O Valknut

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Trata-se de um dos símbolos mais importantes da mitologia nórdica. O valknut não é conhecido somente como o Nó dos Enforcados ou Nó dos Escolhidos, pode ser chamado também de Coração de Hrungnir, de acordo com uma descrição encontrada na Edda em prosa:

“Hrungnir had a heart that was famous. It was made of hard stone with three sharp-pointed corners just like the carved symbol Hrungnir’s Heart (hrungnishjarta).”

“Hrungnir tinha um coração que era famoso. Era feito de pedra dura com três cantos pontiagudos assim como o símbolo esculpido Coração de Hrungnir.”

Formado por três triângulos entrelaçados, a palavra valknut em norueguês significa “nó dos que caíram em batalha”, de modo que está relacionado com o culto aos mortos e, logo, a Odin.

O significado original do Valknut não é totalmente conhecido. Sabe-se, porém que é um símbolo pagão e que as nove pontas simbolizam os nove mundos (e nove destinos) de Yggdrasil. Importa referir que dentre as simbologias do triângulo, uma delas compreende as tríades início, meio e fim ou corpo, alma e espírito.

O valknut é considerado um popular talismã de proteção contra espíritos. É um símbolo de três formas triangulares formando uma interbloqueamento, e pode ser relacionado a símbolos celtas que representam maternidade e renascimento, talvez aqui sendo confundido ou relacionado ao triskle. Os nove pontos sugerem renascimento, gravidez e ciclos de reencarnação. Tendo uma evidente correlação com o parto. Sua forma sugere a crença entretecida da interdependência dos três reinos da terra, HEL, e os céus nórdicos, e os nove domínios que abrangem.

É um símbolo usado por aqueles que têm extrema dedicação à Odin, significa que você escolheu ser um guerreiro e lutar até a morte se for preciso, então muito cuidado ao usar e principalmente tatuar o Valknut, pois assim você está dizendo a Odin que está disposto a viver e morrer por ele. Tenha certeza de que quer isso antes de fazer a tatuagem.

As Valquírias procuram este símbolo nos mortos em batalha para saber quem será levado para Valhalla.

Fontes de pesquisa

Wikipédia

http://www.dicionariodesimbolos.com.br/valknut/

http://sentimentopagao.blogspot.com.br/2011/07/valknut.html

 

Previsões para 2016

A cada estação do ano, ou festividade dentro do calendário pagão eu gosto de fazer uma leitura das runas.  Sempre faço de modo particular ou ainda para amigos e quem estiver celebrando essas datas comigo, como estou trabalhando com consultoria online neste fim de ano resolvi abrir essas leituras para o público, espero que aproveitem.

Abraços e boas festas!

Leitura referente ao solstício de verão. As previsões ou orientações e uma poesia (sim, eu escrevo!).

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Previsões para 2016 – Ano regido pelo Sol e pela runa Sowelo (Cartomantes de Sara é o site onde trabalho).

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02 de Novembro – Festival de Odin

Odin ou Ódin (em nórdico antigo: Óðinn) é considerado o deus principal da mitologia nórdica atual e também conhecido como “Pai de Todos” e “O enviado do Senhor da Guerra”.

Seu papel, como o de muitos deuses nórdicos, é complexo; é o deus da sabedoria, da guerra e da morte, embora também, em menor escala, da magia, da poesia, da profecia, da vitória e da caça.

Odin morava em Asgard, no palácio de Valaskjálf, que ele construiu para si, e onde se encontra seu trono, o Hliðskjálf, onde podia observar o que acontecia em cada um dos nove mundos. Durante o combate brandia sua lança, chamada Gungnir, e montava seu corcel de oito patas, chamado Sleipnir.

Era filho de Borr e da jotun (“gigante”) Bestla, irmão de Vili e Vé,[2] esposo de Frigg e pai de muitos dos deuses. tais como Thor, Baldr, Vidar e Váli. Na poesia escáldica faz-se referência a ele com diversos kenningar, e um dos que são utilizados para mencioná-lo é Allföðr (“pai de todos”).

Como deus da guerra, era encarregado de enviar suas filhas, as valquírias, para recolher os corpos dos heróis mortos em combate, os einherjar, que se sentam a seu lado no Valhalla de onde preside os banquetes. No fim dos tempos Odin conduzirá os deuses e os homens contra as forças do caos na batalha do fim do mundo, o Ragnarök. Nesta batalha o deus será morto e devorado pelo feroz lobo Fenrir, que será imediatamente morto por Vidar, que, com um pé sobre sua garganta, lhe arrancará a mandíbula.

Etimologia

Os nomes dos deus são encontrados em nórdico arcaico (ou Old Norse) Óðinn (Saxo Grammaticus, latinizando escreve Othinus), no germano Wotan e no primitivo germânico sob a forma de Wodanaz, no gótico, Vôdans, no dialeto das ilhas Feroé (nas costas da Noruega), Ouvin, no antigo saxão, Wuodan, no alto alemão, Wuotan, enquanto que entre os lombardos e na região da Vestefália aparece Guodan ou Gudan, e na Frísia, Wêda. Nos dialetos dos alamanos e borgundos temos a expressão Vut, usada até hoje no sentido de ídolo. Essas denominações estão ligadas pela raiz, no nórdico arcaico, às palavras vada e od, e, no antigo alto alemão, a Watan, Navutan, Wuot, que significavam a princípio razão, memória ou sabedoria. Mais tarde tornaram-se equivalentes a tempestuoso ou violento, sentido que os cristãos faziam empenho de acentuar, procurando depreciar a figura do deus nórdico.

Dia da semana de dedicação

A quarta-feira, dia que é dedicado ao deus, tomou as denominações, no inglês, wednesday (antigo saxão, wôdanes dag, anglo-saxão, vôdnes dag), no holandês, woensdag (médio-neerlandês, woensdach), no sueco e dinamarquês, onsdag (Old Norse, odinsdagr), e no dialeto da Vestefália, godenstag ou gunstag..

Citações na Edda Poética

Na Edda Poética, o maior ciclo é naturalmente o do deus supremo, compreendendo as seguintes baladas: Baldrs Draumar (Os Sonhos de Baldr), Hárbarzljóð (A Balada de Harbard), Vafþrúðnismál (A Balada de Vafthrudnir), Grímnismál (A Balada de Grimnir) e Hávamál (As Máximas de Hár).

Odin se apresenta sob diversos nomes nas baladas édicas, de acordo com as exigências da situação. Sabemos, pela Völuspá (A Profecia da Vidente) e Hyndluljóð (A Balada de Hyndla), que ele é filho de Borr. As elevadas designações de velho criador e pai dos homens, que o poeta anônimo lhe deu em Baldrs Draumar e no Vafþrúðnismál, bem como a informação de que Odin dera o fôlego (Völuspá) a um casal inanimado, não deixa dúvidas sobre uma interferência na criação da humanidade. No Grímnismál há o cognome de príncipe dos homens, na Lokassena (A Altercação de Loki) de pai das batalhas, na Völuspá, de pai dos exércitos, e no Grípisspá (A Profecia de Gripir), de pai da escolha ou pai dos mortos em batalha.
Genealogia

Personalidade

Em linguagem corrente nos países escandinavos e no norte da Alemanha, conforme observa-se entre pessoas cultas, são usadas as expressões zu Odin fahren ou hei Odin zu Gast sein, e far þu til Odin ou Odins eigo þik, citadas também por Jacob Grimm, para imprecações equivalentes a vá para o diabo, ou o diabo que o carregue. É uma tendência malévola que se explica, não só pela ação do cristianismo, mas ainda pelas atitudes violentas e sombrias que o deus tomava, infligindo castigos inflexíveis, como o sono imposto à (valquíria) Brynhild por esta tê-lo desobedecido, e atravessando os ares com seu exército de maus espíritos, nas noites de tempestades, nas chamadas Caçadas Selvagens.

Sobre o Eddas, sabe-se que foram escritos no início da idade das trevas, porém é de conhecimento, que as tradições que a originaram e eram transmitidas oralmente, datam de mais de três mil anos a.C.

Virtudes

O aposto de “pai da magia”, constante do Baldrs Draumar, confirmado no seu próprio depoimento do Hávamál (parte IV), descreve o seu próprio sacrifício: feriu-se com a lança e suspendeu-se numa árvore, onde permaneceu nove dias agitado pelos ventos; esta árvore é Yggdrasill, o freixo do mundo. Tudo isso visando à iniciação na sabedoria das runas, tendo até criado algumas delas, tornando-se senhor do hidromel da poesia, licor mágico que profere vaticínios.

Quanto ao elevado saber de Odin, relata-se que nem sempre foi assim, sábio e mágico poderoso; ávido por conhecer todas as coisas, quis beber da fonte da Sabedoria, onde o freixo Yggdrasill mergulha uma das raízes; mas Mímir, seu tio, o guardião da fonte, sábio e prudente, só lhe concedeu o favor com a condição de que Óðinn lhe desse um de seus olhos. Ele então encontrou na água da fonte milagrosa tanta sabedoria e poderes secretos que pôde, logo que Mímir foi morto na guerra entre os Æsir e os Vanir, lhe conferir a faculdade de renascer pela sabedoria: sua cabeça, embalsamada graças aos cuidados dos deuses, é capaz de responder a todas as perguntas que lhe dirigem. Após adquirir tantos conhecimentos, procurava depois revelá-los em duelos de palavras, em que aposta a vida e sai sempre ganhado. Além do mais, por várias vezes se dirige a profetisas e visionárias, pedindo informações estranhas, dando-lhes em paga ricos presentes.

Cultuação

Desse modo, vemos que Óðinn, na concepção do poeta édico, é criador da humanidade, detentor supremo do conhecimento, das fórmulas mágicas e das runas, invocado por ocasião das batalhas, durante os naufrágios e as doenças, na defesa contra o inimigo, e afinal em qualquer situação desesperadora. Altares se elevavam em sua honra.

Símbolos

Nas baladas da Edda, o deus supremo está em ligação com símbolos, emblemas e certos elementos adequados às diversas circunstâncias em que aparece. Assim, no Valhöll (Valhalla), tem o seu grande palácio onde recebe e aloja os guerreiros mais valorosos, e em outro dos seus três salões em Ásgarðr (Asgard), o alto Valaskjalf, senta-se no trono Hlidskialf, de onde é possível enxergar o mundo inteiro e acompanhar todos os acontecimentos da vida. A seus pés, deitam-se os dois lobos Geri e Freki, símbolos da gulodice, que o acompanham em suas caçadas e lutas, alimentando-se dos cadáveres dos guerreiros. Nos seus ombros estão os dois corvos Munin e Hugin, a sussurrar-lhe o que viram e ouviram por todos os cantos. Quando se encaminha a uma batalha, o que é frequente, usa armadura e elmo de ouro, trazendo nas mãos o escudo e a lança Gungnir, que tem runas gravadas no cabo, montando seu famoso corcel de oito patas, Sleipnir, que tem a faculdade de cavalgar no espaço, por cima das terras e águas.

Disfarces

Em muitas passagens, descrevem-se as andanças de Odin, em que se apresenta sob o disfarce de um viajante baixo e de cabelos escuros, envolvido numa enorme capa azul ou cinza, com um chapéu de abas largas, quebradas acima do olho perdido e o outro olho negro faiscante, como nas baladas édicas Vafþrúðnismál e no Grímnismál, e com os nomes significativos de Gagnrad (o que determina a vitória), Grimnir (o disfarçado), além do Hávalmál (parte III) e nos Baldrs Draumar, respectivamente com os nomes Hár (o elevado, o eminente, o sublime) e Vegtam (o acostumado aos caminhos).

Fonte: https://www.facebook.com/CulturaPagan/posts/916840701743889:0

Obs: Na minha opinião dizer que Odin fez o sacrifício visando a iniciação às runas é tendencioso.

O metamorfo nos contos de fadas – Lóki (Palestra Convenção de Paranapiacaba)

LOKI (LOKE, LODER, LOKKJU, LOTHUR, LOPTER, LOPTI) – O metamorfo nos contos de fadas

Loki (“Aquele Que Atrai”, “Aquele Que Fecha” ou “Fogo”) que também é chamado de Loptr (“Aéreo” ou “Celeste”), Hveðrungr (“Rugidor”) e Lóðurr (“Aquele Que Frutifica”, “Povo”, “Aquele Que Germina” ou possivelmente “Fogo”) é o nome do companheiro de Óðinn e Hoenir. É conhecido como filho de Fárbauti e Laufey ou Nál, irmão de Býleist e Helblindi, marido de Sigyn e pai de Nari ou Narfi e Váli ou Áli, pai de Fenrir, Jörmungandr e Hel (com Angrboða), e mãe de Sleipnir.

Quando os três Deuses criaram o primeiro casal humano, Lóðurr foi quem deu a eles o sangue e a forma humana. Ele é identificado com Vé por Snorri, por causa de seu papel na criação. Muitas teorias surgiram ao redor do nome de Lóðurr. A mais aceita é que ele seja apenas outro nome de Loki e isso é confirmado nos poemas Lokrur e Þrymlur. Outra coisa que fala em favor disso é que Óðinn, Hoenir e Loki viajam juntos pelo mundo em várias ocasiões. O que dificulta essa identificação é o fato de Lóðurr aparecer como uma Divindade amável que ajuda na criação do homem, e Loki parece como o ser que quer destruir a criação. Porém, é sabido que Loki é uma Divindade ambígua e pode muito bem ter ajudado no início para poder destruir no fim.

É uma das figuras mais confusas da poesia nórdica, Loki rege o fogo e a água, a criação e a destruição, o bem e o mal, o equilíbrio entre a ordem e o caos, mesmo apesar de sempre parecer se inclinar para atitudes e pensamentos malévolos (?). Loki é uma personalidade indispensável no destino de Asgard.

É um metamorfo e freqüentemente toma a forma de um animal; assim, transformado em cachorro marinho (foca), roubou o precioso colar de Freyja (Brisingamen) e o escondeu atrás de uma rocha; mas Heimdall, transformado em foca, o arrebatou, depois de muito lutar; mudado em égua, atraiu o garanhão do arquiteto Asgard e tornou-se mãe do cavalo Sleipnir; tendo apostado com os anões Brakk e Sindri que eles não executariam, rapidamente, obras perfeitas, transformou-se em mosca e procurou embaraçar-lhes o trabalho; mas, apesar disto, os anões conseguiram acabar o anel de ouro Draupnir, o javali de Frey e o martelo de Thor; mudado em pulga, picou Freyja para roubar-lhe o adereço, etc. Certa vez teve a audácia de cortar a áurea cabeleira de Sif, esposa de Thor; e, tendo este lhe exigido uma nova, ele a obteve dos filhos de Ivaldis (Brakki e Sindri). Como silfo do fogo, os poetas chamam-no Lopter (raio), e lhe dão um irmão Byleiptr (relâmpago) e uma esposa Sigyn (nuvem de chuva). Não raras vezes vemo-lo, em figura de mulher, sob cujo aspecto acompanhou Thor à casa do gigante Thrym para recuperar o Mjolnir roubado. Com o nome de Thokk foi à única das criaturas que não chorou a morte de Balder.

Quando jovens Loki e Odin fizeram um pacto de sangue e se tornaram irmãos. Assim Loki, por lei, passou a comungar de todos os direitos reservados à Odin em Asgard, habitando junto dele. Também recebeu a mesma sabedoria que o Pai Excelso possuía. O sangue é o veículo da vida e do poder e através dele Loki despertou como Odin havia despertado. Existe uma pequena passagem na Edda poética, no poema Lokasenna, onde Loki lembra a Odin que eles eram irmãos juramentados pelo sangue, ou seja, no passado eles haviam feito um juramento de sangue, embora que não se saiba que juramento foi este, pois no restante da Edda poética, assim como na Edda em prosa e em outros poemas, não encontramos menção a esse juramento de sangue. A estrofe diz o seguinte:

9. Não te recordas, Odin,

que outrora nos dois

misturamos nosso sangue?

Jamais experimentarias, disseste, cerveja

que não se oferecesse a ambos.

Conversando com uma amiga quem tem um parente de origem alemã descobri que, ao contrário do que dizem, Loki é honrado como merece. Senhor do fogo, Ele é chamado sempre que o mesmo é aceso. Em local de frio estremo não é difícil de imaginar isso. E Odin, o senhor da sabedoria, é honrado também, sobretudo em épocas que se está na escola.

Assim como Odin, Loki teve muitas amantes, além de sua esposa. Diz-se que já foi amante de todas as deusas, casadas e solteiras, e que sua beleza se compara a de Baldr, seu rival. Loki é descrito como belo, formoso, e de olhos brilhantes, mas com o caráter mutável.

Em essência, ele era o mestre trapaceiro, do gênero dos celebres mestres zen, que provocavam ardis explosivos em que expunham os deuses e os humanos a uma situação de súbita vulnerabilidade, revelando a sua condição inata de seres imperfeitos. Pela técnica de choque, ele provocava o despertar da consciência e a sua metamorfose em um estado superior de sabedoria representado pela generosa dádiva dos seus tesouros talismânicos. Loki é assim o portador do fogo, trazendo o ardor da vida aos campos e a luz primordial à consciência, e que jaz esquecida nos recônditos do nosso espírito, Ele acompanha-nos oculto na nossa alma ao longo da caminhada noturna do nosso ser interior, expondo-nos e confrontando-nos com as fraquezas triviais do nosso existir e com promessas quiméricas de tesouros, que nada mais são do que poderes secretos do nosso espírito divino. Por isso, um encontro com Loki encerra sempre uma duplicidade e encruzilhada de significados, em estreita relação com o nosso equilíbrio interior e a força de vontade que caracteriza todos os heróis, já que essa divindade esguia, sutil e volúvel, retificava os males criados pela impiedade dos deuses restantes.

Dentro dos contos de fadas podemos vê-lo claramente em O gato de Botas…

O gato de botas Irmãos Grimm

O protagonista da obra é um gato muito ousado e esperto. João, o seu dono, é o filho mais novo de um velho moleiro que antes de morrer distribuiu entre seus três filhos os seus poucos haveres. Para João o velho deixou apenas um gato que aparentemente não iria lhe servir para nada. Porém, ao descobrir que o gato fala João fica surpreso e perplexo.

O gato pede para João comprar-lhe um par de botas. Sem muito a perder João faz o que o gato pediu-lhe. O gato queria impressionar e mostrar para João que servia para alguma coisa e calçado nas botas corre de encontro ao castelo do rei onde o presenteia com um belo coelho. Como o rei gostava de coelho ensopado o retribuiu com um saco de moedas de ouro. O gato de botas realizou a proeza por várias vezes consecutivas e sempre em troca ganhava um saco de moedas que o levava entusiasmado para o seu dono.

Certa vez o gato disse a João que pulasse no rio e quando a carruagem do rei passasse começasse a gritar. Sem entender muita coisa João realiza o pedido. E quando o rei passa na carruagem com sua filha, o gato e João começam a gritar desesperadamente por socorro. Reconhecendo o amigo o rei para e pede que seus serviçais salvem o dono do gato. Além disso, dá-lhe roupas novas e ele fica parecendo um príncipe.

João apaixona-se pela filha do rei e troca olhares melosos com ela. O gato de botas corre na frente da carruagem e chega ao castelo do feiticeiro ogro, no qual engana o tirano malvado fazendo-o transformar-se em um pequeno camundongo que, por sua vez, é engolido pelo gato.

Os serviçais do castelo, agora pertencente ao gato e a João, recepcionam o rei, sua filha e seus serviçais com um maravilhoso banquete. Na ocasião o rei admira e parabeniza João pela riqueza e beleza de suas propriedades. O rei também concede a mão da filha em casamento a João que agora se tornara rico por esperteza do então gato de botas.

Aqui vemos a figura do estrategista e do metamorfo, claro, que está um pouco fora do padrão de moralidade ao qual fomos impostos pela sociedade, uma sociedade cristã vale lembrar, mas quero chamar a atenção aqui para a versatilidade ao qual o Deus recorre. Versatilidade essa tão necessária no nosso dia a dia, e que por pudor ou medo acabamos sufocando dentro de nós.

O medo da mudança, da metamorfose é algo nítido na sociedade atual. Vivemos em um mundo falso! Tintas para disfarçar o cabelo branco, cremes e mais cremes para retardar o envelhecimento, dietas da moda, e por ai vai. Mas porque queremos fugir de um ciclo que sabemos é inevitável? Nascemos, vivemos a criança, nos tornamos adolescentes, atingimos a vida adulta, envelhecemos, morremos…

Do que você tem medo? A não aceitação de cada fase da vida, a não aceitação as mudanças, a não aceitação da evolução, a não aceitação de cada ciclo.

Por que Loki assusta? Por que não devemos honrá-lo?  Loki vem para nos jogar na cara nossos medos mais profundos. Sincero, sem papas na língua, fala o que pensa. Erra, mas assumi seus erros (faz parte da evolução), e busca consertá-los. Por que não honrá-lo? Por que essa face do Deus nos assusta?

A transformação constante faz parte de nosso dia a dia, do ciclo da vida. Lutar contra esse ciclo, contra a nossa natureza é algo inútil e pode tornar-se muito doloroso. Olhar para dentro é despertar. Despertar é o primeiro passo para a evolução e para o alcance da sabedoria.

“Loki é o Fogo em nosso sangue, e a engenhosidade febril que trabalha incessantemente para desencadeá-lo de tudo que deve ser feito, assim como é o fogo que arde e move a vida a nossa volta, sendo ele mesmo chave de acesso as ramificações do fogo em cada um dos mundos, uma vez que tem livre acesso a todos estes mundos.” Loki é necessário para a manutenção do Universo.

Invocação/Oração à Loki

Por Ligia Raido

 Senhor do Fogo

Senhor da Magia

Senhor da Transformação

Irmão de Odin, meu pai

Loki, meu pai

Honrado seja

Com cerveja e hidromel

Que eu não tema ver tua face

Pois ela reflete minha alma

Hail Loki!

Associações:

Loki é associado à égua, raposa, serpente aquática, pulga, salmão, falcão e mosca.

Na Dinamarca era associado aos fenômenos do ar.

Ao fogo do lar na Suécia e em Telemark, na Noruega.

Era visto como uma criatura da noite em Telemark, na Noruega.

Runas (Futhark Antigo):

Thurisaz, Kenaz, Hagalaz, Nauthiz, Peorth, Dagaz.

 Loki (1) Loki (2) lóki (4)

Lóki

(Palestra realizada na XII Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba 30/05/2015)

Fontes:

Links interessantes:

O Völundarkviða (Edda Poética)

Völundarkviða (A Canção de Völundr) é um dos poemas da Edda Poética, que narra como Völundr, um ferreiro, se vingou sobre Níðuðr, que havia lhe capturado. Após ser escravizado e ter os tendões cortados para não fugir, ele passou a fabricar jóias para o rei. Völundr então decide se vingar do rei matando-lhe os dois filhos, e seduzindo-lhe a filha, Böðvildr. Com as partes dos corpos dos rapazes Völundr fabricou jóias e deu para o casal real, depois embriagou Böðvildr com quem deixou esperando um filho e voou com asas para o céu obtendo a liberdade.Esse poema foi preservado no Codex Regius e no AM 748 I 4to (apenas o prólogo, porque está muito fragmentado). A lenda de Völundr aparece na Þiðrekssaga af Bern e no poema O Lamento de Deor, em Velho Inglês.

Völundarkviða

Havia um rei em Svíþjóð* chamado Níðuðr. Ele tinha dois filhos e uma filha. Ela se chamava Böðvildr. Havia três irmãos, filhos do rei dos Finnar*. Um se chamava Slagfiðr, o segundo Egill, o terceiro Völundr. Eles andavam sobre esquis e caçavam bestas selvagens. Eles vieram para Úlfdalir*, e ali fizeram para si uma casa. Ali havia um lago chamado Úlfsjár*. Uma manhã eles encontraram sobre a extremidade do lago três fêmeas sentadas e tecendo linho. Perto delas estavam suas plumagens de cisnes. Elas eram Valkyrjur*. Duas delas, Hlaðguðr-Svanhvít e Hervör-Alvitr, eram filhas do rei Hlöðvér; a terceira era Ölrún, a filha de Kjár de Valland*. Eles as levaram ao lar com eles para sua moradia. Egill obteve Ölrún, Slagfiðr Svanhvít,e Völundr Alvitr. Eles viveram ali sete anos. Então elas voaram embora para procurar batalhas, e não retornaram. Então Egill saiu esquiando a procura de Ölrún, e Slagfiðr a procura de Svanhvít, mas Völundr permaneceu em Úlfdalir. Ele era um homem habilidoso, assim os homens o conheciam de velhas sagas. O rei Níðuðr ordenou que ele fosse agarrado, assim como é relatado aqui:

01-Donzelas voaram do sul
através de Myrkviðr*,
Alvitr a jovem,
tentou a sorte;
elas sobre a praia do mar
se sentaram para descansar,
as donzelas do sul
e linho elas teciam.

02-Uma delas,
Egill abraçou,
a bela mulher,
de peitos alvos;
Svanhvít era a segunda,
ela usava uma plumagem de cisne,
mas a terceira,
sua irmã,
de pescoço branco,
Völundr a manteve.

03-Desde então se sentaram
por sete invernos,
mas no oitavo
todos terminaram,
e no nono
precisaram se dividir;
as donzelas se inclinaram
para a floresta sombria,
a jovem Alvitr,
se entregou ao örlög*.

04-Da caçada veio
o arqueiro de olhos finos,
[Völundr, foi em distantes caminhos],
Slagfiðr e Egill,
encontraram o salão vazio,
foram para fora e para dentro
e ao redor olharam;
Egill deslizou em esqui para leste
atrás de Ölrún
e Slagfiðr foi ao sul
atrás de Svanhvít.

05-Mas apenas Völundr
ficou em Úlfdalir,
ele forjou com ouro vermelho
resistentes jóias,
ele amarrou bem todos
os anéis com cordas de tília;
assim ele esperou
sua brilhante
esposa, se ele
viesse a conseguir-la.

06-Nisso Níðuðr ouviu,
o senhor de Níára,
que apenas Völundr
permanecia em Úlfdalir;
a noite foram homens,
com cotas de malha,
seus escudos brilhavam
com a lua crescente.

07-Andando em suas selas
no frontão do salão,
foram ali dentro,
na extremidade do salão;
eles virão sobre as cordas de tília
anéis pendurados,
ao todo setecentos
que o herói possuía.

08-E eles os pegaram,
e eles os deixaram,
exceto apenas um,
que eles levaram.
Chegou ali da caçada
o arqueiro de olhos finos,
Völundr, passando
sobre um longo caminho.

09-Ele foi ao fogo
para assar a carne de ursa,
logo os arbustos queimaram,
o abeto completamente seco,
com o vento árido na madeira,
perante Völundr.

10-Sentado sobre a pele de ursa,
ele contou os anéis,
do senhor dos Álfar*,
apenas um faltava;
ele pensou, que a
filha de Hlöðvér o tinha levado.
a jovem Alvitr,
e que ela tivesse chegado* ao lar.

11-Ele estava sentado por tanto tempo,
que ele adormeceu,
e ele acordou
triste;
vendo nas mãos
pesadas necessidades*
e sobre os pés
correntes apertadas.

Völundr disse:

12-“Quem são os guerreiros,
que me colocaram a
corda com anéis
e me acorrentaram?”

13-Depois falou Níðuðr,
o senhor dos Níar:
“Onde você conseguiu,Völundr,
príncipe dos Álfar*,
nosso dinheiro*
em Úlfdalir?”

Völundr disse:

14-“O ouro não estava ali
no caminho de Grani*,
eu acho que nossa terra estava longe
das montanhas do Rínar*;
eu acho que nós mais
tesouros possuímos,
quando tudo está seguro
no nosso lar.

15-Hlaðguðr e Hervör
foram nascidas de Hlöðvér
sabe-se que Ölrún
era filha de Kíar.”

16-[Lá fora estava a sábia
esposa de Níðuðr*,]
ela veio andando
da extremidade do salão,
ficando sobre o pavimento,
e com voz moderada:
“Agora não parece dócil,
ele que veio da floresta*.”

O rei Níðuðr deu para sua filha Böðvildr o anel de ouro que ele havia pegado das cordas de tília de Völundr, mas ele próprio usava a espada, que pertencia a Völundr. A rainha disse:

17-“Seus olhos são penetrantes
como os das serpentes brilhantes,
ele mostra os dentes,
quando a espada é exibida a ele
e ele reconhece em Böðvildr
o seu anel;
cortem dele a
sua força*
e depois coloquem ele
em Sævarstöðr*.”

Assim foi feito, fizeram uma incisão em seus tendões dos pés, e ele foi colocado numa ilha, que estava próximo a terra, que se chamava Sævarstaðr. Ali ele forjou para o rei todo tipo de jóias. Nenhum homem ousava ir até ele exceto apenas o rei.

18-“A espada que brilha
no cinto de Níðuðr,
que eu afiei,
que eu habilidosamente forjei
e eu temperei,
que me parece mais habilidosa;
esta espada brilhante para sempre
foi tomada de mim,
eu nunca verei isso
ser levada de volta para a forja de Völundr.”

19-“Agora Böðvildr usa
o anel vermelho
da minha noiva,
-para isso eu não tenho indenização.-“

20-Ele se sentou, mas não dormia,
e ele batia o martelo;
ele fazia artifícios habilidosamente muito
rápido para Níðuðr.
Dois jovens foram
a sua porta olhar,
eram filhos de Níðuðr,
em Sævarstaðr.

21-Eles vieram pelo baú,
perguntando pela chave,
o mal estava aberto*
quando eles olharam;
muitos colares estavam ali,
que para esses jovens pareciam
de ouro vermelho
e jóias.

Völundr disse:
22.”Venha os dois sozinhos,
venha outro dia;
eu darei a vocês esse ouro
de presente;
não diga as donzelas
nem aos homens do salão,
a nenhum homem,
que me procuraram*.”

23.Cedo um homem
chamou o outro,
irmão, irmão:
“Vamos ver os anéis!”
Foram até o baú,
perguntaram pela chave,
o mal estava aberto,
quando eles olharam.”

24.Ele cortou-lhes a cabeça fora,
desses garotos
e debaixo da fuligem das tiras do fole
colocou os pés;
os crânios deles,
que estavam debaixo dos cabelos,
ele fixou prata, por fora,
e deu para Níðuðr.

25-E de seus olhos,
fabricou gemas preciosas
que ele deu sabiamente
para a esposa de Níðuðr,
mas dos dentes
desses dois
ele fabricou broches
e deu a Böðvildr.

26-Então Böðvildr
se gabou do anel que conseguiu
— — —
— — —
[para Völundr o trouxe*],
quando ela o quebrou:
“Eu não ouso dizer isso a ninguém
salvo apenas você.”

Völundr disse:

27-“Eu repararei de tal modo
o ouro quebrado
que seu pai
achará mais belo
e sua mãe
achará muito melhor
e você própria
na mesma proporção.”

28-Ele trouxe cerveja para ela,
porque ele era mais sábio,
assim que ela se sentou
caindo de sono.
“Agora eu terei minha vingança,
do meu sofrimento
sobre todos, menos uma,
na mulher perversa*.”

29-“Eu desejo,” disse Völundr,
“que eu fique sobre meus pés
de quando Níðuðr
me privou.”
Völundr rindo
elevou ao céu*,
Böðvildr chorando
foi embora da ilha,
triste por seu amor partir
e a fúria de seu pai.

30.Lá fora estava a sábia
esposa de Níðuðr,
e ela veio andando
da extremidade do salão,
-mas ele estava no muro do salão
sentado descansando-:
“Você está acordado,Níðuðr,
senhor de Níar?”

31-“Eu sempre estou acordado,
sem vontade
eu durmo
desde a morte de meus filhos;
minha cabeça está gelada,
teus conselhos são frios para mim,
eu desejo isso agora,
que eu fale com Völundr.

32-Me diga Völundr,
príncipe dos Álfar,
o que aconteceu
com meus saudáveis garotos.”

Völundr disse:

33-“Você deve jurar para mim
primeiro de tudo,
pela prancha do navio,
pela borda do escudo,
pelas costas do cavalo,
pela ponta da espada,
que você não atormentará
a esposa de Völundr*
nem da minha noiva
causará a morte,
embora eu tenho uma esposa
que você conhece
e possui um bebê
lá dentro do salão.

34-Vá para o forja,
que você construiu,
ali você encontrará o fole
coberto de sangue;
eu cortei em pedaços as cabeças
dos seus garotos,
e debaixo da fuligem das tiras do fole
coloquei os pés.

35-Os crânios deles,
que estavam debaixo dos cabelos,
eu fixei prata, por fora,
e dei para Níðuðr;
e de seus olhos,
fabriquei gemas preciosas
que eu dei sabiamente
para a esposa de Níðuðr,

36-Mas dos dentes
desses dois
eu fabriquei broches
que eu dei a Böðvildr;
agora Böðvildr andara
com o aumento de uma criança*,
a única filha
que vocês tiveram.”
Níðuðr disse:

37-“Você nunca disse uma palavra,
que me mais me afligiu,
nem eu te desejaria, Völundr,
pior injúria;
nenhum homem é tão alto,
de seu cavalo para te pegar,
nem tão forte,
que possa te atirar para baixo*,
onde você se distanciou
no alto do céu.”

38-Völundr rindo
elevou ao céu,
mas Níðuðr depressivo,
ficou então sentado depois disso.
Níðuðr disse:

39-“Levante-se, Þakkráðr,
o melhor dos meus servos,
peça a Böðvildr,
a donzela de alvas sobrancelhas,
de finas vestes vir
falar com seu pai.

40-Isso é verdade, Böðvildr,
o que me foi contado:
que você e Völundr se sentaram
juntos na ilha?”

Böðvildr disse:

41-“Isso é verdade,Níðuðr,
o que te contaram:
me sentei junto com Völundr,
na ilha
por um breve momento,
embora nunca deveria;
eu não soube como
me empenhar contra ele,
eu não fui capaz
de me empenhar contra ele.”

As Notas:

* Svíþjóð é a Suécia.
* Finnar são os Finlandeses.
* Úlfdalir significa Vale do Lobo.
* Úlfsjár significa Mar do Lobo.
* Embora elas sejam Valquirias, seus nomes não aparecem na lista de Valkyrjur da Edda em Prosa de Snorri.
* Valland significa Terra da Morte.
01/2* Significa Floresta Negra.
03/10* A Lei Primaria, o Destino.
10/3* Elfo. Völundr é identificado como sendo da raça dos elfos, que eram habilidosos ferreiros.
10/8* Retornado ao lar.
11/6* Ele estava acorrentado.
13/4* Novamente Völundr é associado aos Elfos.
13/5* Níðuðr havia chegado com seus homens para capturar Völundr acusando-o de ter roubado seu tesouro. É possível que Níðuðr por ser um rei pensava ser o dono das riquezas da terra e que outros deviam pagar-lhe tributo.Porém isso é mera suposição.
14/2* Grani é o nome do cavalo de Sigurðr Fáfnisbani. Völundr parece afirmar que sua riqueza não fazia parte do lendário tesouro dos Niflungar e nem pertencia a Níðuðr.
14/4* O rio Reno. Nota-se que o Reno é visto como um rio abundante em ouro segundo as
lendas.
16/2* As duas primeiras linhas foram colocadas aqui, mas não estão no manuscrito. Essas linhas foram recolocadas aqui tiradas das duas primeiras linhas da estrofe 30, mas com certeza se trata da esposa de Níðuðr.
16/8* Völundr. Ao que parece Völundr foi levado para o lar de Níðuðr.
17/8* Os tendões.
17/10 * Significa Habitação no Mar.
21/3* O baú aberto indica a queda dos irmãos.
22/8* A Þiðrekssaga af Bern relata que Völundr manda os filhos do rei embora com instruções, dizendo para eles voltarem quando a neve estiver caindo e fossem até lá andando de trás para frente. Na verdade Völundr havia planejado isso caso alguém descobrisse que os dois estiveram lá e assim ele poderia dizer que eles saíram em segurança e as pegadas na neve seriam a evidencia disso. Os dois assim fizeram e Völundr os matou.
26/5* O anel. Ao que parece esse anel que Völundr possuía antes de ser-lhe arrancado possuía poderes mágicos (ou ele encantou depois que ele o consertou) porque logo que o recuperou ele pode voar .Ele pretendia dar-lo para sua antiga esposa Alvitr. Isso é até possível já que Völundr era dito ser um elfo e os elfos eram hábeis em fabricar artefatos mágicos.
28/8* A rainha esposa de Níðuðr.
29/6* A Þiðrekssaga af Bern relata que Egill, o irmão de Völundr, veio em seu socorro atirando pássaros para que Völundr pudesse fabricar asas para poder fugir de Níðuðr. Porém, acredita-se que Völundr fabricou asas com plumagem de cisnes para poder fugir.
33/8* Böðvildr.
36/6* A Þiðrekssaga af Bern conta que Völundr retornou com um exército, matou Niðuðr e depois se casou com Böðvildr. Eles tiveram um filho chamado Vidia/Viðga/Witege. Conta-se que esse Vidia se tornou um grande herói germânico.
37/8* A Þiðrekssaga af Bern conta que Níðuðr obrigou Egill, a atirar em seu irmão Völundr, mas Völundr havia escondido um saco cheio de sangue debaixo do braço esquerdo e quando Egill atirou nele, ele acertou o saco, assim Níðuðr pensou que Völundr estava morto.

Essa tradução foi feita por Marcio Alessandro Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.® 2010
E-mail:asatruar42@hotmail.com

O Vafþrúðnismál (Edda Poética)

Vafþrúðnismál (Os Dizeres de Vafþrúðnir) é o terceiro poema da Edda Poética.No inicio temos os diálogos de Óðinn e Frigg e depois Óðinn e o gigante.Esse poema tem uma rica descrição da cosmogonia nórdica que também foi usado por Snorri em sua Edda em Prosa.O poema está preservado no Codex Regius e parcialmente no AM 748 I 4to.

Vafþrúðnismál

Óðinn disse:
01-“Me de seu conselho agora Frigg, porque eu desejo ir até o sábio Vafþrúðnir. Eu estou muito ansioso para trocar velhos conhecimentos com o todo-sábio jötunn.”

Frigg disse:
02-“Eu aconselho você ficar em casa, Herjaföðr*, na terra nos deuses, pelo que sei nenhum jötunn é tão poderoso como Vafþrúðnir.”

Óðinn disse:
03-“Eu tenho amplamente vagado, ousando muitas proezas, freqüentemente desafiando os Regin*; agora Eu preciso saber como Vafþrúðnir vive em seu salão.”

Frigg disse:
04-“Então viaje em segurança e retorne depois em segurança, fique em segurança na estrada. Possa oeði o servir, Aldaföðr*, quando você for falar com o jötunn.”

05-Óðinn seguiu viagem para testar a sabedoria das palavras do todo-sábio jötunn. Ele chegou no salão do pai de Ím*,
e lá Yggr* imediatamente entrou.”

Óðinn disse:
06-“Salve Vafþrúðnir! Eu vim em seu salão agora para ver você pessoalmente. Primeiro de tudo Eu queria saber se você é sábio, jötunn,se você é todo-sábio.”

Vafþrúðnir disse:
07-“Que homem é esse? quem desfere palavras para mim em meu salão? Você não partirá a menos que você seja mais sábio.”

Óðinn disse:
08-“Gagnráðr*,Eu sou chamado, e Eu estou sedento da minha viagem para seu salão. Eu preciso de um acolhimento, jötunn, e sua recepção, por Eu ter viajado tão longe.”

Vafþrúðnir disse:
09-“Por que então, Gagnráðr, você fala do fundo do recinto? Tome um assento no salão, então nós veremos se o convidado ou o velho sábio tem maior inteligência.”

Óðinn disse:
10-“Deixe o pobre homem que visita o homem rico dizer o que é necessário e segurar sua língua. Falar demais trará a ele, Eu acho, nenhum bem, quando visitar um homem austero.”

Vafþrúðnir disse:
11-“Me diga Gagnráðr, desde que você quer testar seu poder aí do fundo do recinto: qual é o nome do cavalo, que puxa Dagr* acima da humanidade?”

Óðinn disse:
12-“Skinfaxi, ele é chamado, que puxa Dagr através do céu e acima da humanidade todo dia. Para os Hreiðgotum* ele parece o melhor. A juba desse cavalo brilha.”

Vafþrúðnir disse:
13-“Me diga Gagnráðr, desde que você quer testar seu poder aí do fundo do recinto: Como eles chamam o cavalo
que puxa Nótt* do leste para os bons Regin?”

Óðinn disse:
14-“Hrímfaxi ele é chamado, quem assim traz novamente Nótt para os Regin. Ele baba espuma toda manhã; desse modo vem os orvalhos para os vales.”

Vafþrúðnir disse:
15-“Me diga Gagnráðr, desde que você quer testar seu poder aí do fundo do recinto: Como é chamado o rio, que divide o reino dos deuses do reino dos filhos dos Jötnar?”

Óðinn disse:
16-“Ífingr,esse rio é chamado, que divide o reino dos filhos dos Jötnar do reino dos deuses. Sempre correrá, e nunca congelará.”

Vafþrúðnir disse:
17-“Me diga Gagnráðr, desde que você quer testar seu poder aí do fundo do recinto: Como eles chamam o campo, onde Surtr e os amados deuses se encontraram em guerra?”

Óðinn disse:
18-“Vígriðr o campo é chamado, onde Surtr e os amados deuses se encontraram em guerra. O campo que os dividira está
a cem léguas em todas as direções. Para eles esse campo está predestinado.”

Vafþrúðnir disse:
19-“Você é totalmente instruído, meu convidado. Agora venha para o banco do jötunn, e nos deixe falar sentado. Nós dois apostaremos nossas cabeças no salão meu convidado, em sabedoria.”

Óðinn disse:
20-“Me diga em primeiro,Vafþrúðnir, se oeði o serve, e você sabe: Como a Jörð e os Upphiminn* vieram a existir, oh sábio jötunn?”

Vafþrúðnir disse:
21-“A Jörð foi formada da carne de Ymir, as montanhas de suas pernas, e os Upphiminn do crânio gelado do jötunn,
e o mar de seu sangue.”

Óðinn disse:
22-“Me diga em segundo, Vafþrúðnir, se oeði o serve,e você sabe: Como Máni* viaja sobre os homens, e também como a Sól, veio a existir?”

Vafþrúðnir disse:
23-“O pai de Máni é chamado Mundilfari. Ele é também o pai da Sól. Eles viajam pelos céus todo dia para contar o tempo.”

Óðinn disse:
24-“Me diga em terceiro, Vafþrúðnir, por eles dizerem que você é sábio, e você sabe: Como Dagr viaja acima dos homens, a Nótt, e as fases da lua vieram a existir?”

Vafþrúðnir disse:
25-“Dellingr* é chamado o pai de Dagr. Nótt foi nascida de Nörvi*.Os Regin moldaram as luas nova e minguante para contar o tempo.”

Óðinn disse:
26-“Me diga em quarto, desde que eles dizem, Vafþrúðnir, que você é sábio, e você sabe: Como o Vetr e o caloroso Sumar* vieram a existir entre os sábios Regin?”

Vafþrúðnir disse:
27-“Vindsvalr ele é chamado, que é o pai do Vetr, e Svásuðr teve Sumar”.

Óðinn disse:
28-“Me diga em quinto, desde que eles dizem, Vafþrúðnir, que você é sábio, e você sabe: Quem é o mais velho dos gigantes, descendentes de Ymir, no inicio dos tempos?”

Vafþrúðnir disse:
29-“Durante incontáveis invernos, antes da terra ser formada, Bergelmir nasceu, seu pai era Þrúðgelmir, e seu pai era Aurgelmir*.”

Óðinn disse:
30-“Me diga em sexto, Vafþrúðnir, desde que eles dizem que você é sábio, e você sabe: de onde veio Aurgelmir e os filhos dos Jötnar de inicio, sábio jötunn?”

Vafþrúðnir disse:
31-“Gotas de veneno saltaram de Élivagar e aumentou até que um jötunn nasceu. De lá vem toda nossa tribo, e nossa ferocidade.”

Óðinn disse:
32-“Me diga em sétimo, Vafþrúðnir, desde que eles dizem que você é sábio, e você sabe: Como fez o incontrolável jötunn para ter crianças quando ele não teve o prazer de uma gýgr*?”

Vafþrúðnir disse:
33-“Abaixo do braço do Hrímþurs* eles dizem que uma filha e um filho junto nasceram. De um pé junto ao outro,o sábio jötunn teve um filho de seis cabeças.”

Óðinn disse:
34-“Me diga em oitavo, Vafþrúðnir, desde que eles dizem que você é sábio, e você sabe: Qual é sua mais antiga memória, seu mais antigo conhecimento, desde que você é sábio,jötunn?”

Vafþrúðnir disse:
35-“Em incontáveis invernos, antes da formação do mundo, Bergelmir* nasceu. A primeira coisa que eu recordo é o sábio jötunn sendo colocado em um barco.”

Óðinn disse:
36-“Me diga em nono,Vafþrúðnir, desde que eles dizem que você é sábio, e você sabe: De onde vem o Vindr* que viaja
sobre as ondas, mas é invisível pelo homem?”

Vafþrúðnir disse:
37-“Ele é chamado Hræsvelgr, que senta no fim do céu, um jötunn na forma de águia. Eles dizem que o vento se origina de suas asas e acima da humanidade.”

Óðinn disse:
38-“Me diga em décimo,Vafþrúðnir, desde que você sabe as proezas de todos os Tívar*: Como Njörðr veio a ficar entre os filhos do Æsir? Seus templos e santuários são numerosos, mas ele não foi gerado entre os Æsir.”

Vafþrúðnir disse:
39-“Ele foi criado em Vanaheimr pelos sábios Regin que o deram como refém para os deuses. Na última era ele retornará
ao lar dos sábios Vanir.”

Óðinn disse:
40-“Me diga em décimo primeiro: Quem são os homens que viajam para os campos para matar um ao outro todo dia?”

Vafþrúðnir disse:
41-“Todos os Einherjar* matam um ao outro no campo de Óðinn todo dia. Eles escolhem os mortos, então cavalgam de volta do combate, e se sentam como amigos.”

Óðinn disse:
42-“Me diga em décimo segundo, as proezas de todos os Tívar, Vafþrúðnir,desde que você sabe. Desde que dizem que você é o mais sábio nas runas dos Jötnar e todos os deuses, todo-sábio jötunn.”

Vafþrúðnir disse:
43-“Das runas dos Jötnar e todos os deuses eu posso falar a verdade, porque eu estive no mundo. Eu andei nos nove mundos, e abaixo do Níflhel para onde os homens mortos vão para Hel.”

Óðinn disse:
44-“Longe Eu tenho viajado, muito eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin. Quais Homens viverão, quando o grande Fimbulvetr* chegar para a Humanidade?”

Vafþrúðnir disse:
45-“Líf e Leifþrasir,se esconderão nos bosques de Hoddmímir*. Eles terão o orvalho das manhãs como sua comida
Assim deve a humanidade ser nutrida.”

Óðinn disse:
46-“Longe Eu tenho viajado, muito Eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin. Como virá a Sól para suavizar o céu uma vez que foi morta por Fenrir*?”

Vafþrúðnir disse:
47-“Alfröðull* dará à luz a uma filha antes dela ser morta por Fenrir. Quando os Regin morrer, essa donzela cavalgará
o caminho de sua mãe*.”

Óðinn disse:
48-“Longe Eu tenho viajado, muito Eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin. Quem são as donzelas de mentes sábias que viajam acima do mar?”

Vafþrúðnir disse:
49-“Três tribos de donzelas descendem da vila de Mögþrasir. Elas trazem Hamingjur* para seus lares, embora eles são parentes dos Jötnar.”

Óðinn disse:
50-“Longe Eu tenho viajado, muito Eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin. Quais os Æsir que governarão a terra quando o fogo de Surtr se extinguir?”

Vafþrúðnir disse:
51-“Víðarr e Váli* habitarão no santuário dos deuses quando o fogo de Surtr se extinguir. Móði e Magni* receberão o Mjöllnir quando Vingnir* terminar o combate.”

Óðinn disse:
52-“Longe Eu tenho viajado, muito Eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin.
Quem trará a morte de Óðinn quando os Regin forem arruinados?”

Vafþrúðnir disse:
53-“O lobo irá tragar o Aldaföðr, Mas Viðarr irá vinga-lo. Ele partirá a fria mandíbula do lobo em combate.”

Óðinn disse:
54-“Longe Eu tenho viajado, muito Eu tenho ousado, freqüentemente Eu tenho desafiado os Regin. O que Óðinn disse ao ouvido de seu filho antes que ele fosse levado a pira*?”

Vafþrúðnir disse:
55-“Nenhum homem sabe o que você falou para seu filho no inicio dos tempos. E foi com a boca condenada que eu falei velhos contos e falei do Ragnarökr.

Agora eu troquei minha sabedoria em palavras com Óðinn. Você é o mais sábio.”

As Notas:
02/1* Herjaföðr é outro nome de Óðinn.
03/2* Regin são os deuses.
04/3* O oeði é a inspiração,e Aldaföðr é outro nome de Óðinn.
05/3* Vafþrúðnir é pai de Ím.
05/4* Yggr é outro nome de Óðinn.
08/1* Óðinn usou esse nome de disfarce.
11/4* Dagr é o dia.
12/3* Não se sabe ao certo quem são os Hreiðgotum.
13/4* Nótt é a noite.
20/3* Jörð é a Terra e os Upphiminn é os Céus.
22/3* Máni é a lua.
25/1* Dellingr é da família dos Æsir, segundo Snorri.
25/2* Nörvi é um gigante.
26/3* Vetr é o inverno e Sumar o verão.
27/3* Bugge acrescentou duas frases da Edda de Snorri:
(“Vindsvalr foi nascido de Vasuð.)
(que é de família de coração frio.”).
29/4* Aurgelmir é outro nome de Ymir.
32/4* Gýgr significa giganta.
33/1* Hrímþurs é outro nome para se referir a Ymir.
35/3* Bergelmir é o gigante que se salvou do sangue de Ymir quando ele foi morto pelos deuses.
36/3* Vindr é o vento.
38/2* Tívar são os deuses.
41/1* Einherjar são os guerreiros de Óðinn.
44/3* Fimbulvetr é o grande inverno que anuncia o Ragnarökr.
45/2* Hoddmímir holt é (aparentemente) outro nome de Yggdrasil (?).
46/4* Sköll é dito devorar a Sól na Edda em prosa.
47/1* Alfröðull é outro nome da Sol.
47/4* Ela fará o mesmo curso que sua mãe fazia.
49/3* Pensa-se que ‘Elas’ são as Nornir mas isso é incerto.Hamingjur é a força mágica móvel muito parecida com o ‘mana’ de outras tradições.Hamingja muitas vezes é definida como ‘sorte’ ou ‘espírito guardião’.
51/1* Víðarr e Váli são filhos de Óðinn.
51/3* Móði e Magni são filhos de Þórr.
51/4* Vingnir é outro nome de Þórr.
53/1* Aldaföðr é outro nome de Óðinn.
54/4* Esse filho sem dúvida é Baldr, possivelmente Óðinn contou a ele sobre a chegada do Ragnarökr e seu significado de renascimento…Há também a possibilidade de que Baldr ficou no Hel para se proteger do fim e esse seria o plano real de Óðinn, enfim são apenas suposições…

Essa tradução foi feita por Marcio A. Moreira (Vitki Þórsgoði).Tentei manter-me fiel na tradução e em preservar os nomes originais contidos no poema.