"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses." (Sócrates)

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O metamorfo nos contos de fadas – Lóki (Palestra Convenção de Paranapiacaba)

LOKI (LOKE, LODER, LOKKJU, LOTHUR, LOPTER, LOPTI) – O metamorfo nos contos de fadas

Loki (“Aquele Que Atrai”, “Aquele Que Fecha” ou “Fogo”) que também é chamado de Loptr (“Aéreo” ou “Celeste”), Hveðrungr (“Rugidor”) e Lóðurr (“Aquele Que Frutifica”, “Povo”, “Aquele Que Germina” ou possivelmente “Fogo”) é o nome do companheiro de Óðinn e Hoenir. É conhecido como filho de Fárbauti e Laufey ou Nál, irmão de Býleist e Helblindi, marido de Sigyn e pai de Nari ou Narfi e Váli ou Áli, pai de Fenrir, Jörmungandr e Hel (com Angrboða), e mãe de Sleipnir.

Quando os três Deuses criaram o primeiro casal humano, Lóðurr foi quem deu a eles o sangue e a forma humana. Ele é identificado com Vé por Snorri, por causa de seu papel na criação. Muitas teorias surgiram ao redor do nome de Lóðurr. A mais aceita é que ele seja apenas outro nome de Loki e isso é confirmado nos poemas Lokrur e Þrymlur. Outra coisa que fala em favor disso é que Óðinn, Hoenir e Loki viajam juntos pelo mundo em várias ocasiões. O que dificulta essa identificação é o fato de Lóðurr aparecer como uma Divindade amável que ajuda na criação do homem, e Loki parece como o ser que quer destruir a criação. Porém, é sabido que Loki é uma Divindade ambígua e pode muito bem ter ajudado no início para poder destruir no fim.

É uma das figuras mais confusas da poesia nórdica, Loki rege o fogo e a água, a criação e a destruição, o bem e o mal, o equilíbrio entre a ordem e o caos, mesmo apesar de sempre parecer se inclinar para atitudes e pensamentos malévolos (?). Loki é uma personalidade indispensável no destino de Asgard.

É um metamorfo e freqüentemente toma a forma de um animal; assim, transformado em cachorro marinho (foca), roubou o precioso colar de Freyja (Brisingamen) e o escondeu atrás de uma rocha; mas Heimdall, transformado em foca, o arrebatou, depois de muito lutar; mudado em égua, atraiu o garanhão do arquiteto Asgard e tornou-se mãe do cavalo Sleipnir; tendo apostado com os anões Brakk e Sindri que eles não executariam, rapidamente, obras perfeitas, transformou-se em mosca e procurou embaraçar-lhes o trabalho; mas, apesar disto, os anões conseguiram acabar o anel de ouro Draupnir, o javali de Frey e o martelo de Thor; mudado em pulga, picou Freyja para roubar-lhe o adereço, etc. Certa vez teve a audácia de cortar a áurea cabeleira de Sif, esposa de Thor; e, tendo este lhe exigido uma nova, ele a obteve dos filhos de Ivaldis (Brakki e Sindri). Como silfo do fogo, os poetas chamam-no Lopter (raio), e lhe dão um irmão Byleiptr (relâmpago) e uma esposa Sigyn (nuvem de chuva). Não raras vezes vemo-lo, em figura de mulher, sob cujo aspecto acompanhou Thor à casa do gigante Thrym para recuperar o Mjolnir roubado. Com o nome de Thokk foi à única das criaturas que não chorou a morte de Balder.

Quando jovens Loki e Odin fizeram um pacto de sangue e se tornaram irmãos. Assim Loki, por lei, passou a comungar de todos os direitos reservados à Odin em Asgard, habitando junto dele. Também recebeu a mesma sabedoria que o Pai Excelso possuía. O sangue é o veículo da vida e do poder e através dele Loki despertou como Odin havia despertado. Existe uma pequena passagem na Edda poética, no poema Lokasenna, onde Loki lembra a Odin que eles eram irmãos juramentados pelo sangue, ou seja, no passado eles haviam feito um juramento de sangue, embora que não se saiba que juramento foi este, pois no restante da Edda poética, assim como na Edda em prosa e em outros poemas, não encontramos menção a esse juramento de sangue. A estrofe diz o seguinte:

9. Não te recordas, Odin,

que outrora nos dois

misturamos nosso sangue?

Jamais experimentarias, disseste, cerveja

que não se oferecesse a ambos.

Conversando com uma amiga quem tem um parente de origem alemã descobri que, ao contrário do que dizem, Loki é honrado como merece. Senhor do fogo, Ele é chamado sempre que o mesmo é aceso. Em local de frio estremo não é difícil de imaginar isso. E Odin, o senhor da sabedoria, é honrado também, sobretudo em épocas que se está na escola.

Assim como Odin, Loki teve muitas amantes, além de sua esposa. Diz-se que já foi amante de todas as deusas, casadas e solteiras, e que sua beleza se compara a de Baldr, seu rival. Loki é descrito como belo, formoso, e de olhos brilhantes, mas com o caráter mutável.

Em essência, ele era o mestre trapaceiro, do gênero dos celebres mestres zen, que provocavam ardis explosivos em que expunham os deuses e os humanos a uma situação de súbita vulnerabilidade, revelando a sua condição inata de seres imperfeitos. Pela técnica de choque, ele provocava o despertar da consciência e a sua metamorfose em um estado superior de sabedoria representado pela generosa dádiva dos seus tesouros talismânicos. Loki é assim o portador do fogo, trazendo o ardor da vida aos campos e a luz primordial à consciência, e que jaz esquecida nos recônditos do nosso espírito, Ele acompanha-nos oculto na nossa alma ao longo da caminhada noturna do nosso ser interior, expondo-nos e confrontando-nos com as fraquezas triviais do nosso existir e com promessas quiméricas de tesouros, que nada mais são do que poderes secretos do nosso espírito divino. Por isso, um encontro com Loki encerra sempre uma duplicidade e encruzilhada de significados, em estreita relação com o nosso equilíbrio interior e a força de vontade que caracteriza todos os heróis, já que essa divindade esguia, sutil e volúvel, retificava os males criados pela impiedade dos deuses restantes.

Dentro dos contos de fadas podemos vê-lo claramente em O gato de Botas…

O gato de botas Irmãos Grimm

O protagonista da obra é um gato muito ousado e esperto. João, o seu dono, é o filho mais novo de um velho moleiro que antes de morrer distribuiu entre seus três filhos os seus poucos haveres. Para João o velho deixou apenas um gato que aparentemente não iria lhe servir para nada. Porém, ao descobrir que o gato fala João fica surpreso e perplexo.

O gato pede para João comprar-lhe um par de botas. Sem muito a perder João faz o que o gato pediu-lhe. O gato queria impressionar e mostrar para João que servia para alguma coisa e calçado nas botas corre de encontro ao castelo do rei onde o presenteia com um belo coelho. Como o rei gostava de coelho ensopado o retribuiu com um saco de moedas de ouro. O gato de botas realizou a proeza por várias vezes consecutivas e sempre em troca ganhava um saco de moedas que o levava entusiasmado para o seu dono.

Certa vez o gato disse a João que pulasse no rio e quando a carruagem do rei passasse começasse a gritar. Sem entender muita coisa João realiza o pedido. E quando o rei passa na carruagem com sua filha, o gato e João começam a gritar desesperadamente por socorro. Reconhecendo o amigo o rei para e pede que seus serviçais salvem o dono do gato. Além disso, dá-lhe roupas novas e ele fica parecendo um príncipe.

João apaixona-se pela filha do rei e troca olhares melosos com ela. O gato de botas corre na frente da carruagem e chega ao castelo do feiticeiro ogro, no qual engana o tirano malvado fazendo-o transformar-se em um pequeno camundongo que, por sua vez, é engolido pelo gato.

Os serviçais do castelo, agora pertencente ao gato e a João, recepcionam o rei, sua filha e seus serviçais com um maravilhoso banquete. Na ocasião o rei admira e parabeniza João pela riqueza e beleza de suas propriedades. O rei também concede a mão da filha em casamento a João que agora se tornara rico por esperteza do então gato de botas.

Aqui vemos a figura do estrategista e do metamorfo, claro, que está um pouco fora do padrão de moralidade ao qual fomos impostos pela sociedade, uma sociedade cristã vale lembrar, mas quero chamar a atenção aqui para a versatilidade ao qual o Deus recorre. Versatilidade essa tão necessária no nosso dia a dia, e que por pudor ou medo acabamos sufocando dentro de nós.

O medo da mudança, da metamorfose é algo nítido na sociedade atual. Vivemos em um mundo falso! Tintas para disfarçar o cabelo branco, cremes e mais cremes para retardar o envelhecimento, dietas da moda, e por ai vai. Mas porque queremos fugir de um ciclo que sabemos é inevitável? Nascemos, vivemos a criança, nos tornamos adolescentes, atingimos a vida adulta, envelhecemos, morremos…

Do que você tem medo? A não aceitação de cada fase da vida, a não aceitação as mudanças, a não aceitação da evolução, a não aceitação de cada ciclo.

Por que Loki assusta? Por que não devemos honrá-lo?  Loki vem para nos jogar na cara nossos medos mais profundos. Sincero, sem papas na língua, fala o que pensa. Erra, mas assumi seus erros (faz parte da evolução), e busca consertá-los. Por que não honrá-lo? Por que essa face do Deus nos assusta?

A transformação constante faz parte de nosso dia a dia, do ciclo da vida. Lutar contra esse ciclo, contra a nossa natureza é algo inútil e pode tornar-se muito doloroso. Olhar para dentro é despertar. Despertar é o primeiro passo para a evolução e para o alcance da sabedoria.

“Loki é o Fogo em nosso sangue, e a engenhosidade febril que trabalha incessantemente para desencadeá-lo de tudo que deve ser feito, assim como é o fogo que arde e move a vida a nossa volta, sendo ele mesmo chave de acesso as ramificações do fogo em cada um dos mundos, uma vez que tem livre acesso a todos estes mundos.” Loki é necessário para a manutenção do Universo.

Invocação/Oração à Loki

Por Ligia Raido

 Senhor do Fogo

Senhor da Magia

Senhor da Transformação

Irmão de Odin, meu pai

Loki, meu pai

Honrado seja

Com cerveja e hidromel

Que eu não tema ver tua face

Pois ela reflete minha alma

Hail Loki!

Associações:

Loki é associado à égua, raposa, serpente aquática, pulga, salmão, falcão e mosca.

Na Dinamarca era associado aos fenômenos do ar.

Ao fogo do lar na Suécia e em Telemark, na Noruega.

Era visto como uma criatura da noite em Telemark, na Noruega.

Runas (Futhark Antigo):

Thurisaz, Kenaz, Hagalaz, Nauthiz, Peorth, Dagaz.

 Loki (1) Loki (2) lóki (4)

Lóki

(Palestra realizada na XII Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba 30/05/2015)

Fontes:

Links interessantes:


O Völundarkviða (Edda Poética)

Völundarkviða (A Canção de Völundr) é um dos poemas da Edda Poética, que narra como Völundr, um ferreiro, se vingou sobre Níðuðr, que havia lhe capturado. Após ser escravizado e ter os tendões cortados para não fugir, ele passou a fabricar jóias para o rei. Völundr então decide se vingar do rei matando-lhe os dois filhos, e seduzindo-lhe a filha, Böðvildr. Com as partes dos corpos dos rapazes Völundr fabricou jóias e deu para o casal real, depois embriagou Böðvildr com quem deixou esperando um filho e voou com asas para o céu obtendo a liberdade.Esse poema foi preservado no Codex Regius e no AM 748 I 4to (apenas o prólogo, porque está muito fragmentado). A lenda de Völundr aparece na Þiðrekssaga af Bern e no poema O Lamento de Deor, em Velho Inglês.

Völundarkviða

Havia um rei em Svíþjóð* chamado Níðuðr. Ele tinha dois filhos e uma filha. Ela se chamava Böðvildr. Havia três irmãos, filhos do rei dos Finnar*. Um se chamava Slagfiðr, o segundo Egill, o terceiro Völundr. Eles andavam sobre esquis e caçavam bestas selvagens. Eles vieram para Úlfdalir*, e ali fizeram para si uma casa. Ali havia um lago chamado Úlfsjár*. Uma manhã eles encontraram sobre a extremidade do lago três fêmeas sentadas e tecendo linho. Perto delas estavam suas plumagens de cisnes. Elas eram Valkyrjur*. Duas delas, Hlaðguðr-Svanhvít e Hervör-Alvitr, eram filhas do rei Hlöðvér; a terceira era Ölrún, a filha de Kjár de Valland*. Eles as levaram ao lar com eles para sua moradia. Egill obteve Ölrún, Slagfiðr Svanhvít,e Völundr Alvitr. Eles viveram ali sete anos. Então elas voaram embora para procurar batalhas, e não retornaram. Então Egill saiu esquiando a procura de Ölrún, e Slagfiðr a procura de Svanhvít, mas Völundr permaneceu em Úlfdalir. Ele era um homem habilidoso, assim os homens o conheciam de velhas sagas. O rei Níðuðr ordenou que ele fosse agarrado, assim como é relatado aqui:

01-Donzelas voaram do sul
através de Myrkviðr*,
Alvitr a jovem,
tentou a sorte;
elas sobre a praia do mar
se sentaram para descansar,
as donzelas do sul
e linho elas teciam.

02-Uma delas,
Egill abraçou,
a bela mulher,
de peitos alvos;
Svanhvít era a segunda,
ela usava uma plumagem de cisne,
mas a terceira,
sua irmã,
de pescoço branco,
Völundr a manteve.

03-Desde então se sentaram
por sete invernos,
mas no oitavo
todos terminaram,
e no nono
precisaram se dividir;
as donzelas se inclinaram
para a floresta sombria,
a jovem Alvitr,
se entregou ao örlög*.

04-Da caçada veio
o arqueiro de olhos finos,
[Völundr, foi em distantes caminhos],
Slagfiðr e Egill,
encontraram o salão vazio,
foram para fora e para dentro
e ao redor olharam;
Egill deslizou em esqui para leste
atrás de Ölrún
e Slagfiðr foi ao sul
atrás de Svanhvít.

05-Mas apenas Völundr
ficou em Úlfdalir,
ele forjou com ouro vermelho
resistentes jóias,
ele amarrou bem todos
os anéis com cordas de tília;
assim ele esperou
sua brilhante
esposa, se ele
viesse a conseguir-la.

06-Nisso Níðuðr ouviu,
o senhor de Níára,
que apenas Völundr
permanecia em Úlfdalir;
a noite foram homens,
com cotas de malha,
seus escudos brilhavam
com a lua crescente.

07-Andando em suas selas
no frontão do salão,
foram ali dentro,
na extremidade do salão;
eles virão sobre as cordas de tília
anéis pendurados,
ao todo setecentos
que o herói possuía.

08-E eles os pegaram,
e eles os deixaram,
exceto apenas um,
que eles levaram.
Chegou ali da caçada
o arqueiro de olhos finos,
Völundr, passando
sobre um longo caminho.

09-Ele foi ao fogo
para assar a carne de ursa,
logo os arbustos queimaram,
o abeto completamente seco,
com o vento árido na madeira,
perante Völundr.

10-Sentado sobre a pele de ursa,
ele contou os anéis,
do senhor dos Álfar*,
apenas um faltava;
ele pensou, que a
filha de Hlöðvér o tinha levado.
a jovem Alvitr,
e que ela tivesse chegado* ao lar.

11-Ele estava sentado por tanto tempo,
que ele adormeceu,
e ele acordou
triste;
vendo nas mãos
pesadas necessidades*
e sobre os pés
correntes apertadas.

Völundr disse:

12-“Quem são os guerreiros,
que me colocaram a
corda com anéis
e me acorrentaram?”

13-Depois falou Níðuðr,
o senhor dos Níar:
“Onde você conseguiu,Völundr,
príncipe dos Álfar*,
nosso dinheiro*
em Úlfdalir?”

Völundr disse:

14-“O ouro não estava ali
no caminho de Grani*,
eu acho que nossa terra estava longe
das montanhas do Rínar*;
eu acho que nós mais
tesouros possuímos,
quando tudo está seguro
no nosso lar.

15-Hlaðguðr e Hervör
foram nascidas de Hlöðvér
sabe-se que Ölrún
era filha de Kíar.”

16-[Lá fora estava a sábia
esposa de Níðuðr*,]
ela veio andando
da extremidade do salão,
ficando sobre o pavimento,
e com voz moderada:
“Agora não parece dócil,
ele que veio da floresta*.”

O rei Níðuðr deu para sua filha Böðvildr o anel de ouro que ele havia pegado das cordas de tília de Völundr, mas ele próprio usava a espada, que pertencia a Völundr. A rainha disse:

17-“Seus olhos são penetrantes
como os das serpentes brilhantes,
ele mostra os dentes,
quando a espada é exibida a ele
e ele reconhece em Böðvildr
o seu anel;
cortem dele a
sua força*
e depois coloquem ele
em Sævarstöðr*.”

Assim foi feito, fizeram uma incisão em seus tendões dos pés, e ele foi colocado numa ilha, que estava próximo a terra, que se chamava Sævarstaðr. Ali ele forjou para o rei todo tipo de jóias. Nenhum homem ousava ir até ele exceto apenas o rei.

18-“A espada que brilha
no cinto de Níðuðr,
que eu afiei,
que eu habilidosamente forjei
e eu temperei,
que me parece mais habilidosa;
esta espada brilhante para sempre
foi tomada de mim,
eu nunca verei isso
ser levada de volta para a forja de Völundr.”

19-“Agora Böðvildr usa
o anel vermelho
da minha noiva,
-para isso eu não tenho indenização.-“

20-Ele se sentou, mas não dormia,
e ele batia o martelo;
ele fazia artifícios habilidosamente muito
rápido para Níðuðr.
Dois jovens foram
a sua porta olhar,
eram filhos de Níðuðr,
em Sævarstaðr.

21-Eles vieram pelo baú,
perguntando pela chave,
o mal estava aberto*
quando eles olharam;
muitos colares estavam ali,
que para esses jovens pareciam
de ouro vermelho
e jóias.

Völundr disse:
22.”Venha os dois sozinhos,
venha outro dia;
eu darei a vocês esse ouro
de presente;
não diga as donzelas
nem aos homens do salão,
a nenhum homem,
que me procuraram*.”

23.Cedo um homem
chamou o outro,
irmão, irmão:
“Vamos ver os anéis!”
Foram até o baú,
perguntaram pela chave,
o mal estava aberto,
quando eles olharam.”

24.Ele cortou-lhes a cabeça fora,
desses garotos
e debaixo da fuligem das tiras do fole
colocou os pés;
os crânios deles,
que estavam debaixo dos cabelos,
ele fixou prata, por fora,
e deu para Níðuðr.

25-E de seus olhos,
fabricou gemas preciosas
que ele deu sabiamente
para a esposa de Níðuðr,
mas dos dentes
desses dois
ele fabricou broches
e deu a Böðvildr.

26-Então Böðvildr
se gabou do anel que conseguiu
— — —
— — —
[para Völundr o trouxe*],
quando ela o quebrou:
“Eu não ouso dizer isso a ninguém
salvo apenas você.”

Völundr disse:

27-“Eu repararei de tal modo
o ouro quebrado
que seu pai
achará mais belo
e sua mãe
achará muito melhor
e você própria
na mesma proporção.”

28-Ele trouxe cerveja para ela,
porque ele era mais sábio,
assim que ela se sentou
caindo de sono.
“Agora eu terei minha vingança,
do meu sofrimento
sobre todos, menos uma,
na mulher perversa*.”

29-“Eu desejo,” disse Völundr,
“que eu fique sobre meus pés
de quando Níðuðr
me privou.”
Völundr rindo
elevou ao céu*,
Böðvildr chorando
foi embora da ilha,
triste por seu amor partir
e a fúria de seu pai.

30.Lá fora estava a sábia
esposa de Níðuðr,
e ela veio andando
da extremidade do salão,
-mas ele estava no muro do salão
sentado descansando-:
“Você está acordado,Níðuðr,
senhor de Níar?”

31-“Eu sempre estou acordado,
sem vontade
eu durmo
desde a morte de meus filhos;
minha cabeça está gelada,
teus conselhos são frios para mim,
eu desejo isso agora,
que eu fale com Völundr.

32-Me diga Völundr,
príncipe dos Álfar,
o que aconteceu
com meus saudáveis garotos.”

Völundr disse:

33-“Você deve jurar para mim
primeiro de tudo,
pela prancha do navio,
pela borda do escudo,
pelas costas do cavalo,
pela ponta da espada,
que você não atormentará
a esposa de Völundr*
nem da minha noiva
causará a morte,
embora eu tenho uma esposa
que você conhece
e possui um bebê
lá dentro do salão.

34-Vá para o forja,
que você construiu,
ali você encontrará o fole
coberto de sangue;
eu cortei em pedaços as cabeças
dos seus garotos,
e debaixo da fuligem das tiras do fole
coloquei os pés.

35-Os crânios deles,
que estavam debaixo dos cabelos,
eu fixei prata, por fora,
e dei para Níðuðr;
e de seus olhos,
fabriquei gemas preciosas
que eu dei sabiamente
para a esposa de Níðuðr,

36-Mas dos dentes
desses dois
eu fabriquei broches
que eu dei a Böðvildr;
agora Böðvildr andara
com o aumento de uma criança*,
a única filha
que vocês tiveram.”
Níðuðr disse:

37-“Você nunca disse uma palavra,
que me mais me afligiu,
nem eu te desejaria, Völundr,
pior injúria;
nenhum homem é tão alto,
de seu cavalo para te pegar,
nem tão forte,
que possa te atirar para baixo*,
onde você se distanciou
no alto do céu.”

38-Völundr rindo
elevou ao céu,
mas Níðuðr depressivo,
ficou então sentado depois disso.
Níðuðr disse:

39-“Levante-se, Þakkráðr,
o melhor dos meus servos,
peça a Böðvildr,
a donzela de alvas sobrancelhas,
de finas vestes vir
falar com seu pai.

40-Isso é verdade, Böðvildr,
o que me foi contado:
que você e Völundr se sentaram
juntos na ilha?”

Böðvildr disse:

41-“Isso é verdade,Níðuðr,
o que te contaram:
me sentei junto com Völundr,
na ilha
por um breve momento,
embora nunca deveria;
eu não soube como
me empenhar contra ele,
eu não fui capaz
de me empenhar contra ele.”

As Notas:

* Svíþjóð é a Suécia.
* Finnar são os Finlandeses.
* Úlfdalir significa Vale do Lobo.
* Úlfsjár significa Mar do Lobo.
* Embora elas sejam Valquirias, seus nomes não aparecem na lista de Valkyrjur da Edda em Prosa de Snorri.
* Valland significa Terra da Morte.
01/2* Significa Floresta Negra.
03/10* A Lei Primaria, o Destino.
10/3* Elfo. Völundr é identificado como sendo da raça dos elfos, que eram habilidosos ferreiros.
10/8* Retornado ao lar.
11/6* Ele estava acorrentado.
13/4* Novamente Völundr é associado aos Elfos.
13/5* Níðuðr havia chegado com seus homens para capturar Völundr acusando-o de ter roubado seu tesouro. É possível que Níðuðr por ser um rei pensava ser o dono das riquezas da terra e que outros deviam pagar-lhe tributo.Porém isso é mera suposição.
14/2* Grani é o nome do cavalo de Sigurðr Fáfnisbani. Völundr parece afirmar que sua riqueza não fazia parte do lendário tesouro dos Niflungar e nem pertencia a Níðuðr.
14/4* O rio Reno. Nota-se que o Reno é visto como um rio abundante em ouro segundo as
lendas.
16/2* As duas primeiras linhas foram colocadas aqui, mas não estão no manuscrito. Essas linhas foram recolocadas aqui tiradas das duas primeiras linhas da estrofe 30, mas com certeza se trata da esposa de Níðuðr.
16/8* Völundr. Ao que parece Völundr foi levado para o lar de Níðuðr.
17/8* Os tendões.
17/10 * Significa Habitação no Mar.
21/3* O baú aberto indica a queda dos irmãos.
22/8* A Þiðrekssaga af Bern relata que Völundr manda os filhos do rei embora com instruções, dizendo para eles voltarem quando a neve estiver caindo e fossem até lá andando de trás para frente. Na verdade Völundr havia planejado isso caso alguém descobrisse que os dois estiveram lá e assim ele poderia dizer que eles saíram em segurança e as pegadas na neve seriam a evidencia disso. Os dois assim fizeram e Völundr os matou.
26/5* O anel. Ao que parece esse anel que Völundr possuía antes de ser-lhe arrancado possuía poderes mágicos (ou ele encantou depois que ele o consertou) porque logo que o recuperou ele pode voar .Ele pretendia dar-lo para sua antiga esposa Alvitr. Isso é até possível já que Völundr era dito ser um elfo e os elfos eram hábeis em fabricar artefatos mágicos.
28/8* A rainha esposa de Níðuðr.
29/6* A Þiðrekssaga af Bern relata que Egill, o irmão de Völundr, veio em seu socorro atirando pássaros para que Völundr pudesse fabricar asas para poder fugir de Níðuðr. Porém, acredita-se que Völundr fabricou asas com plumagem de cisnes para poder fugir.
33/8* Böðvildr.
36/6* A Þiðrekssaga af Bern conta que Völundr retornou com um exército, matou Niðuðr e depois se casou com Böðvildr. Eles tiveram um filho chamado Vidia/Viðga/Witege. Conta-se que esse Vidia se tornou um grande herói germânico.
37/8* A Þiðrekssaga af Bern conta que Níðuðr obrigou Egill, a atirar em seu irmão Völundr, mas Völundr havia escondido um saco cheio de sangue debaixo do braço esquerdo e quando Egill atirou nele, ele acertou o saco, assim Níðuðr pensou que Völundr estava morto.

Essa tradução foi feita por Marcio Alessandro Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.® 2010
E-mail:asatruar42@hotmail.com


O Vafþrúðnismál (Edda Poética)

Vafþrúðnismál (Os Dizeres de Vafþrúðnir) é o terceiro poema da Edda Poética.No inicio temos os diálogos de Óðinn e Frigg e depois Óðinn e o gigante.Esse poema tem uma rica descrição da cosmogonia nórdica que também foi usado por Snorri em sua Edda em Prosa.O poema está preservado no Codex Regius e parcialmente no AM 748 I 4to.

Vafþrúðnismál

Óðinn disse:
01-“Me de seu conselho agora Frigg, porque eu desejo ir até o sábio Vafþrúðnir. Eu estou muito ansioso para trocar velhos conhecimentos com o todo-sábio jötunn.”

Frigg disse:
02-“Eu aconselho você ficar em casa, Herjaföðr*, na terra nos deuses, pelo que sei nenhum jötunn é tão poderoso como Vafþrúðnir.”

Óðinn disse:
03-“Eu tenho amplamente vagado, ousando muitas proezas, freqüentemente desafiando os Regin*; agora Eu preciso saber como Vafþrúðnir vive em seu salão.”

Frigg disse:
04-“Então viaje em segurança e retorne depois em segurança, fique em segurança na estrada. Possa oeði o servir, Aldaföðr*, quando você for falar com o jötunn.”

05-Óðinn seguiu viagem para testar a sabedoria das palavras do todo-sábio jötunn. Ele chegou no salão do pai de Ím*,
e lá Yggr* imediatamente entrou.”

Óðinn disse:
06-“Salve Vafþrúðnir! Eu vim em seu salão agora para ver você pessoalmente. Primeiro de tudo Eu queria saber se você é sábio, jötunn,se você é todo-sábio.”

Vafþrúðnir disse:
07-“Que homem é esse? quem desfere palavras para mim em meu salão? Você não partirá a menos que você seja mais sábio.”

Óðinn disse:
08-“Gagnráðr*,Eu sou chamado, e Eu estou sedento da minha viagem para seu salão. Eu preciso de um acolhimento, jötunn, e sua recepção, por Eu ter viajado tão longe.”

Vafþrúðnir disse:
09-“Por que então, Gagnráðr, você fala do fundo do recinto? Tome um assento no salão, então nós veremos se o convidado ou o velho sábio tem maior inteligência.”

Óðinn disse:
10-“Deixe o pobre homem que visita o homem rico dizer o que é necessário e segurar sua língua. Falar demais trará a ele, Eu acho, nenhum bem, quando visitar um homem austero.”

Vafþrúðnir disse:
11-“Me diga Gagnráðr, desde que você quer testar seu poder aí do fundo do recinto: qual é o nome do cavalo, que puxa Dagr* acima da humanidade?”

Óðinn disse:
12-“Skinfaxi, ele é chamado, que puxa Dagr através do céu e acima da humanidade todo dia. Para os Hreiðgotum* ele parece o melhor. A juba desse cavalo brilha.”

Vafþrúðnir disse:
13-“Me diga Gagnráðr, desde que você quer testar seu poder aí do fundo do recinto: Como eles chamam o cavalo
que puxa Nótt* do leste para os bons Regin?”

Óðinn disse:
14-“Hrímfaxi ele é chamado, quem assim traz novamente Nótt para os Regin. Ele baba espuma toda manhã; desse modo vem os orvalhos para os vales.”

Vafþrúðnir disse:
15-“Me diga Gagnráðr, desde que você quer testar seu poder aí do fundo do recinto: Como é chamado o rio, que divide o reino dos deuses do reino dos filhos dos Jötnar?”

Óðinn disse:
16-“Ífingr,esse rio é chamado, que divide o reino dos filhos dos Jötnar do reino dos deuses. Sempre correrá, e nunca congelará.”

Vafþrúðnir disse:
17-“Me diga Gagnráðr, desde que você quer testar seu poder aí do fundo do recinto: Como eles chamam o campo, onde Surtr e os amados deuses se encontraram em guerra?”

Óðinn disse:
18-“Vígriðr o campo é chamado, onde Surtr e os amados deuses se encontraram em guerra. O campo que os dividira está
a cem léguas em todas as direções. Para eles esse campo está predestinado.”

Vafþrúðnir disse:
19-“Você é totalmente instruído, meu convidado. Agora venha para o banco do jötunn, e nos deixe falar sentado. Nós dois apostaremos nossas cabeças no salão meu convidado, em sabedoria.”

Óðinn disse:
20-“Me diga em primeiro,Vafþrúðnir, se oeði o serve, e você sabe: Como a Jörð e os Upphiminn* vieram a existir, oh sábio jötunn?”

Vafþrúðnir disse:
21-“A Jörð foi formada da carne de Ymir, as montanhas de suas pernas, e os Upphiminn do crânio gelado do jötunn,
e o mar de seu sangue.”

Óðinn disse:
22-“Me diga em segundo, Vafþrúðnir, se oeði o serve,e você sabe: Como Máni* viaja sobre os homens, e também como a Sól, veio a existir?”

Vafþrúðnir disse:
23-“O pai de Máni é chamado Mundilfari. Ele é também o pai da Sól. Eles viajam pelos céus todo dia para contar o tempo.”

Óðinn disse:
24-“Me diga em terceiro, Vafþrúðnir, por eles dizerem que você é sábio, e você sabe: Como Dagr viaja acima dos homens, a Nótt, e as fases da lua vieram a existir?”

Vafþrúðnir disse:
25-“Dellingr* é chamado o pai de Dagr. Nótt foi nascida de Nörvi*.Os Regin moldaram as luas nova e minguante para contar o tempo.”

Óðinn disse:
26-“Me diga em quarto, desde que eles dizem, Vafþrúðnir, que você é sábio, e você sabe: Como o Vetr e o caloroso Sumar* vieram a existir entre os sábios Regin?”

Vafþrúðnir disse:
27-“Vindsvalr ele é chamado, que é o pai do Vetr, e Svásuðr teve Sumar”.

Óðinn disse:
28-“Me diga em quinto, desde que eles dizem, Vafþrúðnir, que você é sábio, e você sabe: Quem é o mais velho dos gigantes, descendentes de Ymir, no inicio dos tempos?”

Vafþrúðnir disse:
29-“Durante incontáveis invernos, antes da terra ser formada, Bergelmir nasceu, seu pai era Þrúðgelmir, e seu pai era Aurgelmir*.”

Óðinn disse:
30-“Me diga em sexto, Vafþrúðnir, desde que eles dizem que você é sábio, e você sabe: de onde veio Aurgelmir e os filhos dos Jötnar de inicio, sábio jötunn?”

Vafþrúðnir disse:
31-“Gotas de veneno saltaram de Élivagar e aumentou até que um jötunn nasceu. De lá vem toda nossa tribo, e nossa ferocidade.”

Óðinn disse:
32-“Me diga em sétimo, Vafþrúðnir, desde que eles dizem que você é sábio, e você sabe: Como fez o incontrolável jötunn para ter crianças quando ele não teve o prazer de uma gýgr*?”

Vafþrúðnir disse:
33-“Abaixo do braço do Hrímþurs* eles dizem que uma filha e um filho junto nasceram. De um pé junto ao outro,o sábio jötunn teve um filho de seis cabeças.”

Óðinn disse:
34-“Me diga em oitavo, Vafþrúðnir, desde que eles dizem que você é sábio, e você sabe: Qual é sua mais antiga memória, seu mais antigo conhecimento, desde que você é sábio,jötunn?”

Vafþrúðnir disse:
35-“Em incontáveis invernos, antes da formação do mundo, Bergelmir* nasceu. A primeira coisa que eu recordo é o sábio jötunn sendo colocado em um barco.”

Óðinn disse:
36-“Me diga em nono,Vafþrúðnir, desde que eles dizem que você é sábio, e você sabe: De onde vem o Vindr* que viaja
sobre as ondas, mas é invisível pelo homem?”

Vafþrúðnir disse:
37-“Ele é chamado Hræsvelgr, que senta no fim do céu, um jötunn na forma de águia. Eles dizem que o vento se origina de suas asas e acima da humanidade.”

Óðinn disse:
38-“Me diga em décimo,Vafþrúðnir, desde que você sabe as proezas de todos os Tívar*: Como Njörðr veio a ficar entre os filhos do Æsir? Seus templos e santuários são numerosos, mas ele não foi gerado entre os Æsir.”

Vafþrúðnir disse:
39-“Ele foi criado em Vanaheimr pelos sábios Regin que o deram como refém para os deuses. Na última era ele retornará
ao lar dos sábios Vanir.”

Óðinn disse:
40-“Me diga em décimo primeiro: Quem são os homens que viajam para os campos para matar um ao outro todo dia?”

Vafþrúðnir disse:
41-“Todos os Einherjar* matam um ao outro no campo de Óðinn todo dia. Eles escolhem os mortos, então cavalgam de volta do combate, e se sentam como amigos.”

Óðinn disse:
42-“Me diga em décimo segundo, as proezas de todos os Tívar, Vafþrúðnir,desde que você sabe. Desde que dizem que você é o mais sábio nas runas dos Jötnar e todos os deuses, todo-sábio jötunn.”

Vafþrúðnir disse:
43-“Das runas dos Jötnar e todos os deuses eu posso falar a verdade, porque eu estive no mundo. Eu andei nos nove mundos, e abaixo do Níflhel para onde os homens mortos vão para Hel.”

Óðinn disse:
44-“Longe Eu tenho viajado, muito eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin. Quais Homens viverão, quando o grande Fimbulvetr* chegar para a Humanidade?”

Vafþrúðnir disse:
45-“Líf e Leifþrasir,se esconderão nos bosques de Hoddmímir*. Eles terão o orvalho das manhãs como sua comida
Assim deve a humanidade ser nutrida.”

Óðinn disse:
46-“Longe Eu tenho viajado, muito Eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin. Como virá a Sól para suavizar o céu uma vez que foi morta por Fenrir*?”

Vafþrúðnir disse:
47-“Alfröðull* dará à luz a uma filha antes dela ser morta por Fenrir. Quando os Regin morrer, essa donzela cavalgará
o caminho de sua mãe*.”

Óðinn disse:
48-“Longe Eu tenho viajado, muito Eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin. Quem são as donzelas de mentes sábias que viajam acima do mar?”

Vafþrúðnir disse:
49-“Três tribos de donzelas descendem da vila de Mögþrasir. Elas trazem Hamingjur* para seus lares, embora eles são parentes dos Jötnar.”

Óðinn disse:
50-“Longe Eu tenho viajado, muito Eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin. Quais os Æsir que governarão a terra quando o fogo de Surtr se extinguir?”

Vafþrúðnir disse:
51-“Víðarr e Váli* habitarão no santuário dos deuses quando o fogo de Surtr se extinguir. Móði e Magni* receberão o Mjöllnir quando Vingnir* terminar o combate.”

Óðinn disse:
52-“Longe Eu tenho viajado, muito Eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin.
Quem trará a morte de Óðinn quando os Regin forem arruinados?”

Vafþrúðnir disse:
53-“O lobo irá tragar o Aldaföðr, Mas Viðarr irá vinga-lo. Ele partirá a fria mandíbula do lobo em combate.”

Óðinn disse:
54-“Longe Eu tenho viajado, muito Eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin. O que Óðinn disse ao ouvido de seu filho antes que ele fosse levado a pira*?”

Vafþrúðnir disse:
55-“Nenhum homem sabe o que você falou para seu filho no inicio dos tempos. E foi com a boca condenada que eu falei velhos contos e falei do Ragnarökr.

Agora eu troquei minha sabedoria em palavras com Óðinn. Você é o mais sábio.”

As Notas:
02/1* Herjaföðr é outro nome de Óðinn.
03/2* Regin são os deuses.
04/3* O oeði é a inspiração,e Aldaföðr é outro nome de Óðinn.
05/3* Vafþrúðnir é pai de Ím.
05/4* Yggr é outro nome de Óðinn.
08/1* Óðinn usou esse nome de disfarce.
11/4* Dagr é o dia.
12/3* Não se sabe ao certo quem são os Hreiðgotum.
13/4* Nótt é a noite.
20/3* Jörð é a Terra e os Upphiminn é os Céus.
22/3* Máni é a lua.
25/1* Dellingr é da família dos Æsir, segundo Snorri.
25/2* Nörvi é um gigante.
26/3* Vetr é o inverno e Sumar o verão.
27/3* Bugge acrescentou duas frases da Edda de Snorri:
(“Vindsvalr foi nascido de Vasuð.)
(que é de família de coração frio.”).
29/4* Aurgelmir é outro nome de Ymir.
32/4* Gýgr significa giganta.
33/1* Hrímþurs é outro nome para se referir a Ymir.
35/3* Bergelmir é o gigante que se salvou do sangue de Ymir quando ele foi morto pelos deuses.
36/3* Vindr é o vento.
38/2* Tívar são os deuses.
41/1* Einherjar são os guerreiros de Óðinn.
44/3* Fimbulvetr é o grande inverno que anuncia o Ragnarökr.
45/2* Hoddmímir holt é (aparentemente) outro nome de Yggdrasil (?).
46/4* Sköll é dito devorar a Sól na Edda em prosa.
47/1* Alfröðull é outro nome da Sol.
47/4* Ela fará o mesmo curso que sua mãe fazia.
49/3* Pensa-se que ‘Elas’ são as Nornir mas isso é incerto.Hamingjur é a força mágica móvel muito parecida com o ‘mana’ de outras tradições.Hamingja muitas vezes é definida como ‘sorte’ ou ‘espírito guardião’.
51/1* Víðarr e Váli são filhos de Óðinn.
51/3* Móði e Magni são filhos de Þórr.
51/4* Vingnir é outro nome de Þórr.
53/1* Aldaföðr é outro nome de Óðinn.
54/4* Esse filho sem dúvida é Baldr, possivelmente Óðinn contou a ele sobre a chegada do Ragnarökr e seu significado de renascimento…Há também a possibilidade de que Baldr ficou no Hel para se proteger do fim e esse seria o plano real de Óðinn, enfim são apenas suposições…

Essa tradução foi feita por Marcio A. Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.


Signos Nórdicos

Não tem embasamento histórico, mas co-relacionando aos signos que conhecemos tem fundamento.

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DESCRIÇÃO DOS SIGNOS:

BILSKIRNIR – (21/03 a 20/04) (Áries)

“O Relâmpago”, a morada de Thor.
Pessoa jovial, espirituosa, incansável, bastante comunicativa, de sentimentos rápidos e intensos, enfrenta tudo na vida e não conhece a palavra medo. Ama a independência, porém, com limites, principalmente, no que se refere à segurança afetiva.

THRYMHEIM – (21/04 a 20/05) (Touro)

“A Casa do Trovão”, Residência da Deusa Skadhi.
Pessoa que tende a ser fatalista, contudo é cautelosa e perseverante, voltada à busca do prazer, que envolve boa comida, boa roupa e bem-estar material e espiritual. Sua generosidade a leva a vastos rasgos de hospitalidade, é um dos melhores anfitriões do zodíaco e gosta de agradar os amigos

FOLKVANG – (21/05 a 20/06) (Gêmeos)

“O Campo dos Guerreiros”, Constituído por 9 castelos onde a Deusa Freya recebia a metade das almas dos guerreiros mortos em batalhas. Você é comunicativo, curioso, inteligente, rápido para se apaixonar, e diz tudo o que pensa. Possuem grande apego a família e uma mudança repentina de humor.

HIMMINBJORG – (21/06 a 21/07) (Câncer)

“O Salão Celeste”, a morada do Deus Heimdall. O “Deus Brilhante”, o guardião da ponte Bifrost. Você é introvertido, imaginativo e sonhador, refugia-se em sua casa sempre que pressente o perigo, pois precisa de proteção. Apesar da índole pacífica, é desconfiado e sujeito ao desânimo, sensível.

BREIABLIKK – (22/07 a 22/08) (Leão)

“A Vista Abrangente”, morada de Baldur, o Deus Luminoso Solar. Liderança, oriunda de sua impressionante personalidade, coragem e ambição garantem muito sucesso, pois, está mais atento aos seus méritos de que aos seus limites. Graças à influência do Sol, é transparente em seus pensamentos sendo avesso aos subterfúgios.

SOKKVABEKK – (23/08 a 22/09) (Virgem)

“O Rio do Tempo e dos Ventos”, local onde residia Saga, e que Odin visitava diariamente para beber do rio das memórias antigas. Prático, organizador, observador, introspectivo e crítico. Mesmo não sendo expansivo, mostra-se afetuoso. De temperamento tranquilo e laborioso. Alegre e bem humorado, dotado de muita força mental.

GLITNIR – (23/09 a 22/10) (Libra)

“O Salão do Esplendor” pertencia ao Deus Forseti. Dotado de poderosa aura magnética, consegue equilibrar suas paixões com a reflexão. Seu maior defeito é a indecisão. Se for sensível e emotivo consigo mesmo e com seus familiares, pouco se abala com o que acontece aos outros. Possui temperamento conciliador, buscando sempre harmonia e perfeição.

GLADSHEIM – (23/10 a 21/11) (Escorpião)

“O Lar Resplandecente”, onde ficava Valhalla. Indivíduo inteligente, criativo, persistente e que provoca certo mistério à seu respeito. É, também, arredio, desconfiado e rancoroso, no entanto, sua marca fundamental é a coragem, mesmo que desconheça o equilíbrio e a moderação.

YDALIR – (22/11 a 21/12) (Sagitário)

“O Vale dos Teixos”, que abrigava a cabana de Ullr, Deus arqueiro e caçador. Trata-se de um indivíduo sensível, intuitivo, animado, com muita vitalidade e dono de um organismo saudável e resistente. O perigo não o intimida, podendo expressar-se com sabedoria. A atividade esportiva garante seu equilíbrio físico e mental. Dificilmente se abate diante das adversidades da vida. Ninguém ganha o sagitariano em autenticidade, energia e otimismo.

LANDVIDI – (22/12 a 20/01) (Capricórnio)

“A Terra Branca” representava o reino de Vidar, filho silencioso de Odin. Introvertido metódico, prudente, possui amor à liberdade, independência, persistência e determinação. No campo afetivo é desconfiado, mas fiel, dedicando tempo e energia aos seus interesses profissionais, por isso, corre o risco de colocar o amor em segundo plano; Não deixa transparecer seus verdadeiros sentimentos, ocultando-os sob aparente calma.

VALASKJALF – (21/01 a 19/02) (Aquário)

“O Saguão Prateado”, morada de Vali, filho de Odin e vingador da morte de Baldur. Está voltado para o futuro e é muito dedicado às pessoas; costuma ser caprichoso, independente e cordial; geralmente, tem uma alma racional e ao mesmo tempo voltada para projetos extravagantes. O coração e o cérebro se comunicam perfeitamente na motivação dos seus atos.

NOATUN – (20/02 a 20/03) (Peixes)

“O Navio” pertencia a Njord, Deus dos Mares e pai de Frey e Freyja. Indivíduo emotivo, receptivo e inteligente. Diante das dificuldades costuma refugiar-se em seu mundo interno ou no misticismo. É compreensivo, possuindo espírito humanitário, sensibilidade mediúnica e inclinações artísticas.

Fonte: https://www.facebook.com/magnuschasedepressao/photos/a.712411222145897.1073741828.711957362191283/723243461062673/?type=1&theater


O Þrymskviða (Edda Poética)

Þrymskviða (A Canção de Þrymr) é um dos poemas mais famosos da Edda Poética. O mito nórdico teve popularidade duradoura pela Escandinávia e continuou sendo contado e cantado em diversas formas até o século 19.

Þrymskviða

01-VingÞórr* estava furioso.Quando acordou seu martelo tinha desaparecido.
Sua barba tremia* e seu cabelo eriçou.
O filho de Jörð* começou a procura-lo.

02-Essas são as primeiras palavras que ele falou:
“Ouça-me Loki,para o que eu vou lhe falar.
Ninguém sabe ainda em lugar algum no céu ou na terra que o martelo do Áss* foi roubado.”

03-Eles foram para o belo lar de Freyja:
e primeiro falou com ela nessas palavras:
“Você irá me emprestar seu casaco de penas*, Freyja,de forma que Eu possa encontrar meu martelo?”
Freyja disse:

04-“Eu darei isto a você mesmo se fosse feito de ouro ou prata.”

05-Então o casaco de penas zumbiu e Loki voou até que ele saiu de Asgarðr e chegou até Jötunheimr.

06-Þrymr o senhor dos Þursar* estava sentado sobre um monte trançando coleiras de ouro para seus cães cinzentos
e igualando as jubas de seus cavalos.
Þrymr disse:

07-“Como vai os Æsir?Como vai os Álfar*?
Por que você veio até Jötunheimr?”
Loki disse:
“Vai mal os Æsir,vai mal os Álfar.
Você escondeu o martelo de Hlórriði*?”
Þrymr disse:

08-Eu escondi o martelo de Hlórriði oito léguas abaixo da terra.
Ninguém conseguirá isso de volta, a menos que tragam Freyja para mim como esposa.”

09-O casaco de penas zumbiu e Loki voou
até que ele saiu de Jötunheimr e foi para a terra dos Æsir.
Ele se encontrou com Þórr no meio da terra quem primeiro falou com ele com essas palavras.

10-“Você tem novidades tão bem como dificuldades?
Me diga,enquanto ainda está no ar, as notícias prolongadas. Enquanto se senta a história pode falhar, enquanto mentir pode se tornar uma mentira*.”
Loki disse:

11-“Eu tenho dificuldades e novidades.
Þrymr o senhor dos Þursar tem seu martelo, e ninguém conseguirá isso de volta a menos que traga a ele Freyja como esposa.”

12-Eles foram para o belo lar de Freyja e Þórr primeiro falou essas palavras:
“Freyja,vista o véu nupcial, juntos nós dirigiremos para Jötunheimr.”

13-Freyja ficou furiosa e bufou de raiva.
O salão inteiro dos Æsir tremeu, e o grande colar Brísinga foi quebrado em pedaços*.
“Eu serei pensada como uma prostituta se eu ir para Jötunheimr com você.”

14-Então todos os Æsir e Ásynjur* foram para a Thing* para debaterem.
Os Tívar regentes* tentavam encontrar uma maneira de como eles conseguiriam o martelo de Hlórriði de volta.

15-Heimdallr,o mais branco dos Æsir, quem,como um Vanir*, podia ver a grandes distancias, falou:
“Deixe-nos colocarmos o véu nupcial em Þórr e o grande colar Brísinga.”

16-“Deixe as chaves* oscilarem nele e deixe o vestido cair em seus joelhos deixe pedras preciosas ornarem seu peito
e que sua cabeça seja corretamente coberta.”

17-Þórr,o poderoso Áss, falou:
“O Æsir me chamaram de ergi* se eu me permitir ser vestido em véu nupcial.”

18-Então Loki falou, o filho de Laufey:
“Silêncio Þórr! Não diga mais nada! A menos que você consiga seu martelo de volta, os Jötnar logo habitaram em Asgarðr.”

19-Eles vestiram Þórr em véu nupcial e com o grande colar Brísinga e deixaram chaves oscilarem sobre ele. Usando vestimentas de mulheres até seus joelhos, pedras preciosas estavam em seu peito, e eles ajustaram a cabeça dele com um capuz.

20-Então Loki falou, o filho de Laufey:
“Eu irei com você e serei a criada. Nós dois nos dirigiremos para Jötunheimr.”

21-Logo os bodes* foram dirigidos para a casa. Eles aceleraram os arreios e correram bem.
As montanhas se partiam e chamas chamuscavam a terra quando o filho de Óðinn* viajava para Jötunheimr.

22-Então Þrymr falou, o senhor dos Þursar:
“Levantem-se Jötnar,e espalhem os bancos com palha!
Agora eles estão trazendo Freyja, a filha de Njörðr do Nóatún aqui para mim como noiva.”

23-“Vacas de chifres dourados* e bois inteiramente negros pastam aqui na terra para o prazer dos Jötnar.
Eu possuo muitos tesouros e tenho muitas jóias. Parece que falta só Freyja para mim.”

24-A noite veio logo e a cerveja foi trazida para os Jötnar.
O marido de Sif* comeu um boi, oito salmões, e todas as delicadezas das mulheres*, e bebeu três tonéis de hidromel.

25-Então Þrymr falou, o senhor dos Þursar:
“Onde você tem visto uma noiva morder tão afiado?
Eu nunca vi uma noiva morder tão amplamente ou beber tanto hidromel.”

26-A instruída criada* se sentou lá e encontrou palavras para falar para o jötunn:
“Freyja jejuou oito noites, tão loucamente ansiosa ela estava por Jötunheimr.”

27-Ele puxou o véu, cobiçando um beijo, mas pulou para atrás da outra extremidade do salão.
“Como são terríveis os olhos de Freyja!
O fogo parece queimar nesses olhos*.”

28-A instruída criada se sentou lá e encontrou palavras para falar para o jötunn:
“Freyja não tem dormido por todas essas oito noites, tão loucamente ansiosa ela estava por Jötunheimr.”

29-A irmã do maléfico jötunn entrou, ousando perguntar por presentes nupcial*:
“Me de da sua mão esses anéis vermelhos, se você quer ter o meu amor, meu amor e toda a minha amizade.”

30-Então Þrymr falou,o senhor dos Þursar:
“Traga o martelo para santificar a noiva!”
Ele colocou Mjöllnir sobre o joelho da noiva*:
“Consagre nós dois juntos pela mão de Vár*!”

31-O coração de Hlórriði riu em seu peito quando ele viu o martelo.
Primeiro ele matou Þrymr,o senhor dos Þursar, e então esmagou todos os parentes do jötunn.

32-Então ele golpeou a velha irmã dos Jötnar, ela quem tinha exigido presentes nupciais.
Ela recebeu um golpe habilidoso em vez disso, um golpe do martelo em vez de um montão de anéis.
E então o filho de Óðinn conseguiu seu martelo de volta.

As Notas:
01/1* VingÞórr é outro nome de Þórr.
01/3* Uma saga conta que quando a barba de Þórr sacudia produzia tempestades.
01/4* Þórr é o filho de Jörð.
02/4* Áss significa deus e se refere ao próprio Þórr.
03/3* Casaco de penas é a forma de falcão de Freyja.
06/1* Þursar são os gigantes.
07/1* Álfar são os elfos.
07/4* Hlórriði é outro nome de Þórr.
10/4* Isso parece indicar que Loki poderia inventar algo para Þórr, por isso o Deus pede a Loki para ser rápido ao contar as novidades.
13/3* O colar foi despedaçado mas nas estrofes 15 e 19 ele aparece inteiro novamente.
14/1* Ásynjur são as deusas.
14/2* Thing é a assembléia dos povos nórdicos.
14/3* Tívar regentes são os deuses.
15/2* Heimdallr aqui é referido como um outro Vanir.
16/1* As chaves são o símbolo das mulheres casadas e noivas.
17/1* Ergi é uma forma de chamar um homem com modos femininos.
21/1* Os bodes de Þórr que puxam seu carro foi trazido até os deuses para eles seguirem viagem para o mundo dos gigantes.
21/4* Þórr.
23/1* Na Gautrek Saga é dito que o fazendeiro Rennir tinha os chifres de seus bois favoritos enfeitados com ouro e prata.
24/3* Þórr.
24/4* Possivelmente se trata de algum alimento dedicado a noiva ou as mulheres do noivado.
26/1* Loki disfarçado de criada.
27/4* Aqui indica o olhar fulminante de Þórr, que também aparece nas miniaturas de martelo encontrados pela Escandinávia usado pelos Vikings. Esses pequenos martelos tinham o olhar fulminante, o bico de águia, e barba que são os símbolos de Þórr.
29/2* O dote.
30/3* Þórr e seu martelo são agentes da fertilidade. É notavelmente semelhante ao poemas rúnicos referente a runa Þurisaz.
30/4* Vár é a nona das deusas, segundo Snorri. Ela protege os juramentos e os votos feitos entre homens e mulheres. Ela se vinga de todos os que quebram esses juramentos.
Essa tradução foi feita por Marcio A. Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.


Skírnismál (Edda Poética)

Skírnismál (Os Dizeres de Skírnir) é um dos poemas da Edda Poética. O poema foi preservado no século 13, nos manuscritos Codex Regius e AM 748 I 4to mas pode ter sido originalmente composto em tempos pagãos. Acredita-se que o poema era encenado, talvez em um tipo de hiéros gamos (casamento sagrado).

Skírnismál

Freyr, o filho de Njörðr, tinha se sentado no Hliðskjálf, e visto todos os mundos. Ele olhou em Jötunheimr, e lá ele viu uma linda donzela saindo do salão de seu pai e indo para jardim dela. Desde então ele caiu em uma profunda depressão. O servente de Freyr era chamado
Skírnir. Njörðr mandou ele para falar com Freyr.

Skaði disse:

01-“Levante-se agora Skírnir e vá pedir a meu filho* que fale. Pergunte ao sábio com quem ele está bravo.”

Skírnir disse:

02-“Palavras ruins eu terei de seu filho se eu ir falar com o rapaz e perguntar ao sábio com quem ele está bravo.”
03-“Me diga Freyr, líder de guerra dos deuses, o que eu desejo saber.
Por que você se senta sozinho, triste no salão, o dia todo meu senhor?”

Freyr disse:

04-“Como eu direi a você, oh jovem herói, a minha preocupação? É porque a Álfröðull* brilha todo dia e não sobre meu coração.”

Skírnir disse:

05-“Eu não acho que seu amor é tão grande que você não possa me dizer, herói, quando nós éramos jovens em dias de outrora nós podíamos confiar um no outro tão bem.”

Frey disse:

06-“No salão de Gymir eu vi a amada donzela andar perante mim e de lá os braços dela brilhavam o céu e o mar.
07-“A donzela é mais amada por mim do que tem sido por qualquer outro homem em dias de outrora. Nem os Æsir ou Álfar* ou qualquer homem deseja que nós fiquemos juntos.”

Skírnir disse:

08-“Me de o cavalo então, que eu possa usar através da escuridão e o famoso fogo chamejante* e me de a espada que balança sozinha
contra a tribo dos Jötnar*.”

Freyr disse:

09-“Eu darei a você o cavalo para usar acima da escuridão e do famoso fogo chamejante, e a espada que balança sozinha se for sábio para empunha-la.”

Skírnir falou para seu cavalo:
10-“É escuro lá fora. Agora eu digo, deixe nos viajar adiante acima das demoradas montanhas* sobre a tribo dos Þursar*. Ambos de nós voltaremos ou o grande jötunn levará nós dois.”

Skírnir cavalgou para Jötunheimr até que ele chegou na corte de Gymir onde lá estava os selvagens cães amarrados em postes de madeira do portão que ficava antes do salão de Gerð. Ele cavalgou adiante até o pastor sentado sobre um monte e falou para ele:

11-“Me diga pastor, você que senta sobre o monte da colina, que guarda todos os caminhos, como nós podemos chegar a falar com a jovem donzela longe dos cães cinzentos de Gymir.”

Hirðir* disse:

12-“Você está atado a morte ou é morto? Você nunca conversará com a boa filha de Gymir.”

Skírnir disse:

13-É melhor ser corajoso que lamentar por aquele que deseja viajar. Um dia minha vida foi gerada e uma vida longa foi oferecida a mim.”

Gerð disse:

14-“Que barulho é esse que ouço agora em nosso salão? A terra treme e tudo na terra de Gymir treme.”

Ambátt* disse:

15-“Há um homem lá fora que desceu das costas de seu cavalo. E deixou seu cavalo no pasto.”

Gerð disse:

16-“O convide para entrar em nosso salão e beber o hidromel da donzela! Embora eu temo que do lado de fora possa ser o matador de meu irmão*.”

17-“Você é um dos Álfar ou um filho dos Æsir ou um sábio Vanir? Por que você veio sozinho sobre o fogo selvagem para ver nosso salões?”

Skírnir disse:

18-“Eu não sou um dos Álfar ou um filho dos Æsir nem um sábio Vanir, embora eu venho sozinho sobre o fogo selvagem para ver seus salões.”
19-“Eu tenho aqui onze maçãs de ouro* que eu darei a você, Gerð, para iniciar um acordo de modo que você dirá que Freyr é para você o homem mais amado que existe.”

Gerð disse:
20-“Eu nunca aceitarei suas onze maçãs de ouro por amor de qualquer homem, e não de Freyr. Enquanto nossas vidas durarem, nós não viveremos junto.”

Skírnir disse:

21-“Eu darei a você o anel que foi queimado com o jovem filho de Óðinn*. Oito anéis de peso igual caem dele a cada nove noites.”

Gerð disse:

22-“Eu não desejo o anel, embora ele foi queimado com o jovem filho de Óðinn. Eu não sinto falta de ouro no salão de Gymir pois a abundância de meu pai eu compartilho.”

Skírnir disse:

23-“Você vê essa espada afiada brilhante que eu tenho aqui em minha mão, donzela? Eu cortarei sua cabeça de seu pescoço a menos que você concorde comigo.”

Gerð disse:

24-“Ameaças nunca me forçaram a fazer o desejo de qualquer homem, embora eu acho que se Gymir encontrar você, ele lutará se te  encontrar aqui.”

Skírnir disse:

25-“Você vê essa espada afiada brilhante que eu tenho aqui em minha mão, donzela? Perante essa lâmina o velho jötunn cairá, seu pai será um homem morto.”
26-“Eu golpearei você com o cajado mágico* e eu dobrarei você, donzela, para fazer minha vontade. Você irá para onde os filhos dos homens
nunca mais verá você de novo.”
27-“Você se sentará para sempre no monte da águia*. Você se afastará de seu lar e irá para Hel. A comida será mais repugnante para você que a brilhante serpente* é para os homens.”
28-“Você se tornará um espetáculo quando sair. Hrimnir* olhará em você e cada espírito olhará em você. Você será mais conhecida
que o guardião dos deuses, você bocejará através do portão*.”
29-“Loucura e lamentação, grilhões e impaciência aumentarão em você. Você se sentará e eu te ordenarei grande sofrimento e dupla aflição.”
30-“Inimigos subjugaram você através de dias escuros e na corte dos Jötnar você rastejará sem escolha ou sem esperança de escolha,
no salão do Hrímþursa* todo dia. Você terá choro por diversão, e você conhecerá a aflição e lágrimas.”
31-“Você sempre habitará com o Þurs* de três cabeças ou ficará sem marido.
Sua mente será estúpida e sua aflição irá consumir você.
Possa você ser como o cardo* tirado do topo das colheitas.”
32-“Eu andei nos bosques, em florestas úmidas para conseguir um Gambantein* e eu consegui um Gambantein.”
33-“Óðinn está furioso com você, Ásabragr* está furioso com você, Freyr odiará você donzela maldosa, você contraiu a mágica fúria dos deuses.”
34-“Me ouça agora Jötnar! Me ouça agora Hrímþursar*! Filhos de Suttung*, e os amigos dos Æsir! Ouça agora eu proíbo, como eu proíbo a alegria da humanidade para a donzela e a companhia dos homens para a donzela.”
35-“O Þurs* chamado Hrímgrímnir terá você em baixo de Nágrindr*. Onde o escravo dará para você, abaixo das raízes das árvores, mijo de cabra para beber. Você nunca mais tomará outra bebida. Isto é por seu próprio desejo, donzela, é por meu próprio desejo, donzela.”
36-“Eu esculpirei uma runa Þurs* para você e três bastões, ergi*, loucura e impaciência. Eu posso tirar fora os riscos* da mesma maneira que eu posso coloca-los se a necessidades surgir.”

Gerð disse:

37-“Bem vindo agora heróico rapaz e tome esse copo fresco cheio de venerável hidromel, embora eu nunca pensei que eu deveria sempre
amar o filho do Van.”

Skírnir disse:

38-“Eu quero saber se fiz toda minha incumbência antes que Eu cavalgue de volta daqui. Quando você conhecerá num encontro
o forte filho de Njörðr?”

Gerð disse:

39-“Nós dois sabemos que há um quieto bosque chamado Barri. Depois de nove noites, então Gerð dará seu amor
para o filho de Njörðr.”
Então Skírnir cavalgou de volta ao lar. Freyr estava do lado de fora e falou com ele perguntando por novidades.
40-“Me diga Skírnir, antes de você desarreie o cavalo, e antes que você de um passo, o que você ganhou em Jötunheimr que foi de meu prazer ou teu?”

Skírnir disse:

41-“Nós dois sabemos que há um quieto bosque chamado Barri. Depois de nove noites Gerð dará seu amor para o filho de Njörðr.”

Freyr disse:

42-“Uma noite é longa. Duas mais ainda. Como Eu deverei suportar três? Freqüentemente um mês parecia menos para mim que esperar a metade desse tempo, a noite de núpcias.”

As Notas:
01/2* Skaði chama Freyr de seu filho, embora outras fontes dizem que a mãe de Freyr é a irmã de Njörðr (que nunca foi nomeada, embora, talvez, seja Jörð).
04/3* Álfröðull é a Sól.
07/3* Æsir e Álfar são respectivamente os deuses e os elfos.
08/2* Parece ser um círculo mágico de fogo ao redor do lar de Gymir.
08/4* Jötnar são os gigantes.
10/2* Montanhas são abundantes em Jötunheimr.
10/3* Þursar são os gigantes.
*Hirðir significa Pastor.
*Ambátt significa donzela servente.
16/4* Seria Beli esse irmão? Beli foi morto por Freyr.
19/1* As maçãs são símbolos da fertilidade e imortalidade.
21/2* O anel é Draupnir e o filho de Óðinn em questão é Baldr.
26/1* Cajado mágico talvez seja aqueles bastões rúnicos ou outro talismã mágico.
27/1* Parece ser a montanha onde Hræsvelgr se senta na forma de águia.
27/4* Jörmungandr?
28/2* Hrímnir é um gigante.
28/4* Estrofe de difícil interpretação.
30/5* Hrímþursa significa gigante de gelo.
31/1* Þurs significa gigante.
31/5* Cardo é uma planta de folhas espinhosas.
32/2* Gambantein significa talismã mágico.
33/1* Ásabragr é outro nome de Þórr, segundo Snorri.
34/1* Jötnar e Hrímþursar são os gigantes.
34/2* Suttung é um gigante de quem Óðinn roubou o hidromel dos poetas.
35/1* Þurs significa gigante.
35/2* Nágrindr significa portões da morte.
36/1* Þurs é a terceira runa do futhark (alfabeto) viking. Essa runa é dita no poema rúnico norueguês ser a “a tortura das mulheres”.
36/2* Ergi significa homem afeminado, talvez Skírnir a usasse para fazer com que Gerð não arrumasse marido se ela não aceitasse Freyr.
36/3* Os ‘riscos’ possivelmente são runas.

Essa tradução foi feita por Marcio A. Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na
tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.


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