökkurkálfi, e ele caiu com pouca glória.
Então Þjálfi foi até Þórr e tentou tirar a perna de Hrungnir de cima dele e não encontrou força suficiente. Então todos os Æsir foram até lá, quando eles ouviram que Þórr estava caído, e tentaram tirar a perna de cima dele e não obtiveram sucesso.
Então veio Magni, filho de Þórr e Járnsaxa. Ele tinha três noites de vida nessa época. Ele atirou a perna de Hrungnir de Þórr e falou: “Que pena, pai, que eu vim tão tarde. Eu creio que eu teria enviado esse jötunn para Hel com meu punho, se eu tivesse me encontrado com ele.”
Então Þórr se levantou e recebeu bem seu filho e disse, que ele seria grandioso, -“E eu,”disse ele,”darei a você o cavalo Gullfaxi, que Hrungnir possuía.”
Então Óðinn falou e disse, que Þórr tinha errado, quando ele deu esse ótimo cavalo para o filho de uma gýgr (“giganta”), e não para seu pai.

25-Sobre a Volva Gróa.
Þórr foi para Þrúðvangr, e a pedra de amolar ficou na cabeça dele. Então veio essa volva, que era chamada Gróa, esposa de Aurvandill, o valente. Ela cantava seus galdrar (“encantamentos”) sobre Þórr, para que a pedra de amolar se soltasse. Quando Þórr soube disso então pareceu esperançoso, de que a pedra de amolar seria removida, então ele desejou recompensar a medicina de Gróa e fazer-la feliz, disse a ela as novidades, que ele tinha nadado ao norte sobre Élivága e tinha carregado numa cesta sobre as suas costas,Aurvandill, do norte de Jötunheimr ,e isso é até provado, depois que um dedo do pé dele tinha ficado fora da cesta, e congelou,assim Þórr tirou-o e atirou-o acima no céu e o transformou em estrela desde então, chamada de Aurvandilstá (“Dedo de Aurvandill”). Þórr disse, que não tinha passado muito tempo que Aurvandill tinha voltado ao lar, mas Gróa estava tão feliz, que ela não se lembrou dos galdrar, e a pedra de amolar não se soltou e ficou na cabeça de Þórr, e depois disso foi proibido lançar uma pedra de amolar pelo solo, porque desde então a pedra de amolar se move na cabeça de Þórr.

Depois dessa saga Þjóðólfr hvinverski escreveu o Haustlöng*.”
Então Ægir disse:”Me parece que Hrungnir era muito poderoso. Þórr realizou mais valorosas proezas, quando ele estava com os Trolls?”
* Observação:É possível que o sinal abaixo seja o Hrungnishjarta (“Coração de Hrungnir”) do qual aparece nessa narração acima.

Sem título
* O poema Haustlöng embora ele seja citado não aparece no manuscrito Codex Upsaliensis/Uppsalabók (a Edda de Uppsala, datado de cerca de 1300 d.c.), do qual essa tradução foi feita.

Essa tradução foi feita por Marcio Alessandro Moreira (Vitki Þórsgoði). Tentei manter – me
fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.® 2009

E-mail:asatruar42@hotmail.com

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